A Bíblia e Os Jogos de Azar

August 20th, 2010

A Bíblia e Os Jogos de Azar
Texto: 1 Co 6.12

Introdução

Muitas pessoas gostam de “tentar a sorte” na esperança de ganhar algum dinheiro ou “fazer uma fezinha” para alcançar algum prêmio. Há muitas opções: loteria, jogo do bicho, sena, quina, raspadinhas etc e para todas elas há clientes dispostos a fazer um pequeno investimento para conseguir muito dinheiro.
Mas precisamos perguntar: o que a Bíblia tema dizer sobre isto? O jogo de azar agrada a Deus? Podemos nos envolver nesta atividade sem desagradar ao Senhor?

O que Deus fala sobre a riqueza e o investimento de risco

Primeiramente devemos considerar que Deus não condena a riqueza em si mesma. Muitos servos de Deus eram ricos, como Abraão, Jó, os reis Davi e Salomão. Deus nos dá condições de adquirir riqueza (Dt 8.18; 1 Cr 29.12-14).
Deus também não condena que se invista o dinheiro de forma sábia e lícita, para alcançar rendimentos (Mt 25.27; Lc 19.23). A que a Bíblia condena é a ambição de conseguir riquezas a qualquer custo. Algumas perguntas podem servir de norteamento na busca a esta resposta:

Somos movidos pela ambição?

As pessoas geralmente investem em jogos de azar porque querem ficar ricas. São levadas pela cobiça, pelo desejo de ter sempre mais. Mesmo que já tenham um bom emprego, uma casa para morar e muitas outras coisas, continuam jogando para obter mais. A Palavra de Deus nos alerta contra este desejo (1 Tm 6.8-11). Os que querem ficar ricos a qualquer custo não escaparão aos tropeços da cobiça (Pv 28.20-22). Alguém pode afirmar que o dinheiro arrecadado com jogos financia esporte ou obras sociais, mas ninguém joga por causa disso, mas é movido pelo desejo de ficar rico. E o problema não é ser rico, mas o que estamos dispostos a fazer para chegar lá e quanto isto nos domina.
A palavra grega traduzida por avareza (pleonexia), literalmente significa a sede de possuir mais. O avarento não entra no céu (Ef 5.5). Devemos estar contentes com o que temos, pois Deus cuida de nós (Hb 13.5; Sl 37.25; Fp 4.10-13; 1 Tm 6.6).

Confiamos em Deus ou na sorte?

O propósito que leva muitas pessoas a jogar é que confiam mais na sua sorte do que na providência divina. Não esperam que Deus lhe dê, mas esperam ganhar jogando. Entretanto, a Bíblia declara que a riqueza que vem de Deus não nos acrescenta dores (Pv 10.22). E não se pode dizer o mesmo da riqueza que vem do diabo. O problema aqui não é se temos dinheiro, mas quem nos deu isto. Deus condena aqueles que deixam de buscá-lo para lançar-se à “roda da fortuna” (Is 65.10-12).

Queremos deixar de trabalhar?

O sonho de muitas pessoas é acertar na loteria para deixar de trabalhar. No entanto, o trabalho foi dado ao homem por Deus (Gn 1.28) e é recomendado pelas Escrituras (2 Ts 3.10-12; 1 Ts 4.10-12; Ex 20.9; Sl 128.2). Quando trabalhamos ganhamos nosso dinheiro de forma digna, o que dá bom testemunho a todos, inclusive a nossos filhos. A Bíblia condena a ociosidade e a preguiça (Pv 12.11; 6.9-11). Devemos trabalhar e incentivar o trabalho.
Quando investimos em ações de uma empresa, por exemplo, estamos também investindo no trabalho. Quando investimos em jogatina, estamos incentivando a exploração e a ociosidade. Muitas pessoas têm que perder para que um possa ganhar. Isto vai de encontro aos mandamentos divinos (Ex 20.15,17) e prejudica nossa cidade em vez de ajudá-la a prosperar, como a Palavra recomenda (Jr 29.7).

Somos sábios nos nossos investimentos?

As pessoas que jogam na loteria não pensam que há uma enorme probabilidade de nunca ganharem; estão investindo de forma insensata. A chance de ganhar na loteria é de um em milhões, mas as pessoas pensam que podem ser o próximo milionário. Entretanto, não colocariam dinheiro numa poupança que diminuísse em vez de aumentar o investimento. Jesus nos orientou a avaliar os custos antes de fazermos um investimento (Lc 14.28). Devemos dar ouvidos a bons conselhos e não agir de forma insensata, inclusive com o dinheiro que temos (Pv 12.15; 17.16; 21.20).

Somos dominados pelo vício?

Não devemos ser viciados ou dominados por qualquer coisa (1 Co 6.12). Todo viciado começa com um pouco e depois se torna dependente. Assim também é com o jogador compulsivo.
As pessoas se tornam servas do jogo, pois não conseguem libertar-se dele, por querer sempre ganhar, alcançar aquele prêmio, aquele dinheiro. A Bíblia identifica a busca insaciável e avarenta pelas riquezas como idolatria (1 Co 10.19,20; Cl 3.5) e isto é condenado por Deus (Hb 13.5; Lc 12.15), pois não podemos servir a Ele e às riquezas (Mt 6.24). Ou somos dominados por Deus ou pelo desejo da riqueza. Ou agradamos a Deus ou ao dinheiro. A ambição pela riqueza e a sua busca frequentemente escravizam as pessoas (Mt 6.24).
As riquezas, na perspectiva de Jesus, podem ser um obstáculo, tanto à salvação como ao discipulado (Mt 19.23,24; 13.22). Transmitem um falso senso de segurança (Lc 12.15ss.), enganam (Mt 13.22) e exigem total lealdade do coração (Mt 6.21). Quase sempre os ricos vivem como quem não precisa de Deus. Na sua luta para acumular riquezas, os ricos sufocam sua vida espiritual (Lc 8.14), caem em tentação e sucumbem aos desejos nocivos (1Tm 6.9), e daí abandonam a fé (1Tm 6.10). Geralmente os ricos exploram os pobres (Tg 2.5,6). O cristão não deve, pois, ter a ambição de ficar rico (1Tm 6.9-11).
O amontoar egoísta de bens materiais é uma indicação de que a vida já não é considerada do ponto de vista da eternidade (Cl 3.1). O egoísta e cobiçoso já não centraliza em Deus o seu alvo e a sua realização, mas, sim, em si mesmo e nas suas possessões. O fato de a esposa de Ló pôr todo seu coração numa cidade terrena e seus prazeres, e não na cidade celestial, resultou na sua tragédia (Gn 19.16,26; Lc 17.28-33; Hb 11.8-10).

Mas Deus não mandou lançar sorte?

No AT Deus mandou confeccionar duas pedras que eram usadas para se conhecer a Sua vontade, chamadas Urim e Tumim (significado: luzes e perfeição; revelação e verdade) (Nm 27.21). Elas ficavam guardadas na estola sacerdotal e por meio delas Deus respondia: sim ou não (1 Sm 23.9-12). Porém, Deus não estava ensinando o Seu povo a jogar, pois não estavam buscando outra coisa senão saber a vontade de Deus; a resposta vinha dele (Pv 16.33).

Conclusão

Tudo o que fazemos deve ser feito para agradar a Deus e abençoar os outros (1 Co 10.31,32). O jogo não cumpre estas condições, mas atende apenas à cobiça daquele que quer ficar rico sem trabalhar e sem a bênção de Deus. Assim, devemos fugir disto e não nos deixarmos dominar pelo vício e pela jogatina.
Os jogos de azar, oficializados ou não, são instrumentos prejudiciais à vida moral e social, pois levam as pessoas a confiarem na sorte, em lugar de se dedicarem com mais afinco ao trabalho honesto, além de distorcerem a mente das pessoas sobre o certo e o errado, fazendo com que se tornem prisioneiros do inimigo.

Leitura sugerida

EVANS, Tony. Loteria e Jogos de Azar. Vida: São Paulo, 1997.

Carlos Kleber Maia
Natal/RN

A Divindade de Cristo

June 11th, 2010

A Divindade de Cristo
Texto: 1Jo 5.10-20

Introdução

Acreditar na divindade de Cristo constitui-se o âmago da nossa fé, pois somente o fato de ser Ele Deus em carne humana (e não um homem elevado) pode resolver o problema do pecado.
As Escrituras trazem inúmeras provas que Jesus era Deus, mas vemos principalmente na autoconsciência de Cristo, aquilo que ele declara sobre si mesmo, as maiores evidências.

Jesus declara-se Deus?

Apesar de nunca ter declarado explicitamente: “Sou Deus”, Jesus fez alegações que soariam absolutamente impróprias se fossem proferidas por alguém que não fosse Deus. Os judeus entenderam a implicação destas declarações e acusaram Cristo de blasfêmia e quiseram apedrejá-lo (Mc 2.7; Jo 5.18; 8.59; 10.33), pois esta a pena prescrita pela lei de Moisés (Lc 24.16).
Jesus aceita a declaração e adoração de Tomé: “Senhor meu e Deus meu!” (Jo 20.28), dos seus discípulos (Mt 14.33), do cego que teve a visão restaurada, depois de lavar-se no tanque de Siloé (Jo 9.38). Caso não fosse Deus, certamente Ele aproveitaria tal oportunidade para corrigir uma concepção errada sobre a sua pessoa, pois nem os homens (At 14.13-15) nem aos anjos (Ap 22.8,9) aceitam a adoração que pertence só a Deus.

Declarações divinas de Cristo:

1. Ele pode perdoar pecados (Mc 2.5-7; Lc 7.48,49);
2. Ele alega ser um com o Pai (Jo 10.30) e que conhecê-lo é conhecer ao Pai (Jo 14.7-9).
3. Ele afirma que quem O honra, está honrando o Pai (Jo 5.23);
4. Somente Ele conhece o Pai e pode revelá-lo a quem quiser (Mt 11.27);
5. Ele tem a mesma glória do Pai, que não dá a outro (Jo 17.5; Is 42.8);
6. Ele enviaria Seus anjos à terra (Mt 13.41; Lc 12.8,9);
7. O Reino de Deus é o Seu reino (Mt 16.28; 13.41; Lc 11.20);
8. Ele julgará todos os homens (Mt 25.31-46; Jo 5.22);
9. Reivindicou autoridade sobre o sábado, instituído por Deus (Mc 2.27,28; Ex 20.8-11);
10. Ele tem autoridade para colocar Suas palavras sobre as Escrituras (Mt 5.21,22,27,28);
11. Ele tem poder para dar a vida (Jo 6.39, 54; 11.25; 10.17,18);
12. Ele ordena aos espíritos imundos e eles lhe obedecem (Mc 1.25-27; 9.25);
13. Ele declarou ser o único caminho para a salvação (Jo 14.6; Mc 8.35; Lc 9.24);
14. Quem não crer nEle morrerá em seus pecados (Jo 8.24);
15. Ele exigiu a mais alta lealdade dos homens, que negassem a si mesmos e o amassem mais que a seus familiares (Lc 9.23; 14.26; Mt 10.34-39);
16. Cristo disse de Si mesmo: “Antes que Abraão existisse, Eu Sou” (Jo 8.58), declarando sua eternidade e igualdade com o Pai (Ex 3.14);
17. Ele mandou que os discípulos orassem em Seu nome (Jo 14.13,14; 15.7). Eles oraram em Seu nome (1Co 5.4) e até a Ele (At 7.59).
18. Cristo descreve a Si mesmo como Deus nas parábolas: O Pastor, O Pai, O Dono da Vinha, etc .

Jesus é o Filho de Deus

Jesus dizia ser o Filho de Deus (Mt 24.36; Lc 10.22; Jo 11.4). Ele não era “um” filho de Deus, mas “o” Filho de Deus. Assim como “filho de homem” designa um nascido de homem, “filho de Deus” designa um nascido de Deus. Este título significa que Cristo tinha um relacionamento com o Pai diferente do de todos os demais homens. O Mestre demonstra este entendimento desde a sua primeira declaração registrada, ainda menino (Lc 2.49). Os judeus o acusaram de fazer-se filho de Deus (Jo 19.7) e Ele declarou explicitamente que eles o veriam nesta sua glória (Mt 26.63-66).

Nomes de Deus atribuídos a Cristo:

• A Bíblia usa o termo “Deus” (Theós) em relação a Cristo (Jo 1.1,18; 20.28; Rm 9.5; Tt 2.13; Hb 1.8; 2 Pe 1.1).
• A Bíblia usa “Senhor” (Kyriós) em relação a Cristo. Esta palavra é utilizada 6.814 vezes na Septuaginta como tradução de “Jeová” (Lc 2.11; 1.43; Mt 3.3; 22.44; 1 Co 8.6; Hb 1.10-12; Ap 19.16).

Heresias acerca da divindade de Cristo:

• Ebionismo: ensinava que Jesus era mero homem, adotado por Deus (também chamado adocionismo).
• Arianismo: ensinava que Jesus era uma criatura perfeita do Pai, mas não igual a Ele.
• Monarquianismo: dinâmico ou modalista, ensinava que existe somente um Deus, que se manifesta de modos diferentes. Primeiro como o Pai, depois como o Filho e, por último, como o Espírito Santo.

Cristo tem atributos da divindade:

Atributos de Natureza:

1. Onisciência (Mt 11.27; 12.25; 17.27; Mc 2.8; Jo 1.47-51; 2.25; 4.16-19,29; 6.64; 8.55; 10.15; 16.30; 21.6,17; Cl 2.3).
2. Onipresença (Mt 18.20; 28.20; Jo 3.13; 14.23; Ef 1.23). Plenamente, após a ressurreição.
3. Onipotência (Mt 8.26,27; 14.19; 28.28; Fp 3.21; Hb 1.3; Ap 1.8).
4. Eternidade (Jo 8.58; 17.5,24; Cl 1.17; Hb 1.8; 13.8; Ap 1.8; 22.13; Is 9.6; Mq 5.2).
5. Vida (Jo 10.17,18; 11.25; 14.6).
6. Imutabilidade (Hb 1.11; 13.8; Sl 102.26,27).
7. Autoexistência (Jo 1.1,2).
8. Espiritualidade (2Co 3.17,18).

Atributos Morais:

1. Santidade (At 3.14; 4.27; Jo 8.12; Lc 1.35; Hb 7.26; 1Jo 1.5; Ap 3.7; 15.4; Dn 9.24).
2. Bondade (Jo 10.11,14; 1Pe 2.3; 2Co 10.1).
3. Verdade (Mt 22.16; Jo 1.14; 14.6; Ap 19.11; 3.7; 1Jo 5.20).

Títulos dados igualmente a Deus Pai e a Cristo:

• O Pai é Deus (Dt 4.39; 2Sm 7.22; 1Rs 8.60; 2Rs 19.15; 1Cr 17.20; Sl 86.10; Is 45.6; 46.9; Mc 12.32; Jo 17.3) e o Filho também é considerado assim (Jo 1.1; Rm 9.5; Tt 2.13; 1Jo 5.20);
• Deus Pai é Salvador (Is 45.15,21; Lc 1.47: Tt 3.4; Is 43.3,11; 60.16; 1Tm 1.1; 2.3; Tt 1.3; 2.10; 3.4; Jd 25; 1Tm 4.10) e igualmente Jesus (2Pe 1.1; Tt 2.13; Jd 25; Lc 1.69; 2.11; At 5.31; Ef 5.23; Fp 3.20; 2Tm 1.10; Tt 1.4; 3.6; 1Jo 4.14);
• O Pai é Senhor (Mt 11.25; 21.9; 22.37; Mc 11.9; 12.29; Rm 10.12; Ap 11.15; Mc 12.29; Dt 6.4) e da mesma maneira o Filho (Lc 2.11; Jo 20.28; At 10.36; 1Co 2.8; 8.6; 12.3,5; Fp 2.11; Ef 4.5; 2Co 8.6; Ef 4.5);
• O Pai é Rei dos Reis e Senhor dos Senhores (Dt 10.17; 1Tm 6.15, 16) e também o Filho (Ap 17.14; 19.16);
• O Pai é o Primeiro e o Último (Is 41.4; 44.6; 48.12) e igualmente o Filho (Ap 1.11, 17; 2.8; 22.13);
• O Pai é O Esposo (Is 54.5; 62.5; Jr 3.14; Os 2.16) e o mesmo título é dado ao Filho (Jo 3.9; 2Co 11.2; Ap 19.7; 21.9);
• O Pai é O Pastor (Sl 23.1) e o Filho também o é (Jo 10.11, 14; Hb 13.20; 1Pe 5.4);
• O Pai é aquele diante do qual todo joelho se dobrará (Is 45.22,23) e o mesmo é dito do Filho (Fp 2.10,11).
Declarações feitas a respeito do Pai no AT são atribuídas ao Filho no NT (Is 40.3 comp. a Jo 1.23; Sl 45.6,7 comp. a Hb 1.8,9).
O Nome de Jesus é associado ao do Pai, igualando-os: (Gl 1.3; Ef 1.2; Mt 28.19; 2Co 13.13).

Obras atribuídas igualmente a Deus e a Jesus Cristo:

Algumas das obras que são exclusivas de Deus são atribuídas a Cristo. Ele declarou que nada pode fazer de si mesmo (Jo 5.19), mas falava da Sua unidade com o Pai e da Sua condição humana. Alguns afirmam que Cristo só operava pelo poder do Espírito Santo e não por seu próprio poder, mas vemos que Cristo operou milagres em Seu próprio nome.

• O Pai é o Criador de todas as coisas (Ne 9.6; Sl 146.6; Is 44.24; Jr 27.5; At 14.15; 17.24) e esta obra também é atribuída ao Filho (Sl 33.6; Jo 1.3, 10; 1Co 8.6; Ef 3.9; Cl 1.16; Hb 1.2, 10);
• O Pai sustente e preserva o universo (Sl 104.5-9; Jr 5.22; 31.35) e igualmente o Filho (Cl 1.17; Hb 1.3; Jd 1);
• O Pai ressuscita os mortos (Rm 4.17; 1Co 6.14; 2Co 1.9; 4.14) e o Filho tem o mesmo poder (Jo 5.21, 28, 29; 6.39, 40, 44, 54; 11.25; Fp 3.20,21).

Por que Jesus tinha de ser plenamente Deus?

1. Somente um Deus infinito poderia arcar com a pena de todos os pecados.
2. A salvação vem de Deus e somente Ele poderia salvar o homem.
3. Somente alguém que fosse plenamente Deus (e plenamente homem) poderia ser o único mediador entre Deus e os homens, tanto para nos levar de volta a Deus, como para revelá-lo a nós (Jo 14.9).

Conclusão

Cristo é plenamente Deus (Cl 1.19; 2.9). Ele é o Emanuel – Deus conosco (Mt 1.23). Cristo deixou clara esta verdade e por causa disso foi condenado à morte pelo sinédrio judaico. Isto traz algumas implicações para nós :
1. Podemos ter conhecimento de Deus, por meio de Cristo (Jo 14.9). Olhando para Cristo saberemos como é Deus;
2. Podemos todos alcançar a salvação, pois não foi um mero homem, mas Deus quem morreu para nos salvar.
3. Podemos ter comunhão com Deus, pois Ele mesmo veio ao nosso encontro.
4. Podemos adorar a Jesus, pois Ele é Deus, como o Pai, e merece todo louvor, honra e glória.

Leitura sugerida

ERICKSON, Millard. Introdução à Teologia sistemática. Tradução Lucy Yamakami. São Paulo: Vida Nova, 1997.
GEISLER, Norman. Teologia Sistemática. Tradução Marcelo Gonçalves e Luis Aron de Macedo. 1ª Edição. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

Carlos Kleber Maia

A Humanidade de Cristo

May 28th, 2010

O Cristo Homem
Texto: 1Tm 2.1-5

Introdução

Cristo encarnou-se e se fez verdadeiro homem (Jo 1.14). O apóstolo Paulo afirma que Ele “nasceu da descendência de Davi segundo a carne” (Rm 1.3). O evangelista Lucas traça a sua descendência até Adão (Lc 3.23-28).
O apóstolo João combateu o docetismo, que negava a realidade do corpo humano de Jesus (1Jo 4.2,3). Esta teoria, considerada herética, afirmava que o corpo de Cristo apenas parecia humano, mas não era composto de matéria, que seria má, nem sujeito a mudanças ou experiências, pois Deus não muda. Assim, Cristo não seria verdadeiro homem, mas apenas um fantasma.
Também a igreja rejeitou o apolinarismo, cuja mensagem era que Cristo assumiu apenas o corpo humano, mas sua alma foi substituída pelo logos divino. Portanto, Jesus era homem fisicamente, mas não psicologicamente.
Entretanto, a Bíblia nos mostra que, na encarnação, Cristo assumiu não apenas um corpo humano, mas também uma alma humana. Portanto, Sua natureza humana foi completa e total .

Aspectos humanos de Cristo

• Nasceu de uma virgem, de parto normal, sem um pai humano, pela ação do Espírito Santo (Mt 1.18, 24, 25; Lc 1.35, 3.23). Ele não desceu do céu e apareceu na terra, mas nasceu como nascem todos os homens, sem a natureza pecaminosa.
• Teve uma mãe humana (Gl 4.4), além de irmãos e irmãs (Mt 12.47; 13.55,56). Ele tinha uma família e viveu entre eles durante muitos anos.
• O Mestre teve um desenvolvimento humano normal (Lc 2.40; 2.52). Ele teve um crescimento humano natural, entre as crianças de sua época, sendo alimentado e cuidado por sua mãe.
• Ele possuía corpo humano de carne e osso (Lc 24.39; 1 Jo 1.1). Não era um espírito com aparência humana, mas foi visto e tocado pelas pessoas.
• O Senhor tinha uma mente humana e cresceu em sabedoria (Lc 2.52; Hb 5.8-9). Ele aprendeu como os outros homens, embora fosse Deus.
• Ele possuía uma alma humana (Mt 26.38; Jo 12.27). Estava sujeito às emoções, tinha vontade própria e raciocínio como os demais homens.
• Também possuía um espírito humano (Mc 2.8; 8.12; Lc 23.46; Jo 13.21).

Fraquezas e limitações humanas

Jesus tinha um corpo humano com as mesmas necessidades: Ele cansou (Jo 4.6), teve sede (Jo 19.28), teve fome (Mt 4.2), teve sono (Mt 8.24) e necessitou de cuidados e ajuda (Mt 4.11, Lc 23.26).

Ele tinha emoções humanas: Esteve angustiado (Jo 12. 27; 13.21), triste (Mt 26.38), admirou-se (Mt 8.10; Lc 7.9; Mc 6.6), chorou (Jo 11.35), foi tentado como homem (Hb 4.15) e sentiu solidão (Mc 14.32-42; 15.34).
Ele amava as pessoas (Jo 13.23), tinha compaixão dos necessitados (Mt 9.36; 14.14; 15.32; 20.34) e também alegrou-se (Jo 15.11; 17.13; Hb 12.2). Também ficou irado e indignado (Mc 3.5; 10.14).

Embora fosse Deus e tivesse conhecimento além da capacidade humana (Lc 9.47; 6.8; Jo 4.18; 11.14), sua mente humana tinha conhecimento limitado (Mc 9.21; 11.13; 13.32; 5.30-34; Jo 11.34).

Ele morreu e foi sepultado, mas ressuscitou ao terceiro dia (Mt 27.33-66; Mc 15.22-47; Lc 22.44; 23.26; Jo 19.16-42).

Os homens o consideravam verdadeiramente humano

As pessoas que tiveram contato com Jesus o consideravam um homem, com a mesma aparência e mesmo corpo dos demais homens:

• O próprio Cristo se diz homem (Jo 8.40).
• Seus contemporâneos em Nazaré (Mt 13.53-58) e em Jerusalém (Jo 10.22-33) também o consideravam homem como os demais.
• Seus próprios irmãos também o consideravam humano (Jo 7.5).
• Pilatos o considerou um homem (Jo 19.5).
• O cego que foi lavar-se no tanque de siloé também o chama de homem (Jo 9.11).
• João Batista o chama de homem (Jo 1.30).
• Pedro chama-o de varão – homem (At 2.22).
• Também o apóstolo Paulo chama-o de homem (1Co 15.21,47).
• Até o consideraram mais velho do que realmente era (Jo 8.57).

