A Palavra como Meio da Graça
A Palavra como Meio da Graça
Leitura: At 20.28-32
Introdução
Meios da Graça são “canais divinamente designados por Deus através dos quais as influências do Espírito Santo são comunicadas à alma humana” (Wiley). Estes meios são usados primordialmente na comunhão da igreja.
A vida cristã começa pela graça, pela atividade do soberano Espírito de Deus, e deve ser continuada da mesma maneira (1Pe 5.12). Mas também existe alguma atividade da parte do crente, que têm algo a desenvolver (Ef 2.10; Fp 2.12-13). Além disso, os crentes são instruídos a crescerem “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo” (2 Pe 3.18).
Estes meios da graça são coisas específicas que o gracioso e amável Deus do céu concedeu aos crentes para ajudá-los a desenvolverem sua salvação, fazerem as boas obras que Ele determinou e a crescerem na graça.
Embora a expressão “meios da graça” não se encontre na Bíblia, é uma designação adequada para aquilo que está ali ensinado.
Há dois tipos de meios da graça: os particulares (palavra, oração) e os públicos (adoração, Ceia do Senhor, batismo).
Enquanto os católicos enxergam estes meios como “meios de salvação”, os evangélicos os vêem como sendo apenas meios de alcançar as bênçãos de Deus, pois a salvação é garantida pela obra de Cristo.
Destaca-se que, em si mesmos, estes meios da graça são completamente ineficientes e só produzem resultados espirituais positivos mediante a eficaz operação do Espírito Santo. O meio da graça mais básico é a Bíblia, a Palavra de Deus. A sua eficácia de comunicar a graça de Deus depende exclusivamente de que ela seja um instrumento do Espírito Santo. O livro em si mesmo não tem poder, seu poder deriva do Seu Autor e Aplicador, Deus.
A Bíblia, meio de salvação
Paulo escreveu que o evangelho é poder de Deus para salvação (Rm 1.16), que Deus resolveu salvar os crentes pela loucura da pregação (1 Co 1.21), que as sagradas letra podem tornar o homem sábio para a salvação (2Tm 3.15) e que os crentes são gerados pelo evangelho (1Co 4.15).
Pedro afirma que o crente é regenerado pela Palavra de Deus (1Pe 1.23). Tiago também diz que fomos gerados pela verdade da Palavra (Tg 1.18).
Assim, a Bíblia é indicada como meio para salvação dos homens. Foi escrita para que a humanidade tenha a vida eterna (Jo 20.31).
A pregação do evangelho é um meio da graça de maior importância para alcançar os perdidos (Rm 10.13-17; 1Co 1.17,18; Lc 24.47; At 1.8). O crescimento da igreja está diretamente ligado à proclamação do evangelho (At 6.7; 12.24; 13.49).
A salvação se dá unicamente pela fé (Ef 2.8,9), mas para crer em Cristo é preciso conhecer a verdade do evangelho, que se revela nas Sagradas Escrituras. Logo, a Bíblia é instrumento de Deus para a salvação. Não há rotas alternativas de salvação, à parte da revelação de Deus no evangelho. O carcereiro em Filipos foi sacudido pelo terremoto, mas alcançou a salvação por meio da pregação de Paulo, baseada no evangelho (At 16.25-34).
Hodge afirma que, embora seja possível, geralmente não há indicação da influência salvadora do Espírito Santo em lugares onde se desconhece a Palavra de Deus e que “o cristianismo florece na proporção exata do grau em que a Bíblia é conhecida, e suas verdades são difundidas entre as pessoas”.
A Bíblia, meio de santificação
O Senhor declara que o crente é santificado pela Palavra (Jo 17.17; 15.3). Ela revela o estado do coração e a necessidade dele ser limpo (Tg 1.25). A Bíblia é a “água” que lava o crente de suas impurezas (Ef 5.26). Aquele que a guarda em seu coração evita o pecado (Sl 119.11).
A Bíblia foi escrita por homens santos, enquanto Deus os inspirava e guiava, por intermédio do Espírito Santo (2Pe 1.21). Ela nos ensina, principalmente, o que precisamos crer a respeito de Deus e quais os deveres que Ele exige de nós. A Bíblia revela os princípios pelos quais Ele nos julgará e demonstra o supremo padrão pelo qual devem ser averiguados todos os comportamentos, credos e opiniões dos homens.
Para sermos santos, que é uma exigência de Deus para seus filhos (1Pe 1.16), é preciso conhecer a Deus e este conhecimento é revelado ao homem nas páginas do sagrado livro. Assim, a Bíblia é necessária para a santificação.
A Bíblia, meio de edificação
Ela é o instrumento pelo qual Deus fala ao seu povo. Enquanto lêem a Bíblia, Deus abençoa e fortalece os crentes com tudo que necessitam para seu viver diário. Paulo afirma que Deus, por Sua Palavra pode edificar os crentes (At 20.32). A Bíblia é necessária para a manutenção da vida do crente, para sua nutrição espiritual (Mt 4.4). A Palavra de Deus é verdadeiro alimento (Jó 23.12). Moisés afirma ao povo de Deus que a Palavra lhes daria vida (Dt 32.47). A Bíblia é o “leite” que alimenta o crente no princípio de sua vida espiritual (1Pe 2.2; 1Co 3.2; Hb 5.12,13) e o alimento sólido para o que está mais amadurecido (Ef 4.14; Hb 5.14). As palavras que transmitem graça são úteis para edificação do crente (Ef 4.29).
Além disto, a Palavra de Deus é útil para “o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2Tm 3.16), para nos dar esperança (Rm 15.4), dar sabedoria (Sl 19.7).
Conclusão
Um Pai amoroso, sábio e gracioso, que habita nos céus, outorgou aos seus filhos estes meios para o bem deles (Dt 10.13). Ele não os deu a fim de colocar seus filhos em escravidão a regras estabelecidas pelo homem, mas para abençoar, fortalecer e encorajá-los. Os meios particulares da graça nos foram concedidos para sustentar-nos em nossa vida cristã diária, em um mundo de atividades cotidianas. Os meios públicos da graça são para nosso benefício, na igreja local pertencente ao Senhor Jesus Cristo. Praticá-los agora resultará em crescimento e frutificação de nossa vida cristã. Quando o crente utiliza os meios da graça, percebe os resultados em sua própria vida: crescimento espiritual, maturidade, alegria, santidade e semelhança a Cristo. É fortalecido e encorajado a andar com Cristo, recebe a força e o poder espiritual necessários para vencer a tentação, o pecado e Satanás.
Assim, separe uma parte de cada dia para ler e meditar alguma porção da Palavra de Deus. Escolha a melhor ocasião e a hora mais adequada. Leia toda a Bíblia, fazendo-o de maneira sistemática. Leia a Bíblia com um espírito de obediência e auto-aplicação. Estude-a com a determinação de que você viverá pelas suas regras, confiará em suas afirmativas e se comportará de acordo com seus mandamentos. A Bíblia mais lida é aquela mais praticada.
Leitura Sugerida:
GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999.
THIESSEN, Henry Clarence. Palestras em Teologia Sistemática. São Paulo: IBR, 2006.
WILEY, H. Orton; CULBERTSON, Paul T. Introdução à Teologia Cristã. São Paulo: CNP, 1990.
Carlos Kleber Maia