Por que Jesus tinha de ser plenamente humano?

Existem algumas razões porque Cristo tinha que ser verdadeiro homem, assumindo a natureza dos homens:

1. Para possibilitar uma obediência representativa (Rm 5.18,19). Cristo é o “último Adão” (1 Co 15.45) e o “segundo homem” (1 Co 15.47). Cristo obedeceu em nosso lugar naquilo que Adão desobedeceu.
2. Para ser um sacrifício substitutivo (Hb 2.16,17). Jesus tinha de se tornar homem para morrer por nós, em nosso lugar, e pagar a penalidade que nos era devida. Se Deus iria salvar os homens, Cristo teria que ser homem como eles.
3. Para ser o único mediador entre Deus e os homens (1 Tm 2.5), Jesus tinha que ser totalmente Deus e totalmente homem. Como Deus podia nos apresentar a Ele e como homem podia nos representar diante dele.
4. Para cumprir o propósito original do homem de dominar a criação (Hb 2.8,9). O homem falhou em ser o representante de Deus no domínio da terra, mas Cristo pode exercer este domínio plenamente (Hb 2.8; Mt 28.18).
5. Para ser nosso exemplo e padrão na vida (1 Jo 2.6; 1 Pe 2.21). Ele é o nosso exemplo de obediência a Deus (1Pe 2.21) e devemos andar como Ele andou (1Jo 2.6). Podemos conformar-nos com Ele na vida e na morte (Fp 3.10; 1Pe 3.17,18).
6. Para ser o padrão de nosso corpo redimido (1 Co 15.49). O corpo de Jesus ressurreto é o padrão do nosso corpo, quando ressuscitarmos, pois Ele é “o primogênito entre os mortos” (Cl 1.18).
7. Para compadecer-se como sumo-sacerdote (Hb 2.18). Somente tendo existido na condição humana Cristo pode conhecer por experiência aquilo que sofremos e pode nos socorrer nas nossas tribulações (Hb 4.15-16).

Conclusão

Cristo era verdadeiro homem. Não apenas alguém com a aparência humana, para enganar as pessoas, mas com corpo, alma e espírito humanos. Ele, sendo um homem que falava a verdade, não enganaria ninguém.
Jesus não deixou de ser homem quando subiu ao céu. Mesmo após a ressurreição ele continua tendo um corpo humano (Jo 20.25-27; 1Tm 2.5). Ele julgará o mundo como homem (At 17.31). Ele será homem para sempre. A natureza divina está unida à natureza humana permanentemente em Cristo.
Cristo não foi um homem no passado, mas agora no presente Ele continua nos representando e, como homem, sendo nosso mediador nos céus.

Carlos Kleber Maia

O Ciúme de Deus

May 7th, 2010

O Ciúme de Deus
Texto: Tg 4.5

Introdução

O Dicionário Aurélio define a palavra ciúme como: Sentimento doloroso que as exigências de um amor inquieto, o desejo de posse da pessoa amada, a suspeita ou a certeza de sua infidelidade fazem nascer em alguém; zelos. Geralmente descreve a atitude de zelo pelo que é seu. Esta palavra também é usada no sentido de inveja, neste caso significando zelo pelo que é dos outros.
A Bíblia descreve Deus como sendo ciumento. É significativo que no livro do Êxodo o Senhor torna conhecido o seu nome, sua natureza e seu caráter e declara-se como Deus zeloso, ou ciumento (Ex 34.14; 20.5). O vocábulo hebraico usado significa “zelo pelo que é seu”. Em diversas passagens as Escrituras falam do ciúme ou zelo divino (Nm 25.11; Dt 4.24; 6.15; 29.20; 32.16,21; Js 24.19; 1Rs 14.22; Ez 8.3-5; 16.38,42; 23.25; 36.5-7; 38.19; 39.25; Jl 2.18; Na 1.2; Sf 1.18; 3.8; Zc 1.14; 8.2; Sl 78.58; 79.5; 1Co 10.22; Tg 4.5). Como marido que tem zelo ou ciúmes pela sua esposa, assim o Senhor tem ciúmes pelo seu povo.
Há dois tipos de ciúme entre os homens. Um é motivado pelo amor, outro pelo egoísmo e inveja:

O Ciúme negativo

Este ciúme expressa o sentimento de quem quer o que é de outro, de quem tem uma cobiça manifestada por inveja ou emulação. Este sentimento é alimentado pelo orgulho e pelo egoísmo e é listado entre as obras da carne (Gl 5.20). O termo hebraico (qin’ah) traduzido em Provérbios 27.4 por inveja é o mesmo usado para ciúme.
Foi esta a atitude de Raquel quanto à sua irmã Lia, por não ter os filhos desta (Gn 30.1). Da mesma forma, foi este o sentimento que Coré, Datã e Abirão tiveram em relação a Moisés e Arão (Sl 106.16; Nm 16.1-11), desejando a sua liderança, e o sumo-sacerdote e os saduceus tiveram dos apóstolos (At 5.17,18). Também os irmãos de José tiveram ciúmes dele (At 7.9) e os judeus, de Paulo (At 13.45; 17.5). O termo grego correspondente é zelos.
Não devemos ter este tipo de ciúmes (Rm 13.13; 1Co 3.3; Sl 37.1; 73.3; Ec 4.4; Is 11.13) e certamente não é deste tipo o ciúme de Deus. O resultado deste ciúme em quem o possui é descrito como “podridão de ossos” (Pv 14.30).

O Ciúme positivo

Existe outro tipo de ciúme que é motivado pelo amor: o zelo em proteger uma relação amorosa. Quando um marido sente ciúmes pela intromissão de um rival em seu lar está protegendo o que é seu (Pv 6.34), pois a exclusividade é a essência do casamento. Ser zeloso ou ciumento de algo que pertence a você é bom e apropriado.
A Bíblia não somente deixa de condenar esta atitude como, na Lei de Moisés, até prevê que o marido a tenha, prescrevendo uma oferta pelo ciúme e um ritual de maldição para a mulher adúltera (Nm 5.11-31). O marido ciumento levaria a esposa ao sacerdote, levando consigo a oferta de manjares e aquele cumpriria o ritual determinado por Deus para aplacar o “espírito de ciúmes”.
A figura do marido é utilizada muitas vezes para descrever o relacionamento de Deus com o Seu povo (Is 54.5; Jr 3.14; Os 2.19,20; Jo 3.29; 2Co 11.2; Ef 5.25,32). Como esposo zeloso, Deus requer fidelidade e não aceita a adoração a outros deuses. A idolatria é adultério espiritual e desperta o ciúme divino, que é baseado em sua aliança de amor. E, neste caso, o ciúme é sempre positivo, pois o rival é o reino do mal.
Deus exige exclusividade absoluta na adoração do Seu povo e a infidelidade implica na quebra do segundo mandamento, trazendo para os infratores a pena prevista no decálogo (Ex 20.4-6). Sempre o ciúme ou zelo divino é despertado por alguma forma de idolatria (Js 24.19; 1Rs 14.22; 1Co 10.22). Os ídolos provocam o ciúme de Deus (Ez 8.3) e a expressão da sua ira (Ez 16.38,42), tanto sobre aqueles do Seu povo que caíram na idolatria (Sl 78.58-61; Sf 1.18) quanto sobre os Seus inimigos (Na 1.2; Ez 36.5-7; Sf 3.8).

Por que Deus tem ciúmes?

Como um marido traído que zela pela sua honra, Deus zela pelo seu Santo Nome (Ez 39.25; 20.39). Quanto mais puro e casto é o marido, tanto mais forte será a sua indignação quando vê a sua amada interessada em outra pessoa. O nome de Deus revela Seu caráter e Sua natureza como Deus único e verdadeiro, a quem é devida toda a glória, exclusivamente. Ele não dá a Sua glória para ninguém (Is 42.8; 48.11) e muito menos a ídolos criados pelos homens.
Todas as referências ao ciúme divino são relacionadas a alguma forma de adoração idólatra. Quando alguém adora a um ídolo e dá a este a glória que pertence somente a Deus, isto desperta o ciúme e a ira daquele que é, exclusivamente, digno de glória e louvor: o Senhor (Dt 6.14,15; 32.16-18). Deus é muito possessivo do louvor e culto que pertencem somente a Ele. É um pecado grave louvar e servir a qualquer outra coisa que não seja só a Ele.
Deus criou os céus, a terra e tudo o que neles há. Só Ele, portanto, é digno de adoração e glória de todas as criaturas (Sl 96.5). Quando estas criaturas adoram a deuses que não criaram nada, mas foram criados, causam indignação a Deus (Jr 10.11; Is 51.13).
Deus busca a Sua glória entre os homens e trabalha para que Sua glória não seja dada a outro (Is 48.5).

A Nossa Resposta ao Ciúme de Deus

Sabendo que o nosso Deus é um Deus ciumento, zeloso, o que devemos fazer? Qual deve ser a nossa resposta ao ciúme divino?
Como esposa amada, a igreja deve ser zelosa com Deus, mostrando amor e adoração incondicionais e exclusivos a Ele, em total fidelidade. O apóstolo Paulo revela este sentimento, de apresentar a igreja como “uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo” (2Co 11.2).
Devemos viver para agradar a Deus e amá-lo de todo o nosso coração, alma e entendimento (Lc 10.27). Deus elogiou Finéias por ser zeloso (ou ciumento) por Ele (Nm 25.7-11), quando matou um casal idólatra e prostituído (Nm 25.1,2). Elias também se mostrou zeloso pelo Senhor (1Rs 19.10,14), condenando os idólatras. O Senhor Jesus é nosso exemplo maior de zelo por Deus, quando purificou o templo de Deus (Jo 2.17). O Senhor ordenou aos crentes que sejam zelosos (Ap 3.19), colocando Cristo no centro de nossas vidas e servindo a Ele com amor e dedicação.

Conclusão

O Senhor nos amou e fez uma aliança de amor conosco. Porém, Ele exige de nós exclusividade e fidelidade quanto à adoração. Devemos dar a Ele e somente a Ele toda glória, honra e louvor. Não devemos provocar o ciúme de Deus desviando nossa atenção ou adoração para ídolos vãos. Deus continua sendo zeloso, ciumento, e exigindo de Sua esposa, a igreja, fidelidade à Sua aliança de amor. Culto, louvor, honra e adoração pertencem somente a Deus, pois só Ele é digno. Portanto, Deus é justo por ter ciúme quando nosso culto, louvor, honra e adoração são dados a ídolos.
Devemos, também, ser ciumentos ou zelosos por Ele, reprovando aquilo que não lhe agrada e trabalhando para que em tudo Ele seja glorificado.

Leitura recomendada

PACKER, J.I. O Conhecimento de Deus. São Paulo: Mundo Cristão, 1996.
Dicionário Internacional de Teologia do Antigo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2000.

Carlos Kleber Maia

A Impecabilidade de Cristo

April 29th, 2010

A Impecabilidade de Cristo
Texto: Hb 4.14-16

Introdução

Uma questão importante referente à humanidade do Senhor Jesus é a sua impecabilidade, ou seja, a questão se ele poderia ou não pecar. Afirmar a impecabilidade de Cristo é dizer que Ele nunca desagradou a Deus (Jo 8.29) ou violou a lei de Moisés, sob a qual viveu.
A Palavra de Deus afirma que Cristo era verdadeiro homem e também verdadeiro Deus. Porém, num aspecto Cristo era diferente dos demais homens: Ele não pecou. Assim, Cristo não era menos homem, mas mais homem, um homem perfeito, sem a natureza decaída, que não faz parte da natureza humana original.

Cristo nunca pecou

As Escrituras são muito claras neste ponto: Cristo nunca cometeu pecado; nunca transgrediu um mandamento de Deus. Ele ensinou seus discípulos a pedir perdão (Mt 5.23,24) e a confessar pecados (Lc 15.21; Mt 18.15,16), mas Ele mesmo nunca fez nem uma coisa nem outra, pois nunca pecou. Encontramos diversas declarações que atestam a ausência de pecado em Cristo:

• A Bíblia declara que Jesus nunca pecou (Hb 4.15; 7.26; 9.14; 2 Co 5.21; Tg 5.6; 1Pe 1.18; 2.22; 3.18; 2Pe 2.2; 1Jo 3.5; Is 53.9);
• Cristo mesmo declarou-se sem pecado (Jo 8.46; 14.30);
• Seu traidor, Judas, declarou-o inocente (Mt 27.4);
• A esposa de Pilatos declarou-o justo (Mt 27.19);
• Pilatos declarou-o justo e inocente (Mt 27.24);
• O mesmo fez Herodes (Lc 23.15);
• O Centurião declarou-o sem pecado (Lc 23.47);
• Também o ladrão na cruz ao seu lado (Lc 23.41).

Nunca houve qualquer acusação válida de pecado contra Jesus. Quando os judeus o acusaram de blasfêmia estavam agindo injustamente, pois Ele, sendo Deus, não blasfemou ao se igualar ao Pai (Jo 10.33; Mc 14.64).

Impecabilidade e Concepção virginal

Cristo não somente nunca pecou como nasceu sem pecado, sem a natureza pecaminosa, decaída. Isto implica que não herdou a natureza pecaminosa de seus pais.
Alguns teólogos afirmam que a concepção (ou nascimento) virginal é indispensável para a impecabilidade de Jesus. Se Ele tivesse nascido de forma natural teria uma natureza pecaminosa como todos os homens. Se pensamos que os homens nasceriam sem pecado se não tivessem um progenitor macho, teríamos que afirmar que:

a) O pai (macho) é a fonte de depravação, o que implica que as mulheres não possuem uma natureza decaída ou não a transmitem, o que a Bíblia não afirma (Rm 3.23). Não há diferenças em pecaminosidade entre homens e mulheres, pois tanto Adão quanto Eva pecaram (Rm 5.12; 1Tm 2.14), ou
b) A depravação vem do ato sexual, o que a Bíblia também não afirma, pois Deus ordenou ao homem que se reproduzisse (Gn 1.22, 28; 9.1; 35.11). A afirmação do salmista (Sl 51.5) declara simplesmente que ele já era pecador quando nasceu.

Como nenhuma das hipóteses nos convence, afirmamos que foi a poderosa ação do Espírito Santo sobre Maria que determinou o nascimento virginal e santo de Jesus e não a ausência do contato dela com José (Lc 1.35; Mt 1.18).
Cristo não herdou o pecado original, pois a depravação herdada é conseqüência da descendência natural de Adão.

Jesus poderia ter pecado?

Sendo Deus – que não é tentado pelo mal (Tg 1.13) - Jesus poderia ter pecado? Alguns teólogos afirmam que se Ele não pudesse pecar suas tentações não seriam reais ou genuínas. Alguém que não cede à tentação pode de fato senti-la? Leon Morris afirma que aquele que resiste conhece todo o poder da tentação, pois a resiste até o fim . A Palavra fala das tentações de Cristo como fatos reais (Lc 4.2; Hb 4.25).
Sendo Deus, Cristo não poderia ser tentado, mas como homem ele poderia pecar? Grudem sugere uma solução para este impasse:
a) Se a natureza humana de Jesus tivesse existido independentemente de sua natureza divina, ele poderia pecar, como fez Adão;
b) Entretanto, desde sua concepção Cristo foi tanto homem quanto Deus, estando unidas as duas naturezas em uma só pessoa;
c) Um ato pecaminoso (moral) não atingiria apenas sua natureza humana (como a fome, sede, cansaço etc), mas também a natureza divina santa;
d) Como Deus, Cristo não poderia contrariar sua natureza santa;
e) Assim, conclui-se que Cristo não somente era capaz de não pecar, mas também não poderia pecar.

Entretanto, Suas tentações foram mais reais, pois Ele resistiu a elas totalmente. As tentações que afligiram a Cristo não foram mais suaves por Ele ser Deus, mas muito mais severas, pois como os homens sucumbem à tentação, não experimentam todo o poder do tentador. O Mestre, entretanto, experimentou o ataque do inimigo em toda a sua força. Nenhum homem foi tentado como Ele o foi, pois nenhum outro poderia resolver seus problemas sem esperar em Deus, como transformar pedras em pães para se alimentar, lançar-se do alto do templo para provar seu messianismo, etc.
Outro detalhe não pode escapar-nos: Tentação não implica em fraqueza. Só porque um exército pode ser atacado não significa que este pode ser vencido. Ser tentado não significa ser suscetível ao pecado. A tentação está ligada à natureza daquele que é tentado. O homossexual é tentado a manter contato com homens, mas o homem que não tem esta tendência somente será tentado a ter contato com mulheres. A união das duas naturezas, humana e divina, em Cristo determina uma natureza diferente da nossa, que resiste à tentação. A Bíblia nos mostra três tipos de natureza humana: 1) A natureza humana de Adão quando Deus o criou. Era uma natureza perfeita, porém capaz de pecar. O fato por que Adão pecou é prova irrefutável disto; 2) A natureza humana caída que Adão possuía a partir do momento da sua queda (Ef 2.3). Mas o Senhor Jesus nunca teve esta natureza caída; 3) A natureza humana perfeita e incapaz de pecar. Só o Senhor Jesus tem esta natureza agora: os salvos a terão ao serem transformados, na Sua vinda (1Jo 3.2; 1Co 15.51).
Poderíamos pensar que Cristo venceu as tentações com mais facilidade, pois nele não havia pecado latente a ser despertado e nem hábitos pecaminosos a serem vencidos. As tentações de Cristo não encontravam eco em desejos pecaminosos. Ele foi tentado a partir de fora e não de dentro. Adão tornou-se um pecador por pecar, mas todo homem desde então peca porque é pecador. Cristo, entretanto, não era pecador e nunca pecou. Há duas naturezas dentro dos cristãos. Eles são descritos como “…a carne luta contra o Espírito, e o Espírito contra a carne; e estes se opõem um ao outro, para que não façais o que quereis” (Gl 5.17). Os cristãos, portanto, têm uma casa dividida. Há um conflito interno entre o Espírito e a carne. Há um traidor dentro deles, bem como um inimigo fora. Jesus Cristo tinha duas naturezas, mas ambas eram santas; portanto, não havia conflito dentro dele.

Implicações desta doutrina

a) Jesus pode realmente identificar-se conosco e interceder por nós, pois Ele experimentou tudo o que nós podemos sofrer (Hb 2.17,18; 4.15). Não há nenhuma condição de fragilidade humana ou tentação diabólica que Cristo não conheça. Por isso, é maior sua empatia conosco.
b) A natureza humana não é essencialmente má, como afirmam os gnósticos, pois Cristo era verdadeiramente homem e não tinha a natureza pecaminosa e corrompida.
c) Jesus é nosso verdadeiro exemplo de comportamento neste mundo decaído (1Pe 2.21; 1Jo 2.6; Mt 11.29), pois viveu como homem e não cometeu pecado. Aquele que está em Cristo e anda na dependência do Espírito Santo podem viver fora do domínio do pecado (Rm 6.14).

Leitura sugerida

ERICKSON, Millard. Introdução à Teologia sistemática. Tradução Lucy Yamakami. São Paulo: Vida Nova, 1997.
HOUSE, H. Wayne. Teologia Cristã em Quadros. São Paulo: Vida, 1999.

Carlos Kleber Maia

Deus é Espírito

April 29th, 2010

Deus é Espírito
Texto: João 4.24

Introdução

A Bíblia define a natureza de Deus como sendo espiritual. Ou seja, não é composto de matéria e não possui uma natureza nem dimensões físicas. Não é pura energia ou puro pensamento, mas que tem um tipo de existência superior, que não pode ser percebida por nossos sentidos corpóreos.

Antecedente histórico

Desde os seus primórdios, as pessoas desenvolveram muitos conceitos sobre a existência de Deus e sua substância, alguns desses influenciados pelas correntes filosóficas.
Teólogos influenciados pelo estoicismo, como Tertuliano, dada a sua cosmovisão materialista, pensavam em Deus como um Ser físico, ainda que feito de algum tipo de material leve e tênue, como o fogo. Os estoicos argumentavam que apenas um fator físico pode influenciar o mundo físico. Se Deus não fosse uma entidade física, ele não seria capaz de fazer nada e, por conseguinte, não existiria. Parece ser esta também a posição dos saduceus (At 23.8).
Outros pensadores cristãos foram influenciados pelo platonismo, como Orígenes. Para estes, a distinção elaborada por Platão entre o mundo físico inferior, que vemos à nossa volta, e o mundo intelectual superior, que não vemos, mas é real, combinava perfeitamente com o Cristianismo. Segundo estes teólogos, Deus fazia parte do mundo intelectual e, por essa razão, não era um ser físico, não tinha um corpo material. A única possibilidade de encontrá-lo era por iniciativa da mente.
Os mórmons, da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, creem que Deus tem um corpo tangível. Joseph Smith, seu fundador, escreveu: “O Pai possui um corpo de carne e osso, tangível como o corpo humano. O Filho também. Mas o Espírito Santo não tem um corpo de carne e osso; ele é uma personificação do Espírito. Se não fosse assim, o Espírito Santo não poderia habitar em nós”.

O que “espírito” significa?

Quando a Palavra afirma que Deus é espírito, o que está querendo dizer? A palavra espírito é usada várias vezes com significados diversos. Quais apontam para Deus?

• Vento (Sl 11.6). No hebraico “vento tempestuoso” ou “espírito de tempestade”.
• Respiração (Gn 6.17).
• Anjos (Sl 104.4). Tanto os bons quanto os imundos (Mc 1.27)
• Alma/espírito do homem (Ec 12.7); de Cristo (Jo 19.30); Deus é Deus “dos espíritos de toda a carne” (Nm 16.22).
• Um ser sem carne (Is 31.3; Lc 24.39).
• Disposição ou inclinação ativa (Nm 14.24; Dn 6.3).
• Forte atividade (Os 4.12; Pv 29.11).

Quando a Bíblia diz que Deus é Espírito, ela quer transmitir que Deus é o somatório de todos os significados, ou seja: uma substância invisível e ativa que promove ações em Si e nos outros.

Implicações desta doutrina

a) Deus é infinito (2Cr 2.6; 6.18; Is 66.1,2; At 7.48). Deus não tem dimensões, nem mesmo infinitas. Ele não pode ser contido por nenhum espaço. Ele não é tão grande que Seu corpo esteja em um lugar e se estenda até outro ponto distante no universo. Deus não é um objeto como os demais, nem mesmo o maior que se possa imaginar. Ele não é uma coisa que possa ser encontrada no universo. Ele transcende o universo. Mais que isso: é ele, em última análise, quem permite que o universo exista.
b) Deus é onipresente. Um corpo não pode encher o céu e a terra de uma só vez com tudo que é, pois, é limitado ao tempo e espaço. Mas, Deus é onipresente (Sl 139.7-10; Jr 23.23, 24). Deus não está sujeito às limitações do corpo físico, como o tempo ou o espaço (Jo 4.21; At 17.24). Ele não é infinitamente grande, mas está presente com todo o seu Ser em cada parte do universo, simultaneamente. Deus está presente, mas é distinto de toda a Sua criação. Ele está em todo o universo, mas não é o universo. É superior à toda a criação, pois é Criador. Assim, todo lugar é o lugar de se adorar a Deus (Jo 4.21), pois a adoração não diz respeito ao lugar, mas à condição espiritual de cada um.
c) Deus é invisível. Paulo adiciona invisível como parte das perfeições de Deus (1Tm 1.17). A Sua divindade se entende pelas Suas obras que são visíveis, mas o Ser não é visível aos olhos materiais (Jo 1.18; 1Tm 6.16; Cl 1.15). Somente quando estivermos num corpo transformado veremos a Deus (1Co 13.12; 1Jo 3.2; Ap 22.3,4; Mt 5.8).
d) Deus é o Ser Perfeito. Como a alma e espírito do homem corporal fazem dele o ser superior dentre todos os demais que tem corpos (animais), e como os anjos, que são espíritos sem corpos são superiores aos homens (Sl 8.5; Hb 2.7), Deus é mais perfeito do que a Sua criação por ser Espírito puro. O efeito não pode superar a Causa. Cada ser composto é criado e é em essência, finito e limitado, e assim sendo, longe de perfeição. Por Deus ser Luz sem trevas (1Jo 1.5) e sem sombra de mudança (Tg 1.17), sabemos que Ele é perfeito. Deus tem uma excelência acima de todos esses e assim sendo, está inteiramente removido das condições de um corpo.
e) Por Deus ser Espírito, é tanto pecado quanto tolice fazer qualquer imagem ou desenho de Deus (Ex 20.5; Dt 5.8,9). Nossas mãos são tão incapazes de formar uma imagem dele ou desenhá-lo como são incapazes os nossos olhos de vê-lo. Que a proibição de fazer imagens de Deus para adorar ou ajudar na adoração é para todos os povos e de todos os tempos é clara, pois Ele julgará tanto o Seu povo quanto os pagãos por fazerem isto (Is 40.18-26; Rm 1.21-25). Tais pessoas que fazem as imagens e desenhos, reais ou imaginativos, são tão estúpidas quanto as imagens que fizeram (Sl 115.4-8).

Deus não tem corpo?

Muitos cristãos acreditavam não apenas que Deus era material e físico, mas também que possuía algo semelhante ao corpo humano. A Bíblia fala das mãos, ouvidos e rosto de Deus (Is 59.1,2), dos seus olhos (2Cr 7.15,16), das suas costas (Ex 33.23) e do seu braço (Dt 11.2).
Por que a Bíblia atribui a Deus partes corporais? Estas devem ser consideradas como antropomórficas (tentativas de expressar a verdade sobre Deus por meio de analogias humanas) e simbólicas. Servem para trazer o infinito ao alcance da apreensão do finito. Estas representações aludem à Sua obra, em sentido figurado, e não à Sua natureza invisível. Nelas são manifestos os Seus interesses, poderes e atividades. Os olhos falam do Seu conhecimento (Dt 11.12; Sl 34.15); Seu braço e mão, da Sua eficiência e poder (Ez 20.33; Is 51.9; 52.10); os Seus ouvidos, da Sua onisciência e atenção (2Cr 7.15,16; Sl 34.15); a face, do Seu favor (Sl 27.9; 143.7); a boca, da revelação da Sua vontade (Jó 37.2; Pv 2.6); as narinas, da aceitação das nossas orações (Dt 33.10, cf Ap 8.3,4); o coração – a sinceridade das Suas afeições (Gn 6.6; 1Cr 17.19); os pés, da Sua presença (Is 60.13; 66.1); Seus ouvidos, da Sua prontidão em ouvir as súplicas dos oprimidos (Sl 34.15; Ne 1.6).
Outra questão é que Deus algumas vezes aparece em forma humana (Gn 18.1,2,13; Js 5.13-15). Essas aparições são chamadas teofanias, sendo consideradas manifestações divinas que não comunicam ao homem a Sua real essência. Estas teofanias consistiam em manifestações incorpóreas de aparência humana, transitórias, e em localizações permanentes.

Conclusão

Deus não pode ser percebido pelos sentidos humanos, pois é espírito eterno, infinito e invisível, mas pode ter comunhão com o homem.
Por Deus ser Espírito, o homem só pode ter comunhão com Ele através de um espírito vivificado por Cristo (1Jo 1.3). Ele não é um corpo material e, portanto, olha para o coração, para os sacrifícios de um espírito quebrantado mais do que a beleza de templos ou o esforço de qualquer ação externa. Isto Ele não desprezará (Sl 34.18; 51.16,17). Para termos comunhão com Ele, devemos ter o espírito da nossa mente renovado (Jo 3.5; Ef 4.23). Nunca podemos ser unidos a Deus senão em um espírito vivificado por Cristo.

Leitura sugerida:

HILL, Jonathan. As grandes questões sobre a fé - respostas às perguntas que você sempre fez, mas ninguém
Respondeu. Tradução Omar de Souza. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2008.
GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999.

Carlos Kleber Maia

A Ressurreição de Cristo

March 30th, 2010

A Ressurreição de Cristo
1 Co 15.1-20

Introdução

A ressurreição de Cristo é uma das principais doutrinas do Evangelho (1 Co 15.3-4, 16-19) e essencial para a fé cristã (Rm 10.9). É o elemento que distingue o cristianismo das demais religiões da terra, pois diferentemente dos fundadores das grandes religiões,, que estão mortos, Cristo está vivo! Pedro já a proclamou no dia de Pentecostes (At 2.24-36). Paulo a pregou em Antioquia da Pisídia (At 13.30) e no Areópago (At 17.18), antes de falar dela nas suas epístolas.
Ainda no AT vemos que a ressurreição era uma esperança dos judeus (Jó 19.25-27; Jo 11.23-24; At 24.14-15) e há muitas profecias sobre a ressurreição do corpo no AT (Sl 49.15; Is 26.19; Dn 12.2; Os 13.14), embora os saduceus não cressem nela (Mc 12.18-23; At 23.8). Encontramos ainda algumas referências específicas sobre a ressurreição de Cristo no AT (Sl 16.8-11; 110.1). A ressurreição ao terceiro dia (Lc 24.44-46  Os 6.2; Mt 12.40  Jn 1.17).
Os termos gregos mais usados no NT são os verbos egeiro e anístêmi, significando ressuscitar, levantar e o substantivo anástasis, ressurreição.

Evidências diretas da ressurreição de Cristo

O túmulo vazio – mostra que a ressurreição de Cristo foi física: Os quatro evangelhos relatam o túmulo vazio (Mt 28.1-6; Mc 16.1-8; Lc 24.1-8; Jo 20.1-10).

As aparições de Jesus, durante 40 dias (At 1.1-3), constituem prova irrefutável da Sua ressurreição:

a. A Maria Madalena, ao alvorecer do domingo (Jo 20.11-17 cf. Mc 16.9-11).
b. A outras mulheres (Mt 28.5,8-10).
c. A Pedro (Mc 16.7, Lc 24.34; 1 Co 15.5).
d. A dois discípulos na estrada de Emaús (Mc 16.12; Lc 24.13,14,25-27,30-32).
e. A 10 dos apóstolos, sem Tomé (Mc 16.14; Lc 24.36-43; Jo 20.19-23).
f. Aos 11 apóstolos, Tomé presente (Lc 24.10-11; Jo 20.26-29).
g. A 7 dos apóstolos, no mar da Galiléia (Jo 21.1-23).
h. A 500 Discípulos (1 Co 15.7).
i. A Tiago, irmão do Senhor (1 Co 15.7). Antes era descrente (Jo 7.3-5); depois, crente (At 1.14; Gl 1.19)
j. Aos apóstolos, no monte da Galiléia (Mt 28.16-20; Mc 16.15-18; 1 Co 15.7).
k. Na ascensão, do Monte das Oliveiras (Lc 24.44-53; At 1.3-9).
l. A Estevão, no seu martírio (At 7.55-56).
m. A Paulo, na estrada para damasco, para convertê-lo (At 9.3-6; cf. 22.6-11; 26.13-18), na Arábia, para instruí-lo profundamente (At 26.17; Gl 1.12,17; cf. At 22.10), no templo, para avisá-lo de perseguição (At 22.17-21; cf. 9.26-30; Gl 1.18) e na prisão em Cesaréia, para encorajá-lo (At 23.11);
n. A João, em Patmos, para dar-lhe a “revelação do nosso Senhor…” (Ap 1.12-20).

O próprio Cristo falou da sua ressurreição muitas vezes (Mt 16.21, 17.23, 20.17-19; Mc 9.30-32, 14.28; Lc 9.22, 18.31-34; Jo 2.19-22) e é testemunha da Sua própria ressurreição (Ap 1.17-18).

Evidências indiretas da ressurreição de Cristo

1.Tremenda transformação nas vidas dos discípulos - Tiago e os outros irmãos de Jesus, não crentes, foram transformados para crentes (Jo 7.3-5; 1 Co 15.7); os apóstolos, naturalmente medrosos (Jo 20.19; Mc 14.69-70), para supernaturalmente sem temor (At 2.14,22-23; 3.14; 4.10; 5.29-32).
2.Testemunho ocular e categórico dos apóstolos e primeiros discípulos (At 2.14,22-24; 17.31; 1 Co 15.4-8).
3.O principal dia de adoração mudou de sábado para domingo (At 20.7; 1 Co 16.2; Ap 1.10).
4.O imediato aparecimento das igrejas, com poder e crescendo rapidamente (At 2.41; 4.4).
5.O tema principal das pregações apostólicas não era o amor ou reino de Deus, temas dos ensinos de Jesus, mas a ressurreição (At 2.22-24; 3.15; 4.10; 5.30).
6.Este relato não foi inventado, pois apresenta Cristo aparecendo a mulheres – e primeiro a Maria Madalena, de péssima reputação – e não a heróis (Mt 28).
7.A reação dos judeus, que não queriam que o túmulo estivesse vazio (Mt 28.11-15).

Para que Jesus ressuscitou?

• Para cumprir a promessa aos pais (At 13.30-34).
• Para confirmar o senhorio de Cristo (Lc 24.3; At 2.36; Rm 1.4).
• Para provar a nossa justificação (Rm 4.24-25).
• Para nos dar uma vida regenerada e de esperança (1 Pe 1.3).
• Para mostrar o poder de Deus (Ef 1.18-20).
• Para sujeitar todas as coisas a Jesus (Ef 1.20-23).
• Para garantir que haverá um julgamento futuro (At 17.31; Jo 5.26-29).
• Para garantia a nossa própria ressurreição (2 Co 4.14; 1 Ts 4.13-16; 1 Co 15.19).

Falsas teorias contra a ressurreição e sua refutação:

• Farsa: Jesus ou seus discípulos (ou ambos), perversamente tramaram o cumprimento das profecias - mas como obteriam: o nascimento ter sido em Belém, a genealogia, os soldados não quebrarem seus ossos nem rasgarem sua capa, furarem o seu lado, etc.?
• Desmaio: Jesus desmaiou/parou sinais vitais na cruz e voltou a si na tumba. Como sairia da tumba? Como rolaria a enorme pedra, estando abatido e tendo perdido tanto sangue? E o impacto sobre os discípulos? E o embalsamento?
• Túmulo errado – as mulheres teriam ido a um túmulo diferente. Mas o túmulo de Cristo era o único guardado e selado.
• Roubo do corpo. Não deixariam os lençóis dobrados e nem causaria a transformação na vida dos discípulos. Foi uma mentira inventada pelos líderes judeus (Mt 28.12-15). Poderiam os discípulos morrer por uma mentira?
• Alucinógenos: os discípulos tiveram alucinação por droga. Nenhum traço de mais de 500 usuários de alucinógenos.
• Espírito: só alma e espírito ressuscitaram. Ele comeu; tinha cicatrizes, foi tocado, etc.
• Sentimentalmente: Jesus só ressuscitou no coração dos amigos. Mas estes não esperavam nem criam na ressurreição.

Quem negar esta ressurreição é forçado a seis horríveis conclusões:

1.Toda pregação do evangelho tem sido, é, e sempre será completamente inútil;
2.Toda a fé passada, presente e futura, é louca e inútil;
3.Todos os pregadores são os maiores loucos ou mentirosos;
4.Todos os crentes vivos estão ainda nos seus pecados, indo para o inferno, os mortos já estando lá;
5.Todos os crentes mortos estão sofrendo no inferno, para sempre;
6. A razão e propósito da própria vida estão para sempre destruídos.

Conclusão

Jesus usa uma analogia para falar da sua ressurreição: um grão de trigo (Jo 12.24; 1 Co 15.35-38). Ele morreu para ressuscitar em um novo corpo.A Bíblia também apresenta o batismo como um símbolo da ressurreição: a imersão simboliza a morte, a emersão simboliza a ressurreição (Rm 6.3-5; Cl 2.11-13).
A ressurreição de Jesus não se resume ao fato dele ter voltado à vida, mas é sinal da glorificação e exaltação do Senhor. Ele inaugurou uma nova era, é “as primícias dos que dormem” (1 Co 15.20) ou o “primogênito dentre os mortos” (Cl 1.18). Podemos crer totalmente da realidade desta ressurreição e devemos pregar isto (Lc 24.44-47).

Leitura sugerida:

GEISLER, Norman L. Enciclopédia de Apologética. São Paulo: Vida, 2002.
SOARES, Esequias. Cristologia – A doutrina de Jesus Cristo. São Paulo: Hagnos, 2008.

Carlos Kleber Maia

A Páscoa de Jesus

March 26th, 2010

A Páscoa de Jesus
Texto: Mt 26.18

Introdução

A Páscoa (hebraico pessach) era a primeira festa judaica, a ser realizada no dia 14 de Nisã, primeiro mês do calendário judeu (Lv 23.5). Cada família em Israel comemorava a libertação do Egito com o sacrifício de um cordeiro. Era seguida imediatamente pela Festa dos Pães Asmos (Lv 23.6), que durava uma semana. Às vezes os dois nomes se confundem. Quatro dias antes da Páscoa, o cordeiro que seria morto era separado (Ex 12.3-6) e no dia 14 era levado ao templo para ser morto, sendo imediatamente conduzido para a casa, onde seria assado.
A festa da páscoa é o mais importante dos memoriais do Antigo Testamento, sendo o início de uma série de acontecimentos sem precedentes, que culminaram na entrada do povo na Terra Prometida.

Os elementos de celebração da Páscoa Judaica

A refeição pascal é chamada Seder, que significa “ordem”, pois segue uma ordenação ou ritual. Estes eram os elementos que faziam parte da Páscoa judaica tradicional, cada um com um significado especial:

• O Cordeiro Pascal: Lembrava a proteção, o livramento dos primogênitos da casa dos filhos de Israel, quando cada família israelita aspergiu o sangue do cordeiro nas ombreiras e na verga da porta. Era uma lembrança e uma comemoração deste maravilhoso livramento (Êx 12).
• Os Pães Asmos (hebraico matsah): Lembravam a saída urgente de Israel da terra do Egito, sem tempo para esperar a fermentação da massa. Também representavam a separação entre os israelitas redimidos e o Egito. Também chamado de “pão de aflição”, que representava os sofrimentos dos filhos de Israel (Êx 12.15,34,39, Dt 16.3).
• Água Salgada: Lembrava as lágrimas salgadas derramadas pelos israelitas durante os seus anos de escravidão no Egito.
• Ervas Amargas (hebraico marór): Lembravam as amarguras da escravidão no Egito (Nm 9.11).
• O Molho de Frutas (hebraico charoshet): Lembrava a massa de tijolos que os filhos de Israel tinham de preparar na terra do Egito (Êx 5.6-19).
• Quatro Cálices de Vinho: Lembravam as quatro promessas de Deus ao povo de Israel: vos tirarei, vos livrarei, vos resgatarei, vos tornarei (Êx 6.6,7). Eram chamados cálice do êxodo ou da santificação, como cálice da libertação, cálice da bênção e cálice da eleição.

Jesus celebrou a Páscoa

Jesus também cuidou dos preparativos para a sua Páscoa, enviando Pedro e João para encontrar um homem que levava um cântaro de água e os conduziriam até o local designado para esta celebração (Lc 22.8-10; Mt 26.18; Mc 14.13). Eles assim fizeram e prepararam o cenáculo onde Cristo estaria com eles.
O Mestre declara que tinha desejado muito comer aquela última Páscoa com os seus discípulos (Lc 22.15,16), antes da crucificação. Os doze apóstolos reclinavam-se junto a uma mesa baixa para comer os elementos da Páscoa (Mt 26.20; Jo 21.20), diferentemente da primeira Páscoa, que foi comida apressadamente, de pé (Ex 12.11). Os alimentos eram colocados na Keará, um prato especial que fica em frente ao lugar onde senta o chefe da família.
Jesus certamente conhecia a sequencia estabelecida pela tradição judaica para esta celebração. Quatro cálices de vinho eram tomados naquela noite e antes de servir o primeiro, Jesus deu graças e deu-o aos Seus discípulos (Lc 22.17).
Havia também uma lavagem cerimonial, que foi realizada por Jesus (Jo 13.4,5). O Mestre tomou o papel do servo para si e deu uma lição de humildade a seus discípulos. Depois da lavagem, a celebração continuava com a ingestão de ervas amargosas (salsa, endívia e verduras de folhas semelhantes), que lembravam a aspereza da escravidão. Elas eram acompanhadas de pão sem fermento, imersas num molho picante feito de romãs, maçãs, tâmaras, figos, passas e vinagre (charoseth). Este molho tem cor de cimento e lembra o trabalho escravo no Egito.
Em seguida o segundo cálice era passado, quando o chefe da família explicava o significado daquela festa e todos cantavam os dois primeiros salmos do Hallel (salmos 113 a 118). Depois, o cordeiro era distribuído pelo dono da casa, acompanhado de pães asmos. Foi provavelmente num destes momentos que Jesus declara que algum dos doze o traria (Mt 26.21), aquele que “mete a mão no prato” (v23). Cristo cita o Salmo 41.9, indicando o seu significado messiânico (Jo 13.18). Judas pergunta: “Sou eu?” e Jesus responde: “Tu dissestes” (Mt 26.25). Este comentário deve ter sido feito em voz baixa, de forma que os outros não ouviram. Pedro faz um sinal a João para que pergunte a Jesus quem era o traidor (Jo 13.23-26). Jesus o identifica dando-lhe um pedaço de pão molhado, mas aparentemente os outros não perceberam o seu ato.
Jesus diz ao traidor: “o que tens a fazer, faze-o depressa”, mas os outros apóstolos não entendem o significado desta declaração (Jo 13.27-29). Os líderes judeus talvez preferissem deixar a prisão de Jesus para depois da Páscoa (Mt 26.5), mas Cristo estava no controle do cronograma divino e precipita tudo para aquela noite. Judas saberia onde levar os guardas, pois Jesus sempre ia orar com os discípulos no Getsêmane (Jo 18.2).

A instituição da Ceia do Senhor

Jesus transforma a celebração da Páscoa numa nova cerimônia, a Santa Ceia. Toma um pão, dá graças, o parte e dá aos discípulos, dizendo: “Isto é o meu corpo”. Em seguida, toma o terceiro cálice de vinho, dá graças e o serve aos discípulos, com as palavras: “Este é o cálice da nova aliança” (Mt 26.26-30). Este terceiro cálice de uma celebração tradicional de Páscoa era chamado “o cálice da bênção”, mesma expressão usada por Paulo na orientação dada a igreja em Corinto sobre este assunto (1 Co 10.16). Cristo estava instituindo o que se tornaria uma recordação da sua morte (Lc 22.19), pois Ele mesmo seria o Cordeiro pascal que morreria pelos homens.
Ao final, o Senhor declara que esta seria a última Páscoa com os discípulos até que Ele retornasse para estabelecer o Reino de Deus, reafirmando a promessa do Seu retorno para buscar os seus discípulos e estar com eles para sempre (Jo 14.3).
A celebração é concluída com um cântico, provavelmente do Salmo 118, último cântico do Hallel, forma tradicional de encerrar a ceia da Páscoa entre os judeus.

A última Páscoa

Esta seria a última Páscoa sancionada por Deus, pois o Antigo Testamento, com seus rituais seriam cumpridos na morte de Cristo, algumas horas depois. Uma Nova aliança estava sendo estabelecida. Jesus tomou alguns elementos da refeição pascoal e transformou numa nova celebração.
A Páscoa judaica encontra seu comprimento e seu fim na, vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo. A Páscoa no AT e a Ceia do Senhor Jesus no NT apontam para uma mesma coisa: o Sacrifício de Jesus Cristo!
A Ceia do Senhor Jesus inicia uma nova era e aponta para uma obra já consumada. No cenáculo deu-se um acontecimento notável: A Festa Pascal foi solenemente encerrada (Lc 22.16-18), e a Ceia do Senhor Jesus instituída com uma solenidade ainda mais sublime (Lc 22.19-21; 1 Co 5.7). Portanto, naquela ocasião terminou um período e começou outro. Cristo era o cumprimento de uma ordenança e a consumação da outra. A Páscoa agora tinha alcançado seu propósito profético, porque o Cordeiro que o sacrifício simbolizava ia ser morto naquele dia. Por isso foi substituída por uma nova celebração, apresentando a verdadeira realidade do Cristianismo, como a Páscoa tinha apresentado a do Judaísmo. O Êxodo deu vida à nação de Israel. O sacrifício de Cristo fez nascer a Igreja, um povo proveniente de todas as nações.

Conclusão

Jesus como judeu comemorou a páscoa, mas a partir desta instituiu a Santa Ceia. Ele é a nossa verdadeira páscoa, que foi sacrificado por nós (1 Co 5.7) e agora comemoramos a Sua morte e ressurreição. A páscoa representa para os cristãos o próprio Cristo e seu sacrifício. A Páscoa era uma cerimônia para os judeus que foram escravos no Egito. A ceia é uma ordenança para nós que fomos libertos por Cristo da escravidão de pecado e o aguardamos em glória.
Assim, não celebramos a páscoa judaica, pois uma nova instituição foi feita por Jesus. Ele cumpriu o sentido profético da páscoa e nos deu um novo memorial como ordenança: “Fazei isto em memória de mim” (Lc 22.19; 1Co 11.24,25).

Leitura sugerida:

MacARTHUR, John Jr. A Morte de Jesus - prisão, Julgamento e Crucificação de Cristo e o seu significado redentor. São Paulo: Cultura Cristã, 2008.

Carlos Kleber Maia

A infância de Jesus

March 18th, 2010

A Infância de Jesus
Texto: Lc 2.40-52

Temos na Bíblia poucas informações sobre a infância do Senhor Jesus, concentradas principalmente no evangelho segundo Lucas. Entretanto, muitas especulações foram levantadas e muitas informações sobre o assunto estão em livros considerados apócrifos, como: evangelho de Pedro, de Tomé e de Tiago, e outros. Mas a única fonte confiável que temos sobre Cristo é a Bíblia Sagrada e não as fábulas (2Pe 1.16). O evangelho foi escrito para que conheçamos “a certeza das coisas” e é baseado em relatos de testemunhas, sob a inspiração do Espírito Santo (Lc 1.1-4).

O Nascimento de Jesus

Lucas relata o nascimento de Cristo, festejado pelos anjos e pastores (Lc 2.22-39). Os pastores adoraram o menino Jesus na estrebaria em Belém. Os magos – quantos eram não é dito no texto sagrado – fizeram sua visita numa casa, provavelmente alguns meses depois do nascimento de Jesus. Alguns estudiosos acham que seis meses ou mais (Mt 2.11); a fuga para o Egito aconteceu depois (Mt 2.13), quando Jesus estaria com cerca de 2 anos de idade, pois foi esta a idade dos meninos que o rei Herodes mandou matar (Mt 2.16).
O retorno da família a Israel acontece após a morte de Herodes, quando Arquelau, seu filho, reinava na Judéia (Mt 2.19-22). Segundo o historiador Josefo (Antiguidades 17.10.741) Herodes morreu no ano 4 d.C. (749 AUC), quando Jesus estaria com cerca de 8 anos (por um erro de cálculo, o ano do nascimento de Jesus é o ano 4 a.C.).

A circuncisão e a purificação

No oitavo dia de vida o menino judeu é levado à sinagoga para realizar a circuncisão (Brit-Milá). Jesus foi levado por seus pais para realizar esta cerimônia prescrita pela Lei (Lc 2.21; Lv 12.2-6) e aos 40 dias foi levado ao templo em Jerusalém para ser apresentado ao Senhor e para a oferta pela purificação (Lc 2.22-24). Ali encontraram Simeão e Ana, que tomaram Jesus nos braços e profetizaram a respeito dele. A oferta determinada pela lei era de um cordeiro de um ano para o holocausto e uma pombinha ou rolinha como oferta pelo pecado. Como José e Maria não tinham muitos recursos ofereceram a oferta dos pobres: duas pombinhas ou duas rolinhas.
Jesus era o Unigênito de Deus Pai e o primogênito de Maria. Todo primogênito era do Senhor e deveria ser resgatado – o preço do resgate era de cinco siclos, cerca de sessenta gramas de prata – isto era feito quando o menino completava um mês de vida (Nm 18.15,16). A Bíblia, porém, não faz menção sobre o resgate de Jesus.

O Cuidado dos Pais de Jesus

Em Sua infância Jesus dependeu dos cuidados dos pais, como qualquer outra criança. Eles deram um exemplo de vida piedosa, cumprindo a lei e levando o menino ao templo (Lc 2.41-42). José era justo (Mt 1.14) e Maria andava com Deus (Lc 1.48), um exemplo de família que Deus escolheu para trazer Seu filho ao mundo. Eles subiam anualmente a Jerusalém para a Páscoa e quando Jesus completou doze anos, foi com eles.
Nazaré distava de Jerusalém cerca de 120 km e José e Maria eram pobres, mas se esforçaram para comparecer ao culto ordenado pelo Senhor. Um exemplo de dedicados servos do Senhor.

A viagem a Jerusalém

Aos 13 anos, o menino judeu deve realizar o ritual chamado Bar-Mitzvá, quando sobe ao púlpito e lê um trecho da Torá. A partir de então, ele é considerado um adulto responsável por seus atos, do ponto de vista judaico. Bar Mitzvá significa “filho do mandamento”. A criança de 13 anos passa a ter as mesmas obrigações religiosas dos adultos. Um ano ou dois antes deste ritual o menino deve ser levado para a observância. Os mestres preceituavam que, a partir dos doze anos, os adolescentes começariam a jejuar de vez em quando. Os que dessem provas de obediência e consagração realizariam o Bar-Mitzvá. Talvez seja esta a razão porque seus pais levaram o menino Jesus a Jerusalém.
Eles permaneceram em Jerusalém durante os dias da Páscoa, que durava uma semana (Lc 2.44-45). No retorno, a caravana das mulheres partia primeiro e os homens iam depois. Na parada do pouso, verificaram que o menino não os acompanhara. Procuraram-no durante três dias entre os companheiros de viagem e os parentes e não o encontraram. Jesus estava no templo, com os doutores da Lei (Lc 2.46).
Eles discutiam acerca do reino de Deus (Lc 2.49). Em dias especiais os membros do Sinédrio saiam ao terraço do templo e faziam instruções populares, quando as pessoas comuns podiam fazer perguntas. Jesus ouvia e perguntava (Lc 2.47). O menino já tinha consciência da importância do Pai em Sua vida. Cuidar dos negócios do Pai, fazer a Sua vontade e realizar a Sua obra eram os principais objetivos da vida terrena de Jesus. A primeira declaração de Jesus registrada na Bíblia é esta: “me convém tratar dos negócios de meu Pai”.

O Desenvolvimento de Jesus

Cristo teve um desenvolvimento humano como os demais homens. Desenvolveu-se intelectualmente, fisicamente e espiritualmente (Lc 2.51-52), dando um exemplo de submissão aos pais. Como verdadeiro homem, Cristo passou pelas faixas etárias como qualquer homem, “participou das mesmas coisas” que estes (Hb 2.14) e aprendeu com estas experiências, como homem (Hb 5.8).

Suposições sobre a Vida “Oculta” de Jesus

• Levi H. Dowling escreveu o livro O evangelho de Jesus, o Cristo, para a era de aquário. Tal obra contém muitos relatos da peregrinação de Jesus (ou Issa) pelo Extremo Oriente, na Índia e no Tibet, aprendendo com seus gurus.
• Nicolai Notovitch publicou em 1894 o livro A Vida de Santo Issa, relatando que encontrou no mosteiro budista de Hemis, em Ladakh, no norte da Índia, um manuscrito que relatava a vida de um profeta chamado “Issa”, que era muito semelhante a Jesus de Nazaré.
• Outros afirmam que Jesus foi criado no deserto pelos essênios, numa vida ascética. Segundo estes, os manuscritos descobertos em Qumran (localidade situada no deserto de Judá na depressão do Jordão, ao noroeste do Mar Morto e ao sul de Jericó) mencionam um famoso “Mestre de Justiça”, a quem tentam identificar com Jesus.

Não existe a mínima evidência de que Jesus tenha estado em um único lugar fora da Palestina, senão no Egito. Manuscritos hindus que falem sobre Jesus jamais foram encontrados e ainda que os Evangelhos não descrevam a adolescência de Jesus, existem referências que nos convencem que esta aconteceu em Israel:

Quando Jesus começou seu ministério, todos o identificaram como alguém de seu meio:

• Filho do carpinteiro, irmão de Tiago, José, Simão e Judas (Mt 13.55);
• Carpinteiro, filho de Maria (Mc 6.2);
• Filho de José (Lc 4.22).

Tinha-se conhecimento, na comunidade em que Jesus vivia que ele era carpinteiro (Mc 6.3). Jesus e sua família viveram junto com eles, a ponto de Ele ser chamado nazareno (Mt 2.23; 21.11; 26.71; Mc 1.24; 10.47; 16.6; Lc 4.34; 18.37; 24.19; Jo 1.45; 18.5, 7; 19.19; At 2.22; 3.6; 4.10; 6.14; 22.8; 26.9). Ele foi criado em Nazaré (Lc 4.16) e as pessoas da sinagoga conheciam seu pai (v22). Seus seguidores eram conhecidos como a “seita dos nazarenos” (At 24.5). Isso jamais teria ocorrido se Jesus não tivesse crescido na Índia. Ele veio “de Nazaré da Galiléia” para ser batizado por João Batista no rio Jordão (Mc 1.9); e que, após o aprisionamento deste, Jesus “deixando Nazaré, foi morar em Cafarnaum” (Mt 4.12 e 13). Próximo ao final do Seu ministério público na Galiléia, Jesus retornou a Nazaré, chamada de “a sua terra” (Mt 13.54; Mc 6.1).

Os ensinos de Jesus nada têm a ver com os ensinos do hinduísmo e do budismo:

• Jesus ensinava a ressurreição, não a reencarnação (Mt 22.29-32; Lc 16.19-31);
• Jesus dizia que os seres humanos valem mais do que os animais (Mt 6.26), enquanto os hindus crêem que eles são deuses;
• Jesus cria em um único Deus (Mc 12.29-30), enquanto os hindus são politeístas;
• Jesus comia carne de animais (Lc 24.40-44), coisa que os budistas e hinduístas evitam;
• Jesus declara que a salvação vem dos judeus e não de supostos gurus (Jo 4.22).
• Jesus sempre citou o Antigo Testamento e nunca os Vedas (livro sagrado hindu).

Alguns alegam que João Batista não conhecia a Cristo até ser este batizado por ele (Jo 1.31,33), porque Jesus havia se mudado para outro país. Mas a verdade é que eles moram longe um do outro. Enquanto Jesus permaneceu na Galiléia (Mc 1.9), João Batista residia na Judéia (Lc 1.39, 40, 65, 80).
E quanto à vida com os essênios, embora Jesus tenha estado no deserto (Mt 4.1), nenhuma evidência foi encontrada nos manuscritos do Mar Morto que ligue Jesus a estes ascetas, mesmo após décadas de análise, feita por eruditos judeus, católicos e protestantes.

Conclusão

As evidências encontradas nas Escrituras sobre a vida de Jesus antes do início de seu ministério são poucas, mas suficientes para crermos que Ele cresceu em Israel. Os evangelhos não são o registro biográfico de Jesus, mas o registro inspirado de seus ensinos, seus milagres, a sua paixão, morte e ressurreição para a salvação do homem. O que foi escrito nos Evangelhos foi “para crerdes que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais a vida em seu nome” (Jo 20.31).

Leitura sugerida:

COSTA, Samuel. Os Anos Obscuros da Mocidade de Jesus Cristo. Porto Alegre: Chamada da Meia-Noite, 1996.
SOARES, Esequias. Cristologia – A doutrina de Jesus Cristo. São Paulo: Hagnos, 2008.

Sites consultados:
www.icp.com.br/56materia3.asp, acessado em 16/03/2010.

Carlos Kleber Maia

O Propósito dos Milagres

March 12th, 2010

O Propósito dos Milagres
Texto: Jo 20.26-31

Introdução

No sentido bíblico, milagres são intervenções divinas no curso estabelecido da natureza, com o propósito de servir de sinal ou testemunho. Pelo Seu poder, Deus pode intervir e prover uma causa eficiente para cada efeito que Ele deseja produzir, sem destruir a lei natural que Ele mesmo criou. Se Deus, na realização de um milagre, algumas vezes utiliza forças que estão presentes na natureza, o faz de maneira inteiramente diferente do ordinário, para produzir um resultado não esperado pelo homem, e é justamente isso que constitui o milagre. A possibilidade do milagre baseia-se no fato de que Deus é onipotente e governa todas as coisas segundo a Sua vontade.

Termos usados

Geralmente três conjuntos de termos para falar de milagres:
• Sinal. No hebraico a palavra é ´ôth (sinal, marca, indício, prova) e no grego é sêmeion (sinal). Significa algo que aponta ou indica outra coisa.
• Prodígio. No hebraico é môpheth (maravilha, milagre, feito) e no grego teras (maravilha). Indica um acontecimento que deixa as pessoas assombradas ou maravilhadas.
• Milagre ou poder miraculoso. No hebraico a palavra é gebûrah (poder) e no grego é dynamis (poder). Revela o poder divino que opera o milagre.

Muitas vezes estes termos são usados em conjunto para expressar os milagres:
“Sinais e Prodígios” (Ex 7.3; Dt 6.22; Sl 135.9; At 4.30; 5.12; Rm 15.19)
“Milagres, prodígios e sinais” (At 2.22)
“Sinais, prodígios e poderes miraculosos” (2Co 12.12; Hb 2.4).

Propósitos dos milagres

Podemos presumir que os milagres das Escrituras não foram realizados arbitrariamente, mas, sim, com um propósito definido. Não são meras maravilhas e exibições de poder, destinadas a provocar admiração, mas nos revelam um propósito divino. Alguns dos propósitos para Deus realizar milagres:

• Levar os homens a glorificar a Deus (Mt 9.8; 15.31; Lc 5.25,26; Jo 9.3; 11.1-4; At 4.21). Quando acontece um milagre devemos dar crédito a Deus, que é a fonte do milagre, e não ao homem que foi usado, que é o canal. Muitas vezes se valoriza mais o instrumento do que aquele que o usa (At 14.11-15).
• Autenticar a origem divina de uma mensagem ou um mensageiro (Jo 5.36; 3.2; 11.41-44; Mc 16.20; At 2.22; 10.38; Êx 4.1-17; Hb 2.4). Paulo descreveu os sinais como “as credenciais do seu apostolado” (2 Co 12.12; Rm 15.18,19). Os milagres de Jesus provaram suas credenciais divinas e seu poder, até para perdoar pecados (Mc 2.1-12). Os milagres levam as pessoas a crer na Palavra de Deus (At 9.35, 42; 8.6-8; 14.3). Entretanto, se não há comunhão entre Deus e o mensageiro, a realização de milagres não resultará em aprovação deste (Mt 7.22,23).
• Dar testemunho da vinda do Reino de Deus (Mt 4.23; 9.35; 10.7-8; 12.28; Lc 4.18; 9.1-2; At 8.6-7, 13).
• Ajudar os necessitados (Mt 14.14; 20.30, 34; Lc 7.13). Os milagres mostram a compaixão de Cristo pelos necessitados.
• Cooperar com as pessoas no cumprimento do seu ministério. A sogra de Pedro, depois de curada pode servir (Mt 8.15.). Epafrodito foi curado e pode cumprir seu papel como mensageiro (Fp 2.25-30). Os dons miraculosos devem edificar as pessoas (1 Co 12.7; 14.4, 12, 26).

Alguns pontos importantes em relação aos milagres feitos por Cristo servem como testes práticos para a operação de milagres que vemos hoje nas igrejas (estamos fazendo como Ele fez?):

• Jesus não fez propaganda de suas curas com o intuito de criar uma reputação sensacionalista, nem como pretexto para arrecadar dinheiro; ao invés disso, Ele ordenava aos curados “Olhai que ninguém o saiba” (Mt 8.1-4, 9.27-31).
• Ele curou todo tipo de enfermidades, com especial atenção para situações de desespero, através de seu poder. Ele nunca curou parcialmente, mas as pessoas eram totalmente saradas por Cristo (Mt 15.29-31; Mc 7.31-37). Ele até curou em etapas (Mc 8.23-25), mas a cura sempre foi completa.

Deus é o único que realmente pode operar verdadeiros milagres (Sl 136.4; 72.18; Ex 15.11).

Satanás realiza milagres?

A Bíblia mostra que Satanás também pode realizar grandes feitos (2Ts 2.9-12; Mt 24.23-26; Dt 13.1-3). Estes textos bíblicos chamam a atenção para os poderes e o engano de Satanás. Ele pode se transformar em anjo de luz, e ele busca enganar até “os escolhidos” (Mt 24.24; Mc 13.22).
Satanás é um ser superior aos homens. Ele é um ser angelical, embora seja um anjo caído. Ele pode ser superior ao que esperamos ver na “natureza” comum, mas ele ainda pertence à ordem natural no sentido de que ele é uma criatura e parte da ordem de criaturas da natureza. Ele não está no nível de Deus e não possui atributos divinos incomunicáveis. Ele é um ser espiritual finito. Ele não é infinito, eterno, imutável, onisciente ou onipresente. Ele pode ter mais conhecimento do que tem o homem e um poder maior, mas ele não tem o poder divino.
Quando a Bíblia fala de pretensos “milagres” de Satanás, suas obras são chamadas de “sinais e prodígios de mentira” (2Ts 2.9). A “mentira” que descreve os sinais e prodígios de Satanás não só descreve seu objetivo, mas seu caráter. Eles são sinais mentirosos por serem fraudulentos e falsos. Seus sinais se assemelham aos truques espantosos realizados pelos magos do Egito que buscavam ter os mesmos poderes de Moisés (Êx 7.8-19). Eles acharam que podiam fazer igual aos servos de Deus. Contudo, não só suas serpentes foram tragadas no processo, como eles ficaram aflitos quando logo se esgotou seu leque de truques e não puderam realizar os feitos dos verdadeiros operadores de milagres.
Assim, os “milagres” do diabo não servem ao propósito de testemunhar de alguma verdade que ele tenha, mas servem mesmo de testemunho da sua mentira.

Conclusão

Os milagres são parte do governo soberano de Deus sobre a criação e sobre a história. Sua Palavra é soberanamente autenticada por aquele poder que ele não está disposto a conceder aos poderes das trevas. Os truques de Satanás são expostos pela Palavra, cuja verdade foi confirmada e comprovada pelo testemunho miraculoso de Deus.
Deus executou milagres poderosos e impressionantes para os Israelitas, mas isso não foi suficiente para eles O obedecerem. Jesus também fez inúmeros milagres, mas muitas pessoas não acreditaram nEle. Uma fé baseada em milagres não é uma fé madura. Deus fez o maior milagre de todos os tempos quando veio ao mundo como o Homem Jesus Cristo, para morrer por nossos pecados (Rm 5.8) e para que assim pudéssemos ser salvos (Jo 3.16).
Muitas pessoas hoje estão procurando milagres por motivos egoístas. Querem curas físicas, mas não se preocupam com a saúde espiritual. Querem prosperidade, mas não buscam as riquezas eternas. Igrejas que enfatizam milagres e negligenciam a pregação da palavra de Deus estão alimentando tais apetites. Jesus fortemente condenou atitudes iguais (Jo 6.26). Os propósitos para os milagres estão bem definidos e não são apenas para benefício do homem, mas principalmente para glória e testemunho de Deus.

Leitura sugerida:

GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2001.
SOARES, Esequias. Cristologia – A doutrina de Jesus Cristo. São Paulo: Hagnos, 2008.
SPROUL, R. C. A Mão Invisível – Todas as Coisas Realmente Cooperam para o Bem? São Paulo: Bompastor, 2001.

Carlos Kleber Maia

A Preexistência de Cristo

March 12th, 2010

A Preexistência de Cristo
Texto: Jo 1.1-14

Introdução

A Palavra de Deus declara enfaticamente que Cristo já existia antes que viesse ao mundo, antes que encarnasse, nascendo como homem, filho de Maria. Esta declaração, sustentada pelas Escrituras, é prova de que Cristo não é apenas um homem (pois nenhum homem existiu antes de seu nascimento), mas Ele é Deus Eterno e Incriado. A vida do Filho de Deus não “começa” com o nascimento de Jesus. O Cristo visto e acompanhado pelos discípulos na Terra preexistia ou existia antes de se manifestar aos homens; era o próprio Deus.

Jesus declarou claramente Sua preexistência

O maior testemunho da preexistência de Cristo vem dele mesmo, pois declara implicitamente e explicitamente a sua condição de existência antes da encarnação.

Jesus declara que desceu do céu (Jo 6.38, 51, 58, 62; 3.13). Ele afirma claramente que existia no céu antes da sua vinda a esta terra. Jesus declara que foi enviado, que desceu, isto implica em existência anterior à sua vinda (Jo 8.42; 13.3; 16.28). Jesus declara que existia antes de Abraão (Jo 8.58). Os judeus perguntam: “Ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão?”, indicando claramente que o homem Jesus não tinha idade suficiente para fazer esta declaração, mas o Filho de Deus existia eternamente, o que equivalia a declarar-se Deus e, por isso, quiseram apedrejá-lo (Jo 8.56-59). A expressão “Eu sou” afirma sua eternidade e divindade.

Cristo afirma que já existia em glória antes da fundação do mundo (Jo 17.5,24).

Os apóstolos e profetas testemunham isto

Muitos outros textos do Novo Testamento enfatizam a preexistência de Cristo (Jo 1.1,14)
O Prólogo de João (1,1-18) vai da preexistência à encarnação. O Filho preexistente, o Verbo (Cristo) era (existia), numa existência sempre divina e eterna. Estava junto de Deus, existia como Deus. O Filho, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, existe de modo eterno. No princípio, antes do tempo existir, Cristo já existia, era Deus desde a eternidade; é isto, o que se quer dizer com o termo “o Cristo preexistente”. Aqui no meio de nós, o Logos assume uma existência histórica.
Paulo afirma que Cristo já existia como Deus (Fp 2.5-7). O Cristo preexistente, que é Deus, se tornou homem. Afirma também a sua glória anterior quando diz que ele “sendo rico, se fez pobre” (2Co 8.9). Cristo participa ativamente na criação do mundo (Cl 1.15,16; 1Co 8.6), o que exige Sua preexistência.

O Filho, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, é enviado pelo Pai e assume a natureza humana (Rm 8.3; Gl 4.4).

As afirmações sobre a preexistência de Cristo são numerosas. Existem outros textos do Novo Testamento que enfatizam a preexistência de Cristo (Jo 3.16; 7.28-29; 8.23; 20.28; 1Co 8.6; 2Co 8.9; Hb 1.3; 13.8; 1 Tm 3.16; 1Pe 1.20; 1Jo 5.20; Ap 22.13).

O escritor da epístola aos Hebreus afirma sua existência anterior (Hb 13.8) e sua participação na criação (Hb 1.2).

João Batista dá testemunho de que Cristo existia antes dele, embora João tivesse nascido alguns meses antes de Jesus (Jo 1.15,30).

Os profetas dão testemunho da eternidade de Jesus (Mq 5.2; Hc 1.12; Jr 9.6).

Cristo aparece como “O Anjo do Senhor”

As aparições do Anjo do Senhor se constituem em Teofanias (aparições de Cristo em presença pré-encarnada). A expressão “Anjo do Senhor” ou “Anjo de Deus”, se encontram mais de 50 vezes no AT.
A primeira aparição foi no episódio de Agar, no deserto (Gn 16.7). Outros acontecimentos incluíram pessoas como Abraão (Gn 22.11,15), Jacó (Gn 31.11-13), Moisés (Êx 3.2), todos os israelitas durante o Êxodo (Êx 14.19) e posteriormente em Boquim (Jz 2.1,4), Balaão (Nm 22.22-36), Gideão (Jz 6.11), Davi (1Cr 21.16), entre outros.
O Anjo do Senhor realizou várias tarefas semelhantes às dos anjos, em geral. Às vezes, suas aparições eram simplesmente para trazer mensagens de Deus, como em Gn 22.15-18; 31.11-13. Em outras aparições, Ele foi enviado para suprir necessidades (1Rs 19.5-7) ou para proteger o povo de Deus de perigos (Êx 14.19; Dn 6.22).

Podemos perceber pela Bíblia que este anjo:
• É um ser divino e não apenas um mensageiro. É declarado “anjo” por seu ofício – um mensageiro ou revelador de Deus (Jo 1.18; Hb 1.2). Ele é o mensageiro do pacto de Deus e nele reside o nome ou a natureza divina. O povo judeu não podia adorar outros deuses (Ex 20.3). Então Sá adoravam a Deus. Todo aquele que era adorado era Deus. Os anjos de Deus não aceitam adoração (Ap 19.10; 22.8,9). O Anjo do Senhor aceitou adoração (Js 5.14). Caso fosse simplesmente “um anjo”, teria proibido a Josué de adorá-lo.
• Este anjo claramente é uma automanifestação de Cristo antes da encarnação. Ele tem prerrogativas de Deus (Gn 16.7-14; 21.17,18; 22.11-18; 31.11-13; Ex 3.2; Jz 2.1-4; 5.23; 6.11-22; 13.3-22; 2Sm 24.16; Zc 1.12; 3.1; 12.8). No entanto, ele é distinto de Jeová (Gn 24.7; Zc 1.12,13). O anjo do Senhor acompanhou Israel na saída do Egito (Ex 14. 19; 23.20) e Paulo afirma que era Cristo (1Co 10.4). o Anjo do Senhor é o Cristo de Deus (Lc 9.20; 23.35). Tem nome maravilhoso (Jz 13.18) – paralelo com Is 9.6. Refere-se a si mesmo como Deus (Gn 22.11-18; Ex 3.2-5; Jz 6.11-23). Ele é anunciado como aquele que virá (Ml 3.1; Mt 21.9)

No NT, não se utiliza o termo “o Anjo do Senhor” como pessoa específica. (troca-se o artigo definido “o” pelo artigo indefinido “um” (Lc 1.11; At 12.7 e At 12.23).

Conclusão

Esta doutrina é da maior importância, pois vemos que Cristo é o Deus eterno, O Filho de Deus que se “fez carne e habitou entre nós”. A nossa salvação não depende da iniciativa humana, mas do irromper do Filho eterno no tempo.
Aqui está a grande diferença do cristianismo para as outras religiões. Todas foram fundadas por homens que passaram a existir quando nasceram nesta terra e deixaram de estar em contato com seus seguidores quando morreram. Cristo, porém, existe eternamente e está conosco todos os dias (Mt 28.20).

Leitura sugerida:

RYRIE, Charles C. Teologia Básica ao alcance de todos. São Paulo: Mundo Cristão, 2004.
CHAFER, Lewis Sperry. Teologia Sistemática. Volume 1&2. São Paulo: Hagnos, 2003.

Carlos Kleber Maia

Lei e Graça

March 6th, 2010

A LEI E A GRAÇA
Texto: Gl 3.21-28

Introdução
Os filhos de Israel estão em grande número no Egito, mas vivem em regime de escravidão. Cumprindo-se o tempo determinado por Deus, conforme a promessa que havia feito a Abraão, o Senhor levanta Moisés como um grande líder para tirar o povo da escravidão e conduzi-lo à terra que prometera. Ao princípio, o rei do Egito, Faraó, não permite a saída do povo, pois não quer perder a mão de obra escrava, mas, após o juízo de Deus, através de dez grandes pragas, os filhos de Israel partem da terra do Egito, rumo à Palestina.
O povo montou acampamento ao pé do Monte Sinai, sobre o qual Deus entregou a Moisés as tábuas da Lei e as orientações quanto ao modo de vida do povo de Israel, que formam a Lei de Moisés, registrados no Pentatuco.

A Lei Mosaica
A Lei tem a finalidade de prover direção e organização para esta nova nação. Era uma orientação para o povo de Deus viver em santidade e manter uma relação íntima com o seu Senhor.
Através dela, Deus estabelecia responsabilidades para os filhos de Israel, e espera que fossem fiéis no seu cumprimento. O Senhor inicia a declaração, dizendo: “agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes o meu concerto” (Êx 19.5). O propósito divino triplo na Aliança feita através de Moisés era fazer de Israel:
a) Um povo de propriedade particular;
b) Um reino sacerdotal;
c) Uma nação santa.
A Aliança Mosaica possuía três divisões: a) os mandamentos, que apresentavam a vontade de Deus; b) os estatutos ou juízos, que regulamentavam a vida social de Israel; e c) as ordenanças ou instruções religiosas, que governavam a vida religiosa de Israel.
Desta forma, os israelitas tinham orientações morais, que governavam a sua vida particular, que ensinavam como viver em retidão, e conservar um perfeito relacionamento com Deus (os mandamentos), tinham leis civis, que determinavam como deveria ser o relacionamento uns com os outros (estatutos), e tinham preceitos religiosos, que estabeleciam o modo como deveriam aproximar-se de Deus, de forma adequada, para adorá-lo e servi-lo (rituais).
Após a revelação dos termos da aliança, no Monte Sinai, todo o povo de Israel confirmou a aliança, declarando: “Tudo o que o SENHOR tem falado faremos” (Êx 19.8). Estava feito o pacto; cabia, agora, a cada israelita, cumpri-lo.
Poucos dias haviam passado, e o povo já descumpria o concerto, construindo um bezerro de ouro e adorando-o. Este seria apenas o início de um histórico de pecados e afastamento do Senhor, da parte de Israel. Durante o longo período, até o nascimento de Jesus, o povo de Israel foi rebelde, desobediente e idólatra, não mantendo sua palavra, diante do pacto realizado.

Evangelho da Graça

A Dispensação da Igreja também é chamada de Dispensação da Graça. É um período onde a humanidade será provada em um aspecto diferente: a aceitação do Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Neste período o homem continua afastado de Deus e sob o domínio do pecado. A nação de Israel falhou em demonstrar o amor e Deus às nações e nem sequer reconhece aquele que é o mais desejado da nação: o Messias.
Deus, então, faz surgir um novo povo; não mais uma nação terrena, com vínculos territoriais, mas um povo espalhado entre todas as etnias, que confessam o nome de Jesus e compõem a Igreja, a reunião de todos os salvos da terra. Na dispensação anterior, Israel conduzia a tocha da proclamação da graça de Deus. Agora, será a igreja o representante do reino de Deus, encarregada de proclamar as boas novas de salvação, a qual recebe uma incumbência: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15).
Com relação à formação deste povo, o apóstolo Paulo declara que “de ambos os povos fez um” (Ef 2.14), isto é, unindo os judeus, descendentes naturais de Abraão, e os gentios, as demais nações, Jesus formou um novo povo, comprados por seu sangue e feitos filhos de Deus, “a saber, aos que crêem no seu nome” (Jo 1.12).
A salvação através da graça de Deus, anunciada, preparada e prefigurada nas dispensações anteriores é a realidade desse período. Cabe ao homem crer em Jesus Cristo, para se tornar integrante da Igreja que ele fundou. Com relação aos períodos anteriores, pelo menos três grandes diferenças são estabelecidas no relacionamento do homem com Deus:

1. Aquele que crê em Cristo passa a pertencer à família de Deus, através da adoção (Rm 8.14-17; Gl 3.26; Ef 3.15; Hb 2.11). Os que estavam debaixo da Lei não se viam como filhos de Deus, nem tratavam a Deus como um Pai, com quem pudessem ter um relacionamento íntimo. Este é um privilégio do crente debaixo da Nova Aliança;
2. A divindade não possui mais construções terrenas, mas passa a habitar em cada crente, fazendo dele seu templo e morada (1Cor 3.16,17; 6.19,20). O Espírito Santo revestia os grandes homens de Deus do passado em momentos específicos, para tarefas específicas. Israel entendia que Deus habitava no Santo dos santos, no Templo de Jerusalém. A habitação de Deus no crente só ocorre após a salvação provida por meio de Jesus Cristo;
3. A obra salvífica de Jesus garante a cada crente o privilégio de ter acesso à presença de Deus, sem a necessidade de intercessores humanos (Hb 10.19-22). No Antigo Testamento somente o sumo-sacerdote tinha acesso à presença de Deus, uma vez por ano (Hb 9.7). O crente da nova aliança tem acesso constante à presença de Deus (Ef 3.11,12).

Nova Aliança
A Nova Aliança é a última das oito grandes alianças que Deus fez com o homem. Esta aliança é melhor do que as anteriores, porque é mais eficiente, pois está baseada “em melhores promessas” (Hb 8.6). Ainda no Antigo Testamento, Deus anunciou que esta aliança seria introduzida (Jr 31.31-33).
A Aliança Mosaica teve Moisés como mediador e legislador; enquanto que a Nova Aliança possui um melhor mediador, Jesus, o sacerdote perfeito (Hb 8.6). Ele é também o novo legislador da aliança (Hb 7.11,12). A Aliança Mosaica tinha como temática a penalidade, o juízo, a maldição, enquanto a Nova Aliança traz como base a benção e a vida (Gl 3.10-14).
O apóstolo Paulo afirma que a Lei serviu de aio, para conduzir os homens a Cristo (Gl 3.24). A idéia que o apóstolo tem em mente é a do escravo adulto que cuida e administra as posses do herdeiro, menor de idade, até que este tenha maturidade para gerenciar sua herança. De fato, podemos verificar que as ordenanças, festas, tipos e figuras da Aliança Mosaica apontavam para Cristo, e todas se cumpriram nele. Elas eram apenas sombra das coisas futuras, enquanto Jesus Cristo é a imagem real delas (Hb 10.1). Por isto, o apóstolo declara que a Lei perdeu a sua validade (Hb 8.13), isto é, a sua finalidade era levar-nos a Cristo; quando ele veio, cumpriu a finalidade da Lei.
Na Aliança Mosaica o Espírito Santo estava presente, e agia na vida dos que tinham fé em Deus, capacitando alguns indivíduos específicos, em situações específicas, para necessidades particulares. Ele foi fundamental na formação do povo de Israel e na condução deste povo. Na Nova Aliança, entretanto, conforme havia sido dito pelo próprio Deus (Ez 36.27), o relacionamento com os crentes é muito mais íntimo, pois o Espírito Santo habita em cada cristão (1Cor 6.19).

Quanto à continuidade dos elementos da Lei, podemos observar:

1.Mandamentos: A maioria dos mandamentos da Lei foi ratificada no Novo Testamento. Dos mandamentos do decálogo, nove são ratificados no NT, com exceção do 4º mandamento (sábado).
2.Estatutos: Representavam a orientação de Deus para o modo de vida do povo de Israel. O Estado de Israel, ainda nos dias atuais, não possui constituição, adotando a Lei de Moisés como carta magna do país.
3.Rituais: Eram orientações cerimoniais e possuíam um caráter tipológico, apontando para Cristo. O apóstolo Paulo indica que o cordeiro da Páscoa apontava para Cristo (1Cor 15.7).

Conclusão

Os princípios básicos da Lei são os mesmos do Evangelho da Graça, no tocante à revelação da vontade de Deus e ao relacionamento do homem com Deus, mas a Lei foi dada para o povo de Israel, havendo, portanto, uma descontinuidade quanto à validade e aplicabilidade da Lei, na Nova Aliança. Aquele que crê em Jesus está condicionado aos mandamentos do Novo Testamento, quanto à prática de vida. Os mandamentos da Lei servem de ensino (Rm 15.4), e os seus princípios servem de base doutrinária para a nova aliança, mas a validade da Lei foi encerrada em Cristo.

Obras consultadas:

GUNDRY, Stanley. Lei e Evangelho. Editora Vida. São Paulo, 2001.
OLSON, N. Lawrence. O Plano Divino Através dos Séculos. CPAD. Rio de Janeiro.

Márcio Klauber Maia
Natal-RN

Hipocrisia

February 26th, 2010

Hipocrisia
Texto: Mt 23.1-36.

Introdução

Hipocrisia é o ato de fingir o que uma pessoa não é, ou não sente, ou não crê. Em suas apresentações os atores gregos e romanos tinham o costume de usar grandes máscaras, munidos de dispositivos mecânicos para aumentar a força da voz. Assim, a palavra hipócrita (do grego hypokrites), veio a ser usada metaforicamente para descrever o fingimento, o disfarce ou a dissimulação que era representada em palco pelos atores.
Essa é a base do falso orgulho. Alguém gostaria de ser algo significativo. Não sendo isso, o indivíduo apresenta ao público uma fachada de bondade que é falsa ou exagerada. Os sinônimos são a dissimulação, o farisaísmo, o fingimento e a falsa pretensão. A hipocrisia não é apenas um ato consciente de dissimulação, mas também uma cegueira perversa. Estas pessoas são denominadas no AT como alguém que tem “lábios lisonjeiros” (Sl 12.3).

Características dos hipócritas:

• Dizem o que não fazem (Mt 23.3).
São adeptos do ditado: “faço o que eu digo mas não faça o que eu faço”. Falam só da boca para fora. Louvam a Deus com os lábios, mas não com o coração (Mt 15.7-9). Sua adoração não é recebida por Deus.
• Cobram dos outros o que eles mesmos não fazem (Mt 23.4). São muito exigentes com os outros, mas frouxos quanto a si mesmos. Enxergam um argueiro no olho dos outros, mas não a trave que está no seu próprio (Mt 7.1-5). Fiscalizam os novos convertidos para cobrar um padrão muito elevado de conduta, de forma que estes se sentem miseráveis (Mt 23.15).
• Valorizam apenas a aparência (Mt 23.25-28). Procuram sentar-se nos primeiros lugares (v6), contrariando a orientação do Senhor (Lc 14.8-11), para serem vistos. Pensam: “quem não é visto não é lembrado”, pois visam cargos, promoções, elogios, etc.
• Buscam agradar aos homens e não a Deus (Mt 23.5). Oram, jejuam, dão esmolas, tudo para obter reconhecimento humano (Mt 6.1-5, 16). Hipócrita é o homem cuja bondade visa agradar não a Deus, mas aos homens. É o homem que se recusa a ajudar um enfermo no sábado, embora não descuide do bem estar-estar de seus animais no mesmo dia (Lc 13.15).
• Visam apenas o proveito próprio (Mt 23.13,14). São egoístas e pensam apenas em si mesmos.

Aquele que peca e não reconhece é hipócrita (1 Jo 1.8). Aquele que peca e esconde é hipócrita (1 Jo 1.6). Aquele que afirma ser crente e não cumpre a Bíblia á hipócrita (1 Jo 2.4).

Jesus condena a hipocrisia

Cristo, em diversas ocasiões repreendeu veementemente a hipocrisia (Mt 6.5-6; 7.4-5; 23.23). Jesus possuía algumas maneiras peculiares de chamar os hipócritas: atadores de fardos nos ombros do outros (Mt 23.4), amantes dos primeiro assentos (Lc 11.13), estorvo da porta do reino dos céus (Mt 23.13), devoradores das casas das viúvas (Mt 23.14), dizimistas de hortelã (Mt 23.23), coadores de mosquito e engolidores de camelos (Mt 23.24), limpadores do exterior dos copos (Mt 23.25), sepulcros caiados (Mt 23.27), serpentes e raça de víboras (Mt 23.33).
O Mestre dirigiu essas palavras aos religiosos da época, os fariseus, com o objetivo de demonstrar a estes a divergência entre o que eles pregavam e o que faziam.
A hipocrisia, no entanto, não é própria somente aos religiosos, mas a todos quantos continuamente permanecem por trás das máscaras da falsidade em suas condutas teatrais. Assim, côa um mosquito o pai de família que proíbe o namoro de sua filha, porém, engole um camelo pelo fato de possuir uma amante fora do lar, levando uma vida de promiscuidade. Côa um mosquito o empresário que acusa desenfreadamente o ladrão de bicicletas, porém, engole um camelo com a sonegação fiscal da sua empresa. Côa um mosquito o político que diz trabalhar em prol da sociedade, porém, engole um camelo ao envolver-se nas teias da corrupção. Côa um mosquito o irmão da igreja que cobra o uso de determinado tipo de roupa como sinal de santidade, porém, engole um camelo ao desprezar os mais necessitados que mínguam ao seu lado. Côa um mosquito aquele que cobra o pagamento do dízimo, porém, engole um camelo por não refrear sua língua, que conduz dezenas de obscenidades e mentiras.
Como atores profissionais têm a capacidade de interpretar, fingir, enganar e até chorar se necessário. As máscaras demonstram homens ideais e mulheres perfeitas, cuja aparência é digna de prêmio de integridade. Porém, chega o momento em que o camelo “entala” nas gargantas. A máscara é removida, quando não estilhaçada. Vislumbra-se, então, o ser humano na sua essência: Arrogância, infidelidade, mentira.
Até mesmo Pedro e Barnabé caíram em pecado de hipocrisia, no tocante ao tratamento que deveria ser dado aos crentes gentílicos, no começo da dispensação do evangelho, quando o apóstolo Paulo resistiu a Pedro face a face (Gl 2.13).
Algumas passagens colocam a hipocrisia ao lado da mentira e calúnia (1 Tm 4.2; 1 Pe 2.1), pois os hipócritas tentam encobrir o pecado lançando uma luz sobre si mesmos, em detrimento da verdade.
Deus não aceita a adoração dos hipócritas (Is 1.11-15)

Soluções para a hipocrisia

1. Sinceridade. Sincero vem do latim sinceru. Esta expressão surgiu no período do renascimento, quando artistas não muito habilidosos cobriam os defeitos de suas esculturas usando cera e pó de mármore. Quando o sol derretia a cera os defeitos apareciam. A escultura verdadeira era sem-cera: sincera. O crente verdadeiro e sincero não aprova a hipocrisia.
2. Humildade. A hipocrisia é orgulho disfarçado. A solução é a auto-humilhação (Mt 23.12). Aquele que se humilha não procura aparentar quem não é nem busca elogios dos outros.

Conclusão

A nossa hipocrisia não engana a Deus. Há muitos religiosos hipócritas, homens que tentam impressionar os outros com uma fina camada externa de santidade, mas se o interior for visto, ali há pensamentos impuros e motivos impróprios, mas eles sempre tentam esconder dos homens justificando a si mesmos diante dos homens (Lc 16.15).
A hipocrisia entre aqueles que professam a Jesus Cristo como Senhor e Salvador continua a ser um obstáculo para os incrédulos. O problema provavelmente nunca foi expresso de forma mais sucinta do que quando Ghandi, da Índia, afirmou sobre a cristandade: “Gosto do Cristo deles, mas não gosto dos cristãos. Eles são tão pouco parecidos com seu Cristo.”.
Devemos abandonar a mentira, o fingimento e a hipocrisia e ser autênticos e verdadeiros. (Ef 4.15, 25). Deus nos conhece como somos e nos ama assim mesmo, mas deseja que sejamos como Ele é. Entretanto, devemos buscar ser quem nós ainda não somos, ser melhores do que somos, progredir na vida espiritual, familiar, profissional, etc (Cl 1.10; Fp 3.13,14)

Leitura sugerida:

COENEN, Lothar; BROWN, Colin. Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2000.
CHAMPLIN, R.N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. São Paulo: Hagnos, 2002.
LOPES, Hernandes Dias. Removendo Máscaras. São Paulo: Hagnos, 2006.

Carlos Kleber Maia

Deus e o Universo

February 19th, 2010

A Relação de Deus Com o Universo
Texto: Sl 8.1-9

Introdução

Há muitas concepções diferentes que tratam da relação de Deus com este nosso universo. A ciência apresenta suas fontes, a filosofia suas considerações, mas a Bíblia é a verdadeira fonte segura de informações sobre este assunto, pois se constitui na revelação do próprio Deus, o criador. Ninguém conhece melhor esta relação do que o próprio Deus. Algumas idéias a considerar:

1. Deus Está Separado do Universo.

Embora Deus esteja presente e ativo em todo o universo, em seu Ser Ele é separado de Sua criação. Deus é infinito; todas as coisas criadas são finitas. Deus é eterno, tendo existido desde a eternidade, é imutável e onipresente. Isto não é verdade quanto a qualquer outra coisa.
O panteísmo defende que Deus e o universo físico são uma só coisa, estando Deus em tudo, tudo fazendo parte de Deus. No entanto, as Escrituras apresentam Deus como destacado e superior à matéria criada (Is 55.8,9).
O Panenteísmo significa Deus-em-tudo e afirma que Deus está no mundo assim como uma alma está no corpo. Afirma que Deus depende do mundo tanto quanto o mundo depende dele, ou seja, Deus e o mundo são interdependentes.
O panteísmo afirma que Deus é o mundo e o panenteísmo que Ele está no mundo. O teísmo acredita que Deus está além do mundo (e dentro dele). Este sistema de crenças alega que o mundo depende de Deus, mas que Deus é independente do mundo.

2. Deus Criou o Universo.

A Escritura afirma que Deus criou o universo e, portanto, nega a eternidade da matéria, nega que o universo foi criado por um mau Espírito, nega a geração espontânea e nega a teoria das emanações, teoria que com o panteísmo sustenta que Deus é da mesma substância com o universo e que o universo é resultado de sucessivas emanações do Seu ser. Deus criou o universo (Gn 1.1; Ne 9.6).
Deus criou tudo por Sua Palavra. Chamou o universo à existência (Sl 33.6-9). Deus criou o universo do nada, não de materiais previamente existentes (Hb 11.3).
A ciência pensa em duas teorias. Ou o universo sempre existiu, não teve origem no tempo e, portanto, tem uma idade infinita, ou o universo teve um começo em determinado momento e, portanto, há um acontecimento primordial que deve ser investigado. Hoje a maioria dos cosmólogos sustenta a idéia de que entre 12 e 15 bilhões de anos atrás o universo surgiu de uma tremenda explosão, que foi batizada de big-bang. Há inúmeras provas que atestam esta teoria. A segunda lei da termodinâmica estabelece que dia após dia o universo se torna mais desorganizado, caminhando irreversivelmente para o caos. Os cientistas concluíram que o universo caminha para um equilíbrio termodinâmico, quando as temperaturas se nivelam e o universo entra num estado de “morte térmica” ou desordem molecular máxima. “O fato do universo ainda não ter morrido (…) implica que ele não pode ter existido por toda a eternidade”.
Quando Deus chamou à existência os materiais do universo, Ele os amoldou segundo Sua vontade. Ele principiou sem nada. Só Ele é eterno. Todas as demais coisas saltaram de Sua mão criadora (Jr 10.11,12; Cl 1.16; Ap 4.11).

3. Deus Conserva o Universo continuamente.

O mesmo Deus que criou o universo o mantém continuamente (Ne 9.6; Sl 36.6; At 17.28; Cl 1.17; Hb 1.3). O descanso de Deus no sétimo dia da semana da criação não foi à cessão total da atividade, mas somente de Sua obra criadora direta. Deus trabalhou na criação do universo e continua trabalhando até agora (Sl 104.30; Jo 5.17).
O Deísmo entende que Deus criou o mundo, mas desde então, não age mais nele, não interfere na vida do universo. O Criador teria estabelecido leis fixas para todas as coisas, e então, o mundo simplesmente seguia o curso destas, sem nenhuma interferência divina. Nessa visão, o mundo seria como um relógio que o artista criou, deu-lhe corda e o abandonou à própria sorte. Por crerem nisto, as pessoas acreditam na “sorte”, no “acaso” ou no “destino”, como se o mundo e o destino de todos os homens estivesse nas mãos de alguma força impessoal e incompreensível.
O teísmo, ao contrário, afirma que Deus não só criou o universo como também o conserva dia após dia, controlando os fenômenos da natureza e se envolvendo de modo especial no mundo dos homens, com os quais mantém uma relação pessoal. Esta é a visão judaico-cristã de Deus, com inumeráveis variantes no tocante ao grau de envolvimento de Deus com suas criaturas.
O mundo não está nas mãos de uma força impessoal, mas está nas mãos de um Deus que trabalha. Não apenas que trabalhou na criação, mas que continua trabalhando no mundo.
As Escrituras ensinam que Deus é um Ser pessoal, que se envolve com tudo aquilo que criou até nos mínimos detalhes. Não é algo distante, impessoal, ausente, mas participante e operante. Deus é transcendente, mas também imanente. Na expressão do profeta Jeremias, é “Deus de perto… e também de longe” (23.23).
O ato criador de Deus terminou no sexto dia, mas os atos da Providência Divina prosseguem deste então, de forma que o mundo não está entregue à sua própria sorte.
Ele preserva o curso da natureza. É a ação de Deus que garante a existência das estações (Gn 8.22; Sl 104.14; 147.16-18; Mt 5.45; At 14.17).

4. Deus Controla o Universo.

Deus não só é o criador e conservador do universo, mas o controlador dele. Ele agora governa ativamente toda atividade no universo (Ef 1.11; Jó 37.3,4,6,10-13; Sl 135.7; 104.14; Mt 6.26,30).
Deus é a primeira causa e o Criador de todas as segundas causas. Deus arranjou segundas causas de modo que Ele cumprisse Sua vontade. As leis físicas são reais: elas prevalecem em todos os casos, salvo onde Deus as afasta nos Seus atos miraculosos. Levanta-se o vapor, a chuva cai e o vento assopra segundo certas leis; mas Deus ordenou essas leis e Ele agora sustenta todas as coisas segundo Sua natureza original e Sua intenção por elas, de maneira que Deus é realmente Quem causa o vapor subir, a chuva cair e o vento assoprar. Negar a existência da lei é tolice. Representar a lei como operando independente de Deus é infidelidade.
O controle de Deus não cessa com as forças impessoais do universo: ele estende-se a todas as ações dos homens e as compreende (Êx 12.36; Sl 33.14,15; Pv 19.21; 20.24; 21.1; Jr 10.23; Dn 4.35; Is 44.28; Êx 9.12; Sl 76.10; Pv 16.4; Jo 12.37,39,40; At 4.27,28).
O Senhor interfere nas circunstâncias da vida humana, para cumprir seu propósito (Sl 75.6,7; 1 Sm 2.7,8). Deus também intervém para cumprir com a Sua Palavra (Nm 26.65; Js 21.45; Lc 21.32,33; Jr 1.12).
Deus mantém seu controle sobre as nações e governos (Sl 33.10; 22.28; 66.7; Dn 4.25). Também trabalha para frustrar os desígnios dos ímpios (Êx 15.9-19; 2 Sm 17.14,15; Gn 45.5-7; 50.20; Fp 1.12) e até determina o período da vida humana (Sl 31.15; 39.5; At 17.26). Deus não somente mantém a estabilidade do universo, como também mantém a natureza em ordem (Sl 104.5-9).
O controle de Deus sobre os homens inclui seus atos maus bem como os bons. O controle de Deus dos atos maus humanos pode ser dividido em quatro espécies:

1. PREVENTIVO – Ele evita que alguns erros sejam cometidos (Gn 20.6; 31.24; Sl 139.3; 76.10).
2. PERMISSIVO – Ele permite que alguns pecados sejam cometidos (Sl 81.12,13; Os 4.17; At 14.16; Rm 1.24,28; 1 Sm 18.10; Jo 12.40; 2 Sm 24.1, cfe 1 Cr 21.1)
3. DIRETIVO – Ele dirige os atos maus para realizar seus propósitos (Gn 50.20; Is 10.5).
4. DETERMINATIVO – Ele marca os limites além dos quais o mal não pode ir e prescreve as linhas dos seus efeitos (Jó 1.12; 2.6; Sl 124.2; 1 Co 10.13; 2 Ts 2.7).

Conclusão

Deus relaciona-se diretamente com o universo que Ele mesmo criou, mas como Ser pessoal e infinito que é, não pode ser confundido com o universo finito e criado.
Podemos confiar que o universo não irá consumir-se ou ser tomado pelo caos, pois o Criador conserva e controla este nosso universo.

Leitura sugerida:

THIESSEN, Henry Clarence. Palestras em Teologia Sistemática. São Paulo: IBR, 2006.

Carlos Kleber Maia
Natal / RN

A Palavra como Meio da Graça

January 30th, 2010

A Palavra como Meio da Graça
Leitura: At 20.28-32

Introdução

Meios da Graça são “canais divinamente designados por Deus através dos quais as influências do Espírito Santo são comunicadas à alma humana” (Wiley). Estes meios são usados primordialmente na comunhão da igreja.
A vida cristã começa pela graça, pela atividade do soberano Espírito de Deus, e deve ser continuada da mesma maneira (1Pe 5.12). Mas também existe alguma atividade da parte do crente, que têm algo a desenvolver (Ef 2.10; Fp 2.12-13). Além disso, os crentes são instruídos a crescerem “na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo” (2 Pe 3.18).
Estes meios da graça são coisas específicas que o gracioso e amável Deus do céu concedeu aos crentes para ajudá-los a desenvolverem sua salvação, fazerem as boas obras que Ele determinou e a crescerem na graça.
Embora a expressão “meios da graça” não se encontre na Bíblia, é uma designação adequada para aquilo que está ali ensinado.

Há dois tipos de meios da graça: os particulares (palavra, oração) e os públicos (adoração, Ceia do Senhor, batismo).

Enquanto os católicos enxergam estes meios como “meios de salvação”, os evangélicos os vêem como sendo apenas meios de alcançar as bênçãos de Deus, pois a salvação é garantida pela obra de Cristo.
Destaca-se que, em si mesmos, estes meios da graça são completamente ineficientes e só produzem resultados espirituais positivos mediante a eficaz operação do Espírito Santo. O meio da graça mais básico é a Bíblia, a Palavra de Deus. A sua eficácia de comunicar a graça de Deus depende exclusivamente de que ela seja um instrumento do Espírito Santo. O livro em si mesmo não tem poder, seu poder deriva do Seu Autor e Aplicador, Deus.

A Bíblia, meio de salvação

Paulo escreveu que o evangelho é poder de Deus para salvação (Rm 1.16), que Deus resolveu salvar os crentes pela loucura da pregação (1 Co 1.21), que as sagradas letra podem tornar o homem sábio para a salvação (2Tm 3.15) e que os crentes são gerados pelo evangelho (1Co 4.15).
Pedro afirma que o crente é regenerado pela Palavra de Deus (1Pe 1.23). Tiago também diz que fomos gerados pela verdade da Palavra (Tg 1.18).
Assim, a Bíblia é indicada como meio para salvação dos homens. Foi escrita para que a humanidade tenha a vida eterna (Jo 20.31).
A pregação do evangelho é um meio da graça de maior importância para alcançar os perdidos (Rm 10.13-17; 1Co 1.17,18; Lc 24.47; At 1.8). O crescimento da igreja está diretamente ligado à proclamação do evangelho (At 6.7; 12.24; 13.49).
A salvação se dá unicamente pela fé (Ef 2.8,9), mas para crer em Cristo é preciso conhecer a verdade do evangelho, que se revela nas Sagradas Escrituras. Logo, a Bíblia é instrumento de Deus para a salvação. Não há rotas alternativas de salvação, à parte da revelação de Deus no evangelho. O carcereiro em Filipos foi sacudido pelo terremoto, mas alcançou a salvação por meio da pregação de Paulo, baseada no evangelho (At 16.25-34).
Hodge afirma que, embora seja possível, geralmente não há indicação da influência salvadora do Espírito Santo em lugares onde se desconhece a Palavra de Deus e que “o cristianismo florece na proporção exata do grau em que a Bíblia é conhecida, e suas verdades são difundidas entre as pessoas”.

A Bíblia, meio de santificação

O Senhor declara que o crente é santificado pela Palavra (Jo 17.17; 15.3). Ela revela o estado do coração e a necessidade dele ser limpo (Tg 1.25). A Bíblia é a “água” que lava o crente de suas impurezas (Ef 5.26). Aquele que a guarda em seu coração evita o pecado (Sl 119.11).
A Bíblia foi escrita por homens santos, enquanto Deus os inspirava e guiava, por intermédio do Espírito Santo (2Pe 1.21). Ela nos ensina, principalmente, o que precisamos crer a respeito de Deus e quais os deveres que Ele exige de nós. A Bíblia revela os princípios pelos quais Ele nos julgará e demonstra o supremo padrão pelo qual devem ser averiguados todos os comportamentos, credos e opiniões dos homens.
Para sermos santos, que é uma exigência de Deus para seus filhos (1Pe 1.16), é preciso conhecer a Deus e este conhecimento é revelado ao homem nas páginas do sagrado livro. Assim, a Bíblia é necessária para a santificação.

A Bíblia, meio de edificação

Ela é o instrumento pelo qual Deus fala ao seu povo. Enquanto lêem a Bíblia, Deus abençoa e fortalece os crentes com tudo que necessitam para seu viver diário. Paulo afirma que Deus, por Sua Palavra pode edificar os crentes (At 20.32). A Bíblia é necessária para a manutenção da vida do crente, para sua nutrição espiritual (Mt 4.4). A Palavra de Deus é verdadeiro alimento (Jó 23.12). Moisés afirma ao povo de Deus que a Palavra lhes daria vida (Dt 32.47). A Bíblia é o “leite” que alimenta o crente no princípio de sua vida espiritual (1Pe 2.2; 1Co 3.2; Hb 5.12,13) e o alimento sólido para o que está mais amadurecido (Ef 4.14; Hb 5.14). As palavras que transmitem graça são úteis para edificação do crente (Ef 4.29).
Além disto, a Palavra de Deus é útil para “o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2Tm 3.16), para nos dar esperança (Rm 15.4), dar sabedoria (Sl 19.7).

Conclusão

Um Pai amoroso, sábio e gracioso, que habita nos céus, outorgou aos seus filhos estes meios para o bem deles (Dt 10.13). Ele não os deu a fim de colocar seus filhos em escravidão a regras estabelecidas pelo homem, mas para abençoar, fortalecer e encorajá-los. Os meios particulares da graça nos foram concedidos para sustentar-nos em nossa vida cristã diária, em um mundo de atividades cotidianas. Os meios públicos da graça são para nosso benefício, na igreja local pertencente ao Senhor Jesus Cristo. Praticá-los agora resultará em crescimento e frutificação de nossa vida cristã. Quando o crente utiliza os meios da graça, percebe os resultados em sua própria vida: crescimento espiritual, maturidade, alegria, santidade e semelhança a Cristo. É fortalecido e encorajado a andar com Cristo, recebe a força e o poder espiritual necessários para vencer a tentação, o pecado e Satanás.
Assim, separe uma parte de cada dia para ler e meditar alguma porção da Palavra de Deus. Escolha a melhor ocasião e a hora mais adequada. Leia toda a Bíblia, fazendo-o de maneira sistemática. Leia a Bíblia com um espírito de obediência e auto-aplicação. Estude-a com a determinação de que você viverá pelas suas regras, confiará em suas afirmativas e se comportará de acordo com seus mandamentos. A Bíblia mais lida é aquela mais praticada.

Leitura Sugerida:

GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999.
THIESSEN, Henry Clarence. Palestras em Teologia Sistemática. São Paulo: IBR, 2006.
WILEY, H. Orton; CULBERTSON, Paul T. Introdução à Teologia Cristã. São Paulo: CNP, 1990.

Carlos Kleber Maia

A Necessidade do Arrependimento

January 22nd, 2010

A Necessidade do Arrependimento
Leitura: Lc 13.1-5

Introdução

Arrependimento é uma sincera e completa mudança de mente e disposição com relação ao pecado que leva alguém a abandoná-lo e seguir em obediência a Cristo. No grego do NT as palavras que expressam esta idéia são: o verbo “metanoeo” e o substantivo “metanoia”).
Há também um arrependimento que surge inteiramente através do temor das conseqüências do pecado. No grego a palavra é “metamelomai”, usada em Mt 21.29 (no caso do filho que primeiro recusou obedecer a seu pai, mandando-o trabalhar na vinha, mas depois… arrependeu-se e foi”); Mt 21.32; 27.3 (no caso de Judas); Rm 11.29; 2 Co 7.8,10 e Hb 7.21.
O arrependimento genuíno é acompanhado de tristeza segundo Deus e se opera no coração pelo Espírito regenerador de Deus.

A importância do Arrependimento

Apesar de pouco pregado nos nossos dias, o arrependimento é crucial para os que querem ser salvos e receber o perdão de Deus (Lc 13.2-5). Não pode haver salvação sem renúncia ao pecado.
Jesus pregou o arrependimento (Mt 4.17; 9.13; Lc 13.3,5; 24.46), também João Batista (Mt 3.2; Mc 1.15), Paulo (At 17.30; 20.21) e Pedro (At 2.31; 3.19; 2Pe 3.9).
Os céus se alegram quando há arrependimento entre os homens (Lc 15.7,10).

Os Elementos Constituintes do Arrependimento

1) O elemento intelectual – subentende uma mudança de idéia.

O pecado é reconhecido como ofensa, culpa. O homem deve ver-se a si mesmo como diferente de Deus e em rebelião contra Deus. Deve ver a oposição que vai de sua condição com a santidade de Deus. Deve ver que Deus detesta sua condição e seu estado. O reconhecimento do pecado que entra no arrependimento para a salvação tem a ver, primariamente, não com o fato que o pecado traz castigo senão com o fato que o pecado ofende a Deus. Há, sem dúvida, um temor das conseqüências eternas do pecado; o que não é, porém, a coisa primária.
A Bíblia fala disto como “conhecimento do pecado” (Rm 3.20; 1.32; Sl 51.3,7; Jó 42.56; Lc 15.17,18).

2) O elemento emocional – subentende uma mudança de pensamento.

O pecado é lamentado e aborrecido. A tristeza divina entra no arrependimento. Paulo chama de “tristeza segundo Deus” (2Co 7.10). Tristeza pelo pecado e desejo de perdão são aspectos do arrependimento (Sl 51.1,2; 2Co 7.9,10). O arrependimento não é apenas remorso, emoção, mas compreende também uma mudança de sentimentos em relação a Deus e ao pecado.

3) O elemento volitivo – subentende uma mudança de vontade e disposição.

Não é completo o arrependimento enquanto não houver uma deserção íntima do pecado que conduz a uma mudança externa da conduta (Mt 3.8,11; At 5.31; 20.21; Rm 2.4; 2Co 7.9,10; 2Pe 3.9). O homem arrependido não tem mais vontade de pecar e está disposto a abandonar a prática de atos que desagradam a Deus.
O Arrependimento é Interno. Ao passo que o arrependimento sempre se manifesta exteriormente, contudo de si mesmo é interno, segundo o significado do original. A Escritura distingue entre arrependimento e “frutos dignos de arrependimento” (Mt 3.8; At 26.20).

O Arrependimento não é Penitência

A tradução católica romana da Bíblia (Versão de Douay) substitui “arrependimento” por “penitência” como uma tradução de “metanoeo”. Assim lemos pela Versão de Douay: “Fazei penitência, porque o reino do céu está próximo.” (Mt 3.2); “A menos que façais penitência, todos igualmente perecereis.” (Lc 13.5). “Testificando tanto a judeus como gentios penitência para com Deus e fé em nosso Senhor Jesus Cristo.” (At 20.21). E da penitência diz a Versão de Douay no comentário a Mt 3.2: “Cuja palavra, segundo o uso das Escrituras e dos santos padres, não só significa arrependimento e correção de vida senão também punição dos pecados passados pelo jejum e tais exercícios penitenciais semelhantes.” Três coisas podem ser ditas a respeito deste comentário:

a) É absolutamente falso dizer que a “punição dos pecados passados pelo jejum e tais exercícios de penitências semelhantes” é uma parte do sentido da palavra grega. A palavra grega significa uma mudança interna. “O verdadeiro arrependimento consiste de emoções mentais e emocionais, não de castigos externos auto-impostos. Mesmo a vida piedosa e a devoção a Deus resultantes são descritas não como arrependimento senão frutos dignos de arrependimento” (Boyce, Abstract of Systematic Theology, pág. 384).
b) Nega a suficiência da satisfação de Cristo pelos nossos pecados em franca contradição com a Escritura (Rm 4.7,8; 10.4; Hb 10.14; 1 Jo 1.7). Desde que Cristo fez inteira satisfação pelos nossos pecados, não há para nós punição a aturar, exceto as conseqüências naturais do pecado. Deus castiga o crente quando ele peca, mas Ele nunca o pune tanto nesta vida como na vindoura. Cristo não nos deixou nada a pagar.
c) Implica que os atos temporais da criatura podem expiar o pecado. A Bíblia ensina que só Cristo pode fazer uma expiação verdadeira pelo pecado (Ef 2.8,9). Mesmo na eternidade as almas no inferno nunca poderão expiar o pecado e por essa razão não há fim para a sua punição.

O Lado Humano e o Divino

Deus dá o arrependimento ao homem (At 5.31; 11.18; 2 Tm 2.24,25) no sentido de torná-lo possível, mas Ele não se arrepende em nosso lugar. O homem é chamado ao arrependimento, mas não pode fazê-lo sozinho, à parta da graça de Deus. O sentido disso é, simplesmente, que o arrependimento se opera no homem pelo poder vivificador do Espírito Santo.
Por outro lado, o arrependimento é um ato do próprio pecador em resposta aos apelos do Espírito Santo. Alguns meios disponíveis ao homem o levam ao arrependimento:
• A Palavra de Deus (Lc 16.30,31);
• A pregação do evangelho (Mt 12.41; Lc 24.47; At 2.37,38; 2Tm 2.25);
• A bondade de Deus para com suas criaturas (Rm 2.4; 2Pe 3.9);
• A correção de Deus (Ap 3.19; Hb 12.10,11);
• As admoestações de Deus (Ap 2.5,16);
• Os juízos de Deus (Ap 9.20,21; 16.9).

Arrependimento não é uma satisfação dada a Deus, mas uma condição do coração necessária para que possamos crer para a salvação. Não se pode voltar contra o pecado se não voltar-se para Deus.

Arrependimento e Fé

O arrependimento e a fé estão sempre unidos como condições para a salvação (Mc 1.15). Ambos procedem da graça de Deus. O arrependimento representa a convicção do pecado e da necessidade de salvação, enquanto a fé aceita o sacrifício de Jesus como suficiente para esta salvação.
Quando um homem é vivificado para a vida, não pode haver lapso de tempo antes dele arrepender-se, nem pode haver qualquer depois que ele crê. De outra maneira teríamos a nova natureza em rebelião contra Deus e em incredulidade. Assim não pode haver ordem cronológica em arrependimento e fé.
Outra coisa que mostra a inseparabilidade do arrependimento e da fé é o fato que a Escritura muitas vezes menciona somente um de ambos como o meio de salvação. Por causa deste fato devemos pensar de cada um, quando usado separadamente, como compreendendo o outro.

Conclusão

Não se pode pregar o evangelho sem pregar arrependimento. A fé em Jesus não é caracterizada apenas por uma condição melhor diante do Deus que abençoa, mas também por uma mudança de vida diante de um Deus que aborrece o pecado.
Deus deseja que todos se arrependam de seus pecados, pois Ele quer ter comunhão conosco e nos levar para morar no céu. É necessário que o homem abandone seu estilo de vida pecaminoso e se volte para Deus em arrependimento e fé, confessando a Cristo como seu Salvador e Senhor. Só assim será salvo.

Leitura sugerida:

GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999.
THIESSEN, Henry Clarence. Palestras em Teologia Sistemática. São Paulo: IBR, 2006.
WILEY, H. Orton; CULBERTSON, Paul T. Introdução à Teologia Cristã. São Paulo: CNP, 1990.

Carlos Kleber Maia

Cristo na Festa da Páscoa

December 19th, 2009

Cristo na Festa da Páscoa
Leitura: 1Cor 5.7

Introdução

Após haver castigado o Egito com nove pragas, destruindo o país e castigando Faraó e seu povo, Deus prepara um ato final, para consumar o juízo e libertar o povo de Israel do cativeiro. Esta última praga atingiria todos os primogênitos do Egito, “desde os homens até aos animais” (Ex 12.12), causando a morte em todos os lares.
O povo de Israel, entretanto, deveria ser poupado da morte. Assim sendo, Deus deu ordens a Moisés para que, no décimo dia do mês de Nisã, o qual seria, a partir de então, o primeiro mês do novo calendário, que o Senhor estava determinando para os hebreus, cada família deveria separar para si um cordeiro ou cabrito macho, de um ano, sem máculas ou defeitos, o qual deveria ser sacrificado, em um ritual coletivo, ao cair da tarde do dia quatorze, do mesmo mês.
Uma vez sacrificado o cordeiro, seu sangue deveria ser recolhido e aspergido nos umbrais e na verga da porta de cada hebreu, e a carne deveria ser assada (nenhuma parte poderia ser cozida) e comida, à noite, com pães asmos, isto é, sem fermento, e ervas amargosas. Cada pessoa presente à mesa deveria estar devidamente trajada, como cajado na mão, pronta para partir.
Naquela mesma noite, o Senhor traria a morte sobre os primogênitos do Egito e apenas as casas dos hebreus, nas quais houvesse o sangue aspergido, seriam poupadas (Ex 12.13).

A Pesach e a Fésta da Páscoa

A palavra hebraica Pesach, significa “passar por sobre” ou “passar de largo”. Era uma referência ao que ocorreria na noite marcada por Deus, quando Ele passaria pela terra do Egito e, na casa que encontrasse o sangue aspergido, Ele “passaria por cima” (Êx 12.13,14). Este foi um evento único, marcado pela morte dos primogênitos.
A festa da Páscoa deveria ser comemorada a cada ano, na mesma data, 14 de nisã, relembrado a saída do povo de Israel do Egito. Era uma das três festas de peregrinação para Jerusalém. Ao longo do tempo novos elementos foram sendo acrescentados à festa, como, por exemplo, o vinho (Lc 22.17,18).
Ao celebrar a última páscoa Jesus instituiu uma nova ordenança: a Santa Ceia, que utiliza dois elementos da páscoa: o pão e o vinho, mas adquire novo significado, apontando para a morte e ressurreição de Cristo e relembrando a sua vinda (Mt 26.26,27).
A páscoa pagã, utiliza elementos do misticismo, como o coelho, que, na Lei de Moisés era animal considerado imundo (Lv 11.5), na tentativa de um sincretismo religioso.

Cristo e o Cordeiro

A relação tipológica do cordeiro pascoal com Cristo é uma das mais belas e completas, dentre os tipos bíblicos. A relação do Senhor Jesus Cristo com o cordeiro é apresentada no Novo Testamento, em muitas passagens.
• João Batista afirma que ele é “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29)
• O livro do Apocalipse o apresenta como tal, muitas vezes (Ap 5.6,8,12,13; 6.1,16; 7.9,10,14; 12.11; 13.8; 14.1, entre outras)
• O apóstolo João faz referência ao cordeiro, quando aplica a Cristo a profecia que dizia: “Nenhum dos seus ossos será quebrado” (Jo 19.36); o apóstolo Pedro faz referência ao “o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado” (1Pe 1.19).
• É o apóstolo Paulo, porém, que apresenta a declaração tipológica mais explícita, quando afirma: “Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” (1Cor 5.7), numa alusão direta à correspondência entre tipo e antítipo.
Muitas são as semelhanças apresentadas pelo cordeiro da Páscoa, com relação a Cristo:
a) O cordeiro deveria ser macho, de um ano (Ex 12.5), uma referência à idade adulta de Cristo em seu ministério terreno;
b) Não poderia possuir defeitos ou manchas (Ex 12.5), indicando a condição de Jesus sem pecados (Hb 4.15);
c) O cordeiro deveria ser guardado desde o décimo dia (Ex 12.3,6), uma referência ao que Pedro afirmou sobre Cristo: “conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos” (1Pe 1.20);
d) O cordeiro deveria ser sacrificado ao décimo quarto dia, ao cair da tarde (Ex 12.6), uma referência ao momento da morte de Cristo, no Calvário (Jo 19.14);
e) O sacrifício deveria ser feito por toda a congregação (Ex 12.6), demonstrando o caráter universal do sacrifício de Cristo;
f) O sangue do cordeiro deveria ser aspergido, nas portas e isto seria o sinal para a libertação (Ex 12.7), uma referência à redenção através do sangue de Cristo (Ap 5.9,10);
g) A carne do cordeiro deveria ser assada no fogo (Ex 12.8,9), o que indica o juízo divino executado na pessoa de Cristo (2Cor 5.21);
h) Nenhum osso do cordeiro deveria ser quebrado (Ex 12.46), o que foi uma profecia concernente a Cristo (Jo 19.36);
i) O cordeiro deveria ser sacrificado em lugar do primogênito, isto é, um sacrifício substitutivo, uma alusão ao sacrifício vicário de Cristo (Is 53.4-6).

Os elementos da Páscoa

Na comemoração judaica, as ervas amargas representam o sofrimento que o povo de Israel sofreu na escravidão do Egito. Eram ervas amargas (muito provavelmente alface selvagem ou raiz forte), molhadas em vinagre de frutas ou água com sal. Para nós representa o sofrimento de Cristo (Is 53.4).
Os pães deveriam ser asmos, isto é, sem fermento. O apóstolo Paulo explica que o fermento, no Novo Testamento, simboliza “maldade e da malícia”. O pão sem fermento fala da santificação e pureza (1Cor 5.7,8).
Cada hebreu deveria estar vestido para sair, pois lombos cingidos e sandálias nos pés” indicam coisas que não se utilizavam dentro de casa. Eles estavam prontos para viajar. Na comemoração da Santa Ceia Jesus nos fala que relembramos a vinda de Cristo (1Co 11.26).
Uma coisa, porém, é importante observar: a salvação da morte naquela noite não era uma questão de mérito pessoal, ou de posição social, mas de obediência. Os que foram salvos, não o foram por serem desta ou daquela tribo ou família, nem por serem bons e merecedores. Apenas a obediência ao mandamento divino de sacrificar o cordeiro e cumprir o ritual garantia a salvação e libertação. Esta mesma verdade aplica-se à redenção por intermédio de Cristo, que não é por mérito próprio, mas através da obediência, pela fé.

A superioridade de Cristo

Como o antítipo é maior do que o tipo há algumas deficiências do tipo que o faz insuficiente:
• O cordeiro foi morto, assado e comido. Cristo, entretanto, morreu, mas ressuscitou e ascendeu aos céus.
• O cordeiro foi sacrificado em lugar do primogênito de cada casa, provendo, assim, a salvação da morte apenas para a casa na qual o seu sangue foi aspergido e somente naquele momento. A cada ano outro cordeiro deveria ser sacrificado. O sacrifício de Cristo, entretanto, foi definitivo, provendo salvação para sempre. O escritor aos Hebreus afirma que ele efetuou uma “eterna redenção” (Hb 9.12).
• O cordeiro não se ofereceu para este sacrifício, nem entendia a razão porque estava sendo sacrificado. O sacrifício de Jesus Cristo, porém, foi voluntário, pois ele mesmo afirmou: “dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou” (Jo 10.17,18).

Obras Consultadas:

GUIMARÃES, Marcelo Miranda. A Pessoa do Messias nas Festas Bíblicas. Ministério Ensinando de Sião.
GILBERT, Floyd Lee. A Lei e a Graça. Editora Candeia.

Márcio Klauber Maia
Natal-RN

Pakau Oro Mon

December 11th, 2009

“Pakau Oro Mon” é o livro da Missionária Kelem Gaspar.
Este livro conta uma linda história de entrega nas mãos de Deus, de uma jovem que vai evangelizar os índios na Amazônia e enfrenta muitas situações surpreendentes, que certamente vai cativar todos os leitores.
A missionária e o seu esposo Dulcival estiveram em Natal mais de uma vez, pregando a Palavra de Deus e testemunhando do Seu poder.
Entre em contato com eles para adquirir o livro.

Kleber Maia

Conheça a obra:

Pakau Oro Mon
Pakau Oro Mon
http://www.4shared.com/file/162748087/e9e20dc1/PakauOroMon_amostra.html

Pakau Oro Mon

December 10th, 2009

“Pakau Oro Mon” é o livro da Missionária Kelem Gaspar.
Este livro conta uma linda história de entrega nas mãos de Deus, de uma jovem que vai evangelizar os índios na Amazônia e enfrenta muitas situações surpreendentes, que certamente vai cativar todos os leitores.
A missionária e o seu esposo Dulcival estiveram em Natal mais de uma vez, pregando a Palavra de Deus e testemunhando do Seu poder.
Entre em contato com eles para adquirir o livro.

Kleber Maia

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Pakau Oro Mon
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O Ensino de Jesus

November 21st, 2009

O Ensino de Jesus
Leitura: Mt 7.24-29
Introdução

Jesus Cristo, sendo Deus e homem perfeito, é o maior exemplo, a ser seguido, em qualquer área da vida humana, quer pessoal ou profissional. Sendo, entretanto, um dos propósitos maiores do seu ministério terreno a formação de discípulos, podemos destacar a sua tarefa, enquanto professor, como um dos mais destacados aspectos a ser imitado.
Qualquer professor, principalmente da Escola Bíblica Dominical, que queira cumprir bem a sua tarefa de formar pessoas, preparando-as para uma vida cristã relevante, precisa seguir o exemplo do mestre Jesus. Vejamos algumas características do ensino do nosso Senhor e Salvador:

1. O seu ensino era baseado no caráter

a) O ser autentica o fazer
Vivemos dias nos quais muitos educadores preocupam-se apenas com a transmissão do conteúdo, sem o cuidado de demonstrar, em sua maneira de viver, um modo digno de comportamento social e, principalmente, espiritual. O professor da EBD terá a oportunidade de ensinar, não somente através das palavras, mas, principalmente, através do seu exemplo de vida.
O estudo da vida de Jesus aponta o caminho pelo qual Deus quer que os líderes cristãos sigam, em verdade e integridade, para que o caráter de Cristo seja apresentado ao mundo através de servos fiéis, que buscam imitar o Senhor e viver conforme a sua palavra (Rm 2.21-23). Líderes que estejam dispostos a pregar o que a Bíblia diz e viver conforme o que pregam. É salutar trazermos à nossa mente uma frase que marcou a vida de muitos cristãos, e que foi o lema dos puritanos, nos séculos XVI e XVII: “O que você faz fala tão alto, que não consigo ouvir o que você diz”.
Jesus ensinava com autoridade porque todos podiam ver que ele ensinava aquilo que lhe era próprio. Ele podia ensinar sobre todas as áreas da vida porque vivia conforme o que ensinava, pois, como afirmou o apóstolo Pedro: “não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano” (1Pe 2.22). De igual modo, os que ensinam na casa do Senhor precisam viver aquilo que ensinam, para que os alunos possam perceber que eles possuem autoridade para transmitir o conhecimento, conforme vivem.

b) O poder do exemplo (Fp 4.9)

O ensino de Jesus é marcado pela prática de vida que ele exige. Ninguém pode dizer que é cristão se não pratica os ensinos de Jesus. Por outro lado, ninguém pode ensinar a outros, sobre vida cristã, se não demonstrar, em sua própria vida, aquilo que ensina. O principal fator no ensino bíblico é o exemplo que o professor precisa dar.
O apóstolo Paulo recomendou a Timóteo: “sê o exemplo dos fiéis” (1Tm 4.12). E a Tito, também recomendou: “Em tudo, te dá por exemplo de boas obras” (Tt 2.7).Ele também afirmou aos crentes de Tessalônica que praticava o que ensinava “para vos dar em nós mesmos exemplo, para nos imitardes” (2Ts 3.9).
Quando Jesus nos convidou para sermos seus alunos, recomendou: “aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” (Mt 11.29). Podemos aprender com Jesus, porque ele é o exemplo a ser imitado. Como disso o apóstolo Pedro: “Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas” (1Pe 2.21).

2. O seu método era centrado na pessoa

Como mestre, Jesus não buscava apenas transmitir conteúdo e se desobrigar de uma tarefa. Ele buscava a transformação de vidas, através do seu ensino. Assim sendo, a metodologia que empregava era sempre adequada à necessidade e à realidade de cada aluno, variando conforme a circunstância, condição intelectual e nível de interesse dos seus ouvintes.

a) O respeito à capacidade de aprendizado do aluno

Jesus não despejava uma grande quantidade de informações sobre os seus ouvintes, apenas para que percebessem que ele sabia tudo. Ele conduzia o aprendizado, utilizando parábolas, figuras e analogias, “segundo o que podiam compreender” (Mc 4.33). Ele falava partindo daquilo que os seus ouvintes conheciam, para ensinar-lhes coisas novas. Por esta razão exemplificava com situações comuns da vida cotidiana, como os serviços domésticos (Lc 15.8), o trabalho no campo (Mt 13.3) ou a atividade pesqueira (Mt 13.47). Porque ensinava conforme a capacidade dos seus alunos, ele afirmou: “ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora” (Jo 16.12).

c) O ensino participativo desperta o interesse dos alunos

Jesus sempre envolvia o seu aluno com perguntas e criava situações para ter a atenção daquele a quem estava ensinando. Seu primeiro ato era captar o interesse do aluno. Ele provocou a mulher samaritana, pedindo “dá-me de beber” (Jo 4.7). Ele sabia que isto provocaria uma interação. Ao paralítico de Betesda, perguntou: “queres ficar são?” (Jo 5.6). Ao doutor da lei inquiriu: “que está escrito na lei?” (Lc 10.26). Provocou a Pedro, dizendo: “de quem cobram os reis da terra os tributos?” (Mt 17.25). Ao cego Bartimeu perguntou: “Que queres que te faça?” (Mc 10.51).
Após obter a atenção, Jesus buscava gerar, neste aluno, o desejo de obter o conhecimento. Ele disse à mulher samaritana: “se tu conheceras o dom de Deus e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva” (Jo 4.10). Ele queria que ela desejasse o conhecimento, para aquilo que lhe fosse útil. A Nicodemos ele afirmou: “aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus” (Jo 3.3). Sua intenção era despertar o interesse pelo assunto.
Muitas vezes não temos alunos desejosos de aprender, porque não entendem a finalidade prática daquilo que está sendo ensinado. Quando o aluno percebe o valor do aprendizado e o deseja, o professor terá maior facilidade de ensinar, pois terá ouvintes atentos e interessados.
Quando alcançava este nível de interesse, Jesus passava a ensinar as verdades espirituais aos seus ouvintes. À mulher samaritana, falou sobre a água viva; a Nicodemos, sobre o novo nascimento; aos discípulos, verdades sobre o reino de Deus. Uma vez que os alunos estavam abertos ao aprendizado, o mestre transmitia o conhecimento que supria as suas necessidades.

3. O aprendizado era firmado na prática

a) Praticante e não apenas ouvinte

O ensino de Jesus nunca estava desprovido de uma aplicação prática, que levasse o aluno a exercitar aquilo que aprendia. Os que ouviam as palavras de Jesus, logo compreendiam que precisavam pô-las em prática. A mulher samaritana vai à cidade e transmite o que ouviu, convidando a todos para obter o mesmo tesouro que encontrou (Jo 4.29).
Quando Jesus reuniu os discípulos, pouco antes de sua crucificação, ele desejou dar-lhes uma lição sobre a humildade e o serviço cristão. Ele tomou uma bacia, com água, e uma toalha, e passou a lavar os pés de todos os discípulos. Eram pés empoeirados, enlameados e fedorentos. Ele desatou as sandálias de cada um, lavou e enxugou os pés, inclusive de Judas, que o haveria de trair, ainda naquele dia. Ao concluir o serviço, ele lhes perguntou: “entendeis o que vos tenho feito?” (Jo 13.12). Ele queria extrair lições daquela aula prática. Após transmitir as verdades espirituais, ele lhes conduziu à prática, dizendo: “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (v.15).

b) Seu ensino provoca mudança de atitude

Jesus não ensinou as verdades mais profundas do reino de Deus aos intelectuais da época, nem a pessoas perfeitas, mas a homens e mulheres simples e pecadores. O que Jesus lhes ensinou, porém, provocou uma mudança tão radical em suas atitudes e modo de vida, que lhes levou a transformar o mundo. Os doutores da época estavam confusos, pois não tinham a capacidade de ensinar daquela forma. A reação deles foi de espanto: “Então, eles, vendo a ousadia de Pedro e João e informados de que eram homens sem letras e indoutos, se maravilharam; e tinham conhecimento de que eles haviam estado com Jesus” (At 4.13). Eles estavam dispostos a dar a sua vida por aquele que lhes ensinou, porque foram transformados pelo seu ensino.

4. Preparação e aprendizado

Mesmo sendo Deus, Jesus estava em constante preparação para o exercício do seu ministério terreno. Ele tinha uma vida de oração e leitura da Palavra. O escritor aos Hebreus diz que, como filho, ele obteve aprendizado pelas experiências (Hb 5.8). Se Jesus preparou-se e aprendeu para poder ensinar, que diremos nós, que somos falhos e pecadores? Não há ninguém que saiba tudo, ao ponto de não precisar aprender mais. Diz a Palavra de Deus: “Dá instrução ao sábio, e ele se fará mais sábio; ensina ao justo, e ele crescerá em entendimento” (Pv 9.9).

Conclusão

Que cada professor da Escola Bíblica Dominical busque imitar a Jesus, o Mestre dos mestres, a fim de alcançar os seus alunos com um ensino eficaz e relevante, capaz de provocar mudanças profundas, através do caráter e do exemplo de vida.

Bibliografia

PRICE, J. M. A Pedagogia de Jesus, JUERP, Rio de Janeiro-RJ.
GREGORY, John Milton. As Sete Leis do Ensino, CPAD, Rio de Janeiro-RJ.
LEBAR, Lois E. Educação que é Cristã, CPAD, Rio de Janeiro-RJ.

Márcio Klauber Maia

A Formação da Bíblia

November 6th, 2009

Doutrina: A Formação da Bíblia
Texto: 2Tm 3.16

A Bíblia não é apenas um livro importante, mas a única fonte confiável para conhecer a Deus e compreender seus propósitos. Ela não contém, apenas, a palavra de Deus, mas é a própria fala de Deus aos homens; não relata, apenas, a verdade, mas é a única verdade; não registra, apenas, um conjunto de regras, mas é o único manual de regra e prática. Assim sendo, a leitura, estudo e meditação da Bíblia não é somente importante, mas indispensável para todos os que querem conhecer a Deus e saber a sua vontade.

I. AS LÍNGUAS E OS MATERIAIS DA BÍBLIA
O nome “Bíblia” vem do grego “biblion”, que significa: rolo pequeno de papiro, e é o diminutivo de “biblos”, que significa: “folha de papiro preparada para a escrita”. É uma referência ao material utilizado para a escrita pelos primeiros escritores do texto sagrado: o papiro.

1. As línguas
O escritor da epístola aos Hebreus diz que Deus falou “muitas vezes e de muitas maneiras” (1.1). Da fato, Deus revelou a sua vontade aos homens de diversas formas: enviando mensageiros celestiais (Jz 13.11; Dn 9.21,22; Lc 1.13), através de instrumentos de sorte – como Urim e Tumim (Êx 28.30; Nm 26.55), além de voz audível (1Sm 3.4; At 9.4). Entretanto, Deus escolheu um meio mais eficiente para anunciar toda a sua vontade ao homem: a palavra escrita. Eis algumas razões para esta escolha:
• Precisão (a mensagem escrita é mais claramente transmitida e compreendida;
• Permanência (o registro escrito preserva o pensamento, estimula a memória do leitor e instiga sua imaginação;
• Objetividade (o que está escrito transcende a subjetividade de cada leitor, o que complementa a precisão e a permanência da mensagem transmitida);
• Disseminação (a capacidade de propagação exata da mensagem de Deus).

A Bíblia inteira foi escrita num período que abrange cerca de 1600 anos. É uma obra de cerca de 40 autores, dos mais distintos e remotos lugares, das mais variadas profissões: de humildes agricultores, pescadores até renomados reis, os quais habitaram em 3 continentes: Ásia, África e Europa, e escreveram em 3 idiomas: hebraico, aramaico e grego.
O hebraico é o principal idioma do Antigo Testamento e foi a língua adotada pelo povo hebreu, tendo sido utilizada para o registro de quase todo o texto do Antigo Testamento. O aramaico é a língua dos sírios, mas foi utilizada por quase todos os povos do oriente próximo, a partir do século VI a.C., sendo, inclusive, o idioma falado por Jesus e pelos seus discípulos. A maior porção da Bíblia, escrita em aramaico, está no livro de Daniel, do capítulo 2 ao capítulo 7. O Novo Testamento foi escrito em grego koiné, que era a língua mais amplamente conhecida no século I, tornando-se quase universal nos dias dos apóstolos.

2. Os Materiais
Os autores da Bíblia utilizaram os materiais disponíveis para o registro da escrita nos seus dias:
• Pequenas tábuas de barro já eram utilizadas na Suméria cerca de 3500 a.c, e foram usadas por Jeremias (17.13) e Ezequiel (4.1);
• Tábuas de pedra também foram utilizadas, como no Código de Hamurábi, na pedra de Roseta e nas cartas de Tel-El-Amarna, e foram utilizadas no Sinai (Êx 24.12; 32.15,16) e pelo povo de Israel (Dt 27.2,3; Js 8.31,32).
• O papiro já era utilizado no Egito por volta de 2100 a.C. Era um rolo fabricado pela prensagem de folhas de uma planta. Foi o material utilizado pelo apóstolo João para escrever o Apocalipse (5.1) e suas cartas (2Jo 12).
• Peles de animais foram utilizadas para produzir materiais, tais como velino ou pergaminho, e se tornaram muito úteis para a escrita. O profeta Jeremias faz menção (36.23) e o apóstolo Paulo também (2Tm 4.13).
• Para registrar a escrita foram utilizados vários instrumentos como o cinzel (Jó 19.24), a pena (3Jo 13) e a tinta.

II. REVELAÇÃO, INSPIRAÇÃO E ILUMINAÇÃO DA BÍBLIA

1. Revelação
O homem, sendo limitado e finito, não tem condições de alcançar as verdades a respeito de Deus, que é infinito e ilimitado. Para que o pudéssemos conhecer, o próprio Deus deu-se a conhecer, o que chamamos de revelação. Uma definição de revelação é: “o desvendamento que Deus faz de si mesmo, girando em torno da pessoa de Jesus Cristo, através da criação, da história, da consciência humana e das Escrituras. Ela é dada através de conhecimentos e de palavras”.
Deus revelou-se por vários meios diferentes: de forma natural, pela natureza (Rm 1.18-21; Sl 19.1-6); de forma prática, pela providência (Rm 8.28; At 14.15-17); de forma interior, através da consciência (Rm 2.14,15), de forma pessoal, através de Cristo (Jo 1.14) e, principalmente, de forma escrita, através da Bíblia (1Jo 5.9-12; 2Tm 3.16,17; 2 Pe 1.20,21).
A revelação final de Deus aos homens é a Bíblia Sagrada, não sendo necessário nenhum acréscimo ou complemento. Assim sendo, toda profecia, sonho ou visão devem ser submetidos ao “crivo” da Palavra de Deus, que é a “maior profecia”, ou seja, a revelação definitiva de Deus.

2.Inspiração
Como a Bíblia foi produzida? De que forma ela chegou até nós? Teria sido produto da imaginação de homens? Teria sofrido a influência da cultura, da história ou da vontade dos povos? Como ela pode ser a Palavra de Deus, se foi escrita por homens? Certamente já nos deparamos com perguntas como estas. E a resposta para todas elas está nas palavras do apóstolo Pedro: “porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2Pe 1.21).
Uma definição de inspiração é: “a ação supervisionadora de Deus sobre os autores humanos da Bíblia de modo a, usando suas próprias personalidades e estilos, comporem e registrarem sem erro as palavras de Sua revelação ao homem”. Significa, literalmente, “soprada por Deus”, isto é, algo que Deus lançou, de si mesmo, para nós.
A inspiração da Bíblia é verbal e plenária. Significa que todas as palavras dos escritos originais foram dadas por Deus aos autores humanos, não como um ditado mecânico, mas empregando o estilo e o vocabulário de cada autor, dirigidos pelo Espírito Santo.
Precisamos levar em consideração, também, que Deus não usou os homens para escreverem as Escrituras como meros robôs, ou como se fossem uma “máquina de escrever”. Ele mesmo os capacitou, dando-lhes dons e talentos, os quais ele utilizou para produzir o texto sagrado, sem, contudo, permitir que a vontade humana alterasse o conteúdo, pois Deus “supervisionou” todo o processo, pois foram dirigidos pela vontade soberana do Supremo Autor. Isto é o que chamamos de inspiração orgânica, isto é, Deus falando através dos homens.

3.Iluminação
O que torna a Bíblia um livro sobrenatural, além da forma extraordinária como foi produzida, é o efeito que a leitura do seu texto produz naqueles que o fazem com o propósito de conhecer o seu autor. É através da iluminação que o Espírito Santo concede aos cristãos a capacidade intelectual de poderem compreender o que foi inspirado e revelado nas Escrituras Sagradas. É impossível entendermos a situação de pecado sem intervenção do Espírito Santo que produz luz em nossa consciência.
Por esta razão, nenhum outro livro pode transformar o pecador, através de uma simples leitura. Nenhuma pessoa teve a sua vida radicalmente transformada através da leitura de Paulo Coelho ou Machado de Assis. Entretanto, um número incontável de cristãos, espalhados por todo o mundo, pode testemunhar de vidas iluminadas por Deus, através da leitura da Bíblia.
III. DIVISÕES E CLASSIFICAÇÃO DA BÍBLIA.
1. Estrutura do Antigo Testamento
Uma vez definida a relação de livros que compõem o cânon do Antigo Testamento, eles foram agrupados por grupos, classificados por assunto, ou na ordem cronológica, para facilitar a identificação e o estudo dos mesmos.
Na Bíblia Hebraica, a estrutura é diferente do Antigo Testamento das Bíblias cristãs. Nela há três grandes grupos: A Torá ou Lei, com 5 livros, seguido do grupo chamado Nebiim ou Profetas, que de subdivide em dois, tomando como base a ocasião do Cativeiro Babilônico: Anteriores, composto de 4 livros; e Posteriores, composto de 15 livros. Os livros hagiógrafos, ou seja, os escritos sagrados, são a terceira porção da Bíblia hebraica, os chamados “Ketuvim”, que envolvem os livros que hoje denominamos de poéticos (Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares de Salomão) e alguns históricos (Rute, Ester, os dois livros de Crônicas, Esdras e Neemias) e proféticos (Daniel e Lamentações). Já os “Meguillot” ou “rolos festivos” são cinco livros que são lidos, até hoje, nas festividades judaicas: Rute (que é lido no Pentecostes), Ester (que é lido em Purim), Eclesiastes (que é lido na Festa dos Tabernáculos), Cantares de Salomão (que é lido na Páscoa) e Lamentações (que é lido em Tishá Beav, dia de jejum que lembra a destruição do templo de Jerusalém). A Bíblia Hebraica totaliza 24 livros.
Já na Bíblia cristã a estrutura é dividida em quatro grupos ou blocos: O primeiro bloco é chamado Pentateuco, com 5 livros; os livros Históricos são o bloco seguinte, quem somam 11 livros; o terceiro bloco são os livros chamados Poéticos, com 5 volumes, seguido do grupo chamado Profetas, divididos em Maiores, com 5 livros e Menores, com 12 livros, totalizando 39 livros. Enquanto que o índice da LXX (que é o utilizado nas Bíblias evangélicas) inclui Lamentações e Daniel entre os livros proféticos, a Bíblia Hebraica os coloca na terceira seção, entre os Escritos. A classificação dos livros do Antigo Testamento, por assunto, vem da versão Septuaginta, através da Vulgata, e não leva em conta a ordem cronológica dos livros.

2. Estrutura do Novo Testamento
A composição do Novo Testamento é mais simples, sendo constituída dos evangelhos, que narram os fatos da vida de Jesus, o livro histórico Atos dos apóstolos, que registra o início da igreja e primeiros passos dos apóstolos na propagação do evangelho, as epístolas, que formam a parte doutrinária, sendo divididas em duas partes: Paulinas (de Romanos a Filemon) e Gerais (Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro, 1, 2 e 3 João e Judas) e o livro do Apocalipse, que é profético.

3. Divisão
Quando a Bíblia foi escrita, cada rolo foi produzido em separado. Podemos observar Jesus, na sinagoga, pedindo “o rolo do profeta Isaías” (Lc 4.17). A divisão em capítulos foi introduzida pelo professor universitário parisiense Stephen Langton, em 1227, que viria a ser eleito bispo de Cantuária pouco tempo depois. A divisão em versículos foi introduzida em 1551, pelo impressor parisiense Robert Stephanus. Ambas as divisões tinham por objetivo facilitar a consulta e as citações bíblicas, e foi aceita por todos, incluindo os judeus.

BIBLIOGRAFIA
GEISLER, Norman e NIX, William. Introdução Bíblica: como a Bíblia chegou até nós. São Paulo: Editora Vida. 1997.
GRUDEM, Wayne. Teologia Sistemática. São Paulo, Vida Nova: 1999 1ª edição.
DUFFIELD, Guy P., VAN CLEAVE, Nathaniel M. Fundamentos da Teologia Pentecostal. São Paulo: Quadrangular, 2000.

Márcio Klauber Maia
Natal/RN

Características das Seitas

October 30th, 2009

Doutrina: Características das Seitas
Texto-base: 2Jo 1.7-10

O número de igreja e movimentos religiosos cresce a cada dia e precisamos estar vigilantes, a fim de conhecermos quem prega a doutrina verdadeira e quem se afasta da verdade. Veremos algumas características das instituições religiosas que pregam heresias e podemos classificar como seitas:

1) Negam ou deturpam a Doutrina da Trindade

Uma das características dos que distorcem o ensino bíblico é uma compreensão distorcida das verdades acerca da trindade, quer negando a existência ou confundindo os conceitos.

Espiritismo Kardecista

“Examinamos os principais dogmas e mistérios, cujo conjunto constitui o ensino das igrejas cristãs… Começa com essa estranha concepção do Ser Divino, que se resolve nos mistérios da Trindade, um só Deus em três pessoas, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Essa concepção trinitária tão obscura, incompreensível…” (Cristianismo e Espiritismo, 3ª edição, 1978, p.72).

Legião da Boa Vontade

“Haveis de convir que há grande presunção da parte dos homens, especialmente dos que teimam em considerar Jesus uma das três parcelas de Deus (embora tenham Deus por indivisível)…” (Jesus - A Saga de Alziro Zarur, vol. 2, p.223).

Igreja Local de Witness Lee

“Assim , as três pessoas da Trindade tornam-se os três passos sucessivos no processo da economia de Deus. Sem estes três estágios, a essência de Deus nunca poderia ser dispensada para dentro do homem” (A Economia de Deus, Witness Lee, pp. 12,13).

“Podemos, por isso, afirmar que o Espírito é a consumação final e máxima do Deus Triúno, ou seja, no Espírito temos todas as três pessoas da Trindade divina….” (Evangelho de João, Dong Yu Lan, p.19).

Testemunhas de Jeová

“A doutrina da “Trindade” não foi concedida por Jesus nem pelos primitivos cristãos… a conclusão óbvia, portanto, é que Satanás deu origem a doutrina da “Trindade”” (Seja Deus Verdadeiro, pp. 81, 91)

“os que aceitam a Bíblia como a Palavra de Deus não adoram a Trindade que consiste de três pessoas, ou deuses, em um só. De fato, a palavra “Trindade” nem aparece na Bíblia. O Deus verdadeiro é uma só pessoa, distinta de Jesus Cristo” (Conhecimento Que Conduz Á Vida Eterna, p. 31)

Mormonismo

“Eu sempre declarei que Deus é um personagem distinto, que Jesus Cristo é um personagem distinto e separado de Deus, o Pai, e que o Espírito Santo é outro personagem distinto e é espírito; são três personagens distintos e três deuses” (Ensinamentos do Profeta Joseph Smith, p. 361).

Refutação:

• O credo Atanasiano: “A fé universal é esta: Adoramos um único Deus em trindade, e a trindade em unidade; Não confundindo as pessoas, não dividindo as substâncias. Pois existe uma Pessoa do Pai, outra do Filho, e outra do Espírito Santo. Mas a deidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo é toda uma só; a glória é igual e a majestade é coeterna. Tal como é o Pai, tal é o Filho e tal é o Espírito Santo…”

• Um único Deus - Dt 6.4, Jo 1.1, At 5.3,4
• Um Deus plural - Gn 1.26, 3.22, 11.7

a) As pessoas da Trindade são mostradas claramente na Bíblia no batismo de Jesus (Mt 3.16,17), na fórmula batismal: no nome de, e não, nos nomes de (Mt 28.19), na benção dos apóstolos (2Co 13.13) e em muitas outras passagens:

• Sl 33.6 – O Pai decreta, o Filho, a Palavra, executa e o Espírito dinamiza o processo
• Is 48.13,16 – O criador dos céus e da Terra (aqui é o Filho) diz que o Senhor Jeová (o Pai) enviou-lhe o seu Espírito
• Jo 20.22 – o Pai enviou o Filho, que soprou o Espírito Santo
• Ef 4.4-6: sobre todos(o Pai), por todos (o Filho) e em todos (o Espírito Santo).
• Ef 2.18: por Ele (o Filho) temos acesso ao Pai, pelo Espírito.
• Ef 5.18-20: enchei-vos do Espírito salmodiando ao Senhor (o Filho) e dando graças ao Pai.
• I Co 12.4-6: o mesmo Espírito, o mesmo Senhor (o Filho) e o mesmo Deus (o Pai).
• I Pe 1.2: a presciência de Deus (o Pai), a santificação do Espírito e o sangue de Jesus (o Filho).
• Jo 14.26: o Consolador (o Espírito Santo) enviado pelo Pai em nome de Jesus (o Filho).
• Jo 15.26: o Consolador (o Espírito Santo), procede do Pai e testifica do Filho.
• Jd 20,21: a oração no Espírito Santo, a caridade de Deus (o Pai) e a misericórdia de Jesus (o Filho).

2) Negam a Inspiração divina da Bíblia ou usam outros livros em igual valor

As seitas não aceitam a verdade da exclusividade da revelação escrita de Deus através da Bíblia e negam a inerrância da Bíblia, produzem traduções distorcidas ou apresentam outros escritos complementares ou substitutivos da Bíblia.

Mormonismo - O Livro de Mórmon, um outro evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.

Adventismo - Os escritos de Ellen Gould White.

“Cremos que Ellen White foi inspirada pelo Espírito Santo, e seus escritos, o produto dessa inspiração, têm aplicação e autoridade especial para os ASD. Negamos que a qualidade ou grau de inspiração dos escritos de Ellen White sejam diferentes dos encontrados nas Escrituras Sagradas” (Revista Adventista, fev/1984, p. 84).

Testemunhas de Jeová - A Bíblia, Tradução do Novo Mundo e a revista A Sentinela.

Espiritismo - Os Livros de Allan Kardec, e outros tantos psicografados pelos médiuns, através dos espíritos (?).

Refutação:

A Bíblia Sagrada é a Palavra de Deus. É o maior livro de todos os tempos: o livro mais lido no mundo (traduzido para um maior número de línguas e dialetos que qualquer outro livro do mundo), o mais vendido (nunca, em nenhuma época, algum livro ultrapassou o número de bíblias vendidas, nem por um momento) e o mais amado, é também o livro mais odiado e mais perseguido do mundo. A existência da Bíblia até os nossos dias é um milagre singular. Ela contém 66 livros, escritos em duas línguas, em sua maioria, por cerca de 40 autores, cobrindo um período de quase 1600 anos. Eles viveram em lugares distantes de três continentes, nas mais variadas condições: no palácio, na choupana, no deserto, no mar, em períodos de paz e de guerra, no campo e na cidade, nas prisões, no calor das batalhas e na alegria das comemorações. Apesar de toda esta diversidade ela apresenta um só pensamento e propósito, uma só mensagem e revelação, com uma perfeita harmonia e sem qualquer contradição.

Toda a Bíblia é inspirada por Deus (2 Tm 3.16; 2 Pe 1.21; At 1.16; 2 Sm 23.2). Jesus ensinou que Deus inspirou-a nos mínimos detalhes (Mt 5.18) e ele próprio confirmou a veracidade do texto bíblico (Jo 7.16; 8.26). Negar a inspiração plenária da Bíblia é desprezar o testemunho de Cristo (Lc 24.44,45), do Espírito Santo (I Co 2.12,13) e dos apóstolos (2 Pe 1.20,21). Suas palavras permanecem para sempre (Is 40.8; Mt 5.18; 24.35; I Pe 1.23,25). Nela não há falhas ou enganos. A Bíblia não mente, ela apenas registra as mentiras proferidas por outros (Is 34.16; Jo 17.17; Sl 93.5; Ez 12.25; Js 21.45). O texto do Cânon Sagrado está completo e não necessita de complemento ou acréscimo algum (Dt 12.32; 4.2; Ap 22.19; Sl 19.7; 119.30). Ela revela aos homens a expressão do amor de Deus para com a humanidade (I Jo 5.3; Rm 13.8-10).

3) Apresentam um outro Jesus

A fim de diminuir a pessoa de Cristo, apresentam uma idéia equivocada e distorcida sobre Jesus.

Testemunhas de Jeová

“Cristo, qual executor celestial, age contra eles. Portanto, a evidência indica que o Filho de Deus, antes de vir à Terra, era conhecido como Miguel, e também é conhecido por esse nome desde que retornou ao céu, onde reside como o glorificado Filho espiritual de Deus” (Raciocínio à Base das Escrituras, p. 219).

Mormonismo

“Jesus foi criado como filho espiritual por nosso Pai e Mãe no céu. Lúcifer e Jesus eram irmãos espirituais” (Pérolas de Grande Valor, Moisés, 4.1-4).

Espiritismo Kardecista

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus… primeiramente é preciso notar que as palavras citadas acima são de João e não de Jesus. Admitindo-se que não tenham sido alteradas, não exprimem na realidade, senão uma opinião pessoal, uma indução que deixa transparecer o misticismo habitual, contrário às reiteradas afirmações do próprio Jesus” (Obras Póstumas, p.1182).

“Convém, pois, riscar os milagres do rol das provas em que pretendem basear a divindade do Cristo” (Id. Ibidem, p. 1172).

Legião da Boa Vontade

“Agora, o mundo inteiro pode compreender que Jesus, o Cristo de Deus, não é Deus nem jamais afirmou fosse Deus” (Jesus - A Saga de Alziro Zarur, vol. 2,, p. 112).

Refutação:

Cristo existiu eternamente antes da criação. Sendo Deus, ele não foi criado, mas existia na eternidade, juntamente com o Pai, antes de todas as coisas existirem. O Apóstolo João disse que ele era desde o “princípio” (Jo 1.1; 1Jo 1.1). Também afirma que, no princípio ele estava “com Deus” (Jo 1.1,2), e que já existia “antes que houvesse mundo” (Jo 17.5). Ao afirmar que o verbo “se fez carne” (Jo 1.14), João estava dizendo que ele já existia antes disto, pois esta declaração implica em uma existência pré-encarnada.

Jesus participou da criação. Quando todas as coisas foram criadas, ele estava com o Pai executando os atos da criação. O apóstolo Paulo diz que ele é o “primogênito de toda criação” (Cl 1.15), que todas as coisas foram criadas “por meio dele e para ele” (Cl 1.16), e que tudo subsiste “nele” (Cl 1.17). As Escrituras afirmam, ainda, que o mundo foi criado “por intermédio dele” (Jo 1.10; 1Cor 8.6).

Ele, porém, não apenas quis somente aparentar ser Deus, mas demonstrou que, de fato o era, realizando coisas que somente Deus poderia fazer, tais como perdoar pecados (Mt 9.2; Lc 7.47) e ressuscitar os mortos (Jo 5.25; 11.25). Jesus é Deus, semelhante ao Pai. A Bíblia declara que ele é a imagem expressa de Deus (Cl 1.15; Hb 1.13) e que é um com o Pai (Jo 10.31).

Além disto, as Escrituras dão a Jesus nomes que o identificam com Deus, tais como: “Alfa e Ômega” (Ap 22.13), “Emanuel” (Mt 1.22), “Senhor” (Mt 7.21; Lc 1.43), “Filho de Deus” (Jo 10.36) e “Deus” (Jo 1.1; 2Pe 1.1).

4) São Exclusivistas

As seitas prometem salvação apenas para os que pertencem aos seus quadros. Para eles, a salvação não está no sacrifício de Jesus, mas no movimento religioso que pregam.

Mormonismo

“uma apostasia geral se desenvolveu durante e após o período apostólico, e que a Igreja Primitiva perdeu seu poder, autoridade e graça, como instituição divina, tornando-se uma simples organização terrena… Se a alegada apostasia da Igreja Primitiva não foi real, a Igreja de Jesus dos Santos dos Últimos Dias não é a instituição divina que seu nome proclama” (A Grande Apostasia, James E. Talmage).

Espiritismo

“Aproxima-se a hora em que terás que declarar abertamente o que é o espiritismo e mostrar a todos onde está a verdadeira doutrina ensinada pelo Cristo” (Obras Póstumas, p. 1202).

Igreja Local de Witness Lee

“Os judaizantes eram judeus na carne, mas não judeus no espírito… eles perseguiam e matavam os verdadeiros adoradores de Deus… O Catolicismo Romano e o Protestantismo, assim como o Judaísmo, estão todos nessa categoria, tornando-se uma organização de Satanás, como instrumento seu para danificar a economia de Deus.” (Apocalipse - versão Restauração, p. 28)

“O trono de Satanás está no mundo, onde ele habita. Uma vez que a igreja mundana entrou em união com o mundo, ela habita onde Satanás habita… Balaão era um profeta gentio que levou a fornicação e a idolatria ao povo de Deus. Na igreja mundana, alguns começaram a ensinam as mesmas coisas. Hoje, no protestantismo, assim como no Catolicismo, o mesmo ensino prevalece… Primeiramente, eles praticaram a hierarquia na igreja inicial; agora, eles a ensinam na igreja degradada. Hoje, tanto no Catolicismo quanto no Protestantismo, tal hierarquia nicolaíta prevalece tanto em prática como em ensinamento”. (Id. Ibidem, pp. 31, 32).

Adventismo

“O espírito de profecia é o que, segundo as Escrituras, a par com a guarda dos mandamentos de Deus, seria o característico da Igreja Remanescente… Os testemunhos orais ou escritos da Sra. White preenchem plenamente este requisito, no fundo e na forma” (Sutilezas do Erro, p. 30)

Refutação:

A Salvação é universal e está baseada na pessoa de Jesus e não em uma igreja ou grupo - Tt 2.11, I Tm 2.4, 2 Pe 3.9, Rm 10.12.

5) Apresentam idéias contrárias à Palavra de Deus e baseadas em ensinos de homens

Ensinam doutrinas que são contrárias às verdades da Palavra de Deus, a fim de enganar os homens.

Adventismo: O sono da alma, o bode emissário.

Espiritismo: Reencarnação, comunicação com os mortos, Salvação pelas obras.

Testemunhas de Jeová: os 144.000, o paraíso na Terra.

Mormonismo: Batismo pelos mortos, a pré-existência humana.

Conclusão

Precisamos observar os movimentos religiosos e investigar os seus ensinos, para verificar se se trata de mais uma igreja evangélica que prega a verdade da Bíblia, ou uma seita enganadora.

BIBLIOGRAFIA

RINALDI, Natanael e ROMEIRO, Paulo. Desmascarando as Seitas, CPAD, Rio de Janeiro-RJ.

Márcio Klauber Maia

Doutrina da Salvação - Eleição

October 16th, 2009

Doutrina: Eleição e Predestinação

Leitura: 1 Pe 1.1-21.

Eleição é “o ato soberano de Deus, pela graça, através do qual ele escolheu em Cristo Jesus, para salvação, todos aqueles que previu que o aceitariam” (Thiessen citado por DUFFIELD). Predestinação é um termo mais abrangente, que envolve a eleição (para os crentes) e a reprovação (para os incrédulos).

A Palavra de Deus fala sobre a soberania de Deus na salvação do homem, mas a Bíblia também fala sobre a responsabilidade humana diante da oferta da salvação. É necessário manter-se o equilíbrio ao considerar-se este tema:

Toda iniciativa é de Deus

A salvação vem de Deus (Sl 3.8). Toda a iniciativa da salvação vem do Criador. Não foi o homem quem escolheu salvar-se, mas Deus quem quis oferecer ao homem a comunhão com Ele mesmo e a vida eterna, pois o homem estava morto espiritualmente e não podia dar vida a si mesmo (Ef 2.1-3,5,6). Cristo diz aos discípulos: “Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós” (Jo 15.16). O pecador sem a graça de Deus, não entende nem aceita as coisas de Deus (1 Co 2.14; 2 Co 4.4; Ef 4.18). A Bíblia afirma que todos pecaram (Rm 3.23) e que nossas justiças não têm valor redentivo diante de Deus (Is 64.6; Ef 2.8-10).

A Bíblia afirma a eleição (1 Ts 1.4; Cl 3.12; Ef 1.4,5; 2 Ts 2.13). Vemos a eleição dos anjos (1 Tm 5.21), de Cristo (Mt 12.18; 1 Pe 2.4,6) e dos crentes, individual (Rm 16.13; 2 Jo 1.1,13) ou coletivamente (Rm 8.33; 1 Pe 2.9). Em nenhum ponto, contudo, a Bíblia ensina predestinação para condenação (reprovação), e não é necessário, pois todos pecaram e, sem a graça de Deus, estariam perdidos.

Deus tomou a iniciativa quanto a:

a) O propósito de salvar – determinado antes da fundação do mundo (Ef 1.4; Rm 8.28; 2 Ts 2.13; 2 Tm 1.9). Deus, em Sua sabedoria, sabia que o homem pecaria, então juntamente com o propósito de criar, também determinou salvar.

b) O meio de salvação – a morte de Cristo (Ef 1.4,5). Todos os atos envolvidos (encarnação, crucificação, ressurreição, ascensão, retorno) foram planejados (Ap 13.8; At 2.23,24).

c) Os indivíduos salvos – Deus elegeu todos os que hão de ser salvos (Ef 1.4,5; Rm 8.28-30; 1 Pe 1.2; At 13.48; 2 Ts 2.13,14). Esta eleição foi feita segundo a presciência de Deus (Rm 8.29; Ef 1.4; 1 Pe 1.2). Não dependente da presciência, como um passo posterior, mas intrinsecamente ligada a ela.

Em seu perfeito conhecimento, Deus sabe todas as coisas antes que elas aconteçam (Rm 4.17). SEVERA cita Henry Thiessen para explicar a eleição na base da fé prevista por Deus, mas não uma fé comum, senão uma fé produzida pela graça divina: “como a humanidade está irremediavelmente morta em delitos e pecados e nada pode fazer para obter a salvação, Deus graciosamente restaura a todos os homens a capacidade suficiente para fazer a escolha na questão da submissão a ele. Esta é a graça salvadora de Deus que apareceu a todos os homens – Tt 2.11. Em Sua presciência, Ele tem consciência do que cada um vai fazer com esta capacidade restaurada, e, então, elege os homens para a salvação em harmonia com Seu conhecimento da escolha que fazem a respeito dEle”. Assim, tudo é pela graça (Jo 6.44; 16.8,9; Ef 2.8) – grifo nosso.

É necessário fazer uma distinção entre a presciência e predestinação. Deus pode prever algo sem determinar que isso aconteça. Por exemplo, Deus previu a entrada do pecado no mundo, mas não determinou que isto acontecesse.

A responsabilidade humana

Deus deu às suas criaturas o livre-arbítrio (liberdade de ação). Todos reconhecem a liberdade com um bem (ninguém faz passeatas contra ela!). Contudo, esta liberdade de escolha moral acarreta tanto a escolha de fazer o bem quanto o mal. É bom ser livre, mas a liberdade torna o mal possível. Deus nos deu a liberdade, mas somos responsáveis pelos nossos atos livres. Alguns teólogos afirmam que o homem é livre apenas para fazer o que deseja, e como só deseja pecar, não é livre para fazer o bem, pois somente Deus dá o desejo para o bem. No entanto, seguindo este raciocínio, quem deu ao diabo e a Adão o desejo de pecar, visto que Deus os criou bons? Para não acusar Deus de haver criado o mal – algo impensável (Tg 1.13) -, temos que aceitar que o pecado é fruto da vontade das criaturas e, portanto o homem é livre para fazer algo além do que deseja (Rm 7.15,19; Gl 5.17), embora, por causa da queda, necessita da graça de Deus para fazer o bem.

A Bíblia mostra que o homem fica livre e responsável por suas decisões (Lc 9.23; Ap 22.17). Somos responsáveis pelo que fazemos (Gl 6.7) Se os seres que Deus criou não puderem ser responsabilizados por suas escolhas certas, também não poderão ser responsabilizados pelas escolhas erradas. Assim, seríamos obrigados a aceitar a idéia de que o homem não foi responsável pela queda, como o diabo não foi responsável pelos seus erros, o que foge completamente à verdade. O homem tem a capacidade de fazer escolhas, embora precise da ação do Espírito Santo para reconhecer seu estado pecaminoso e aceitar a Cristo como seu Salvador.

No plano geral de Deus, a obra de Cristo visa a todos (Gn 12.2; Mt 28.19,20; 1 Jo 2.1,2; Ef 3.6; 2 Pe 3.9, 1 Tm 2.3,4, Tt 2.11, Ez 33.11). Cristo morreu para oferecer a salvação a todo homem (Hb 2.9; At 17.30). Dentro desse plano vem a eleição, que inclui a liberdade e responsabilidade do indivíduo (Rm 2.12; Mt 11.20-24).

Deus não faz acepção de pessoas (Rm 2.4-11, At 10.34). Desta maneira, não escolheria uns para salvação e outros para perdição, sem dar-lhes oportunidade de tomar uma decisão. O que leva o homem à perdição não é a falta de eleição, mas o pecado e a falha em não aceitar Jesus (Mc 16.16; Jo 3.18).

O pecador não é salvo por crer, ou seja, pelo seu ato, mas pela graça de Deus, por meio da fé (Ef 2.8,9). Os crentes foram vistos antecipadamente em Cristo quando Deus os escolheu. Eles estavam em Cristo porque aceitaram pela fé a oferta da salvação que Ele fez.

Soberania divina x Livre-arbítrio humano

A soberania divina e o livre-arbítrio humano não são conceitos mutuamente excludentes. O direito de escolha do homem não anula o controle de Deus, pelo contrário, exalta-o. É preciso ser muito mais poderoso para manter o controle num universo de múltiplas escolhas do que num universo de “cartas marcadas”, onde tudo segue uma ordem previamente estabelecida, sem possibilidade de mudanças.

Podemos ver esta ocorrência conjunta, do livre-arbítrio e da soberania, na morte de Cristo:

a) Deus determinou que Cristo morreria, antes da fundação do mundo (At 2.23)

b) Entretanto, Cristo afirma que se entregou (Jo 10.17,18)

c) Deus sabe tudo (Is 46.10, Sl 147.5)

d) Deus sabia que Jesus morreria (Ap 13.8, Jo 2.23)

e) Apesar disto, Jesus escolheu morrer.

A salvação é pela fé, não pelas obras (Ef 2.8,9). E Cristo morreu para garantir a salvação a todo aquele que nele crer (Lc 13.3, Jo 3.16-18, At 16.31; 17.30). Se não fosse assim, não fazia sentido a pregação do evangelho, como Cristo mandou fazer (Mc 16.15).

O homem tem o direito de escolha, dado por Deus. Assim, a criatura pode resistir ao chamado do Criador (Mt 23.37, At 7.51, Jo 1,11,12). Portanto, a salvação também tem uma pequena participação humana: aceitar a oferta de Deus – a Salvação em Cristo. O homem tem poder sobre sua própria vontade (1 Co 7.37). Assim, o Espírito Santo conduz a Cristo somente aqueles que o permitem.

Importância desta doutrina

Se toda a iniciativa da salvação é de Deus, então pode gloriar-se de ser salvo, mas temer Aquele que o salvou (Rm 11.20,21).

Se a salvação é oferecida a todos, desde que creiam e aceitem a Cristo, devemos pregar a Palavra de salvação a todos, a fim de salvar a muitos (1 Co 9.22). Somos como os leprosos que descobriram uma abundante benção que pode salvar a todos e não podemos ficar calados (2 Rs 7).

Obras consultadas:

DUFFIELD, Guy P.; VAN CLEAVE, Nathaniel M. Fundamentos da Teologia Pentecostal. São Paulo: Quadrangular, 2000.

GEISLER, Norman. Eleitos, Mas Livres. São Paulo: Vida, 2001.

HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: CPAD, 1996.

SEVERA, Zacarias de Aguiar. Manual de Teologia Sistemática. Curitiba: A.D.Santos, 1999.

WILEY, H. Orton; CULBERTSON, Paul T. Introdução à Teologia Cristã. São Paulo: Casa Nazarena de Publicações, 1990.

O Tribunal de Cristo

October 2nd, 2009

O Tribunal de Cristo
Leitura: 1 Co 3.11-15

Todos nós iremos comparecer diante de Cristo que, como juiz, julgará as nossas obras (2 Co 5.10; At 17.31). Quem não for salvo, depois da morte, passará pelo julgamento do Trono Branco. Quem for salvo irá ao julgamento do tribunal de Cristo (Rm 14.10), onde serão julgadas as obras, para determinar a qualidade das mesmas. Neste evento será determinada a recompensa ou a perda da recompensa, e não a salvação, pois quem estiver diante do tribunal já está salvo.
O tribunal de Cristo não se destinará ao julgamento dos nossos pecados, pois os mesmos foram perdoados por Jesus no Calvário (1 Jo 1.7). Não será para garantir um lugar nos céus (Ap 22.14), que foi obtido a partir do momento em que cremos em Jesus e nosso nome foi escrito no Livro da Vida nem a nossa condenação, visto que nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus (Rm 8.1; Jo 5.24; 1 Jo 4.17).

A palavra para este tribunal no grego é bema: um local elevado onde se assentava um juiz (At 18.16). Era também o local onde um juiz se assentava nas competições para recompensar os vencedores.

Quando acontecerá este julgamento?

Isto acontecerá após o arrebatamento da igreja. A recompensa está associada à ressurreição (Lc 14.14) e com o dia da vinda do Senhor - “aquele dia” (1 Co 4.5; 2 Tm 4.8; Ap 22.12). Os que morreram em Cristo ressuscitarão em corpo glorioso, os que estiverem vivos serão transformados e todos participarão deste evento.

Onde acontecerá este julgamento?

Há diversas opiniões com respeito ao lugar onde se dará esse juízo. Alguns opinam que será no céu, outros que será nos ares (1 Ts 4.17). A história de Isaque e Rebeca (Gn 24) pode ser uma figura deste fato, pois Rebeca deixou sua terra e empreendeu uma longa caminhada para se encontrar com Isaque, mas o encontro não se deu na casa de Isaque e sim no campo, o que nos dá a idéia de ser nos ares, conforme mencionado pelo apóstolo Paulo. Cremos que não será na terra para não ser presenciado pelos pecadores que durante sua vida foram hostis ao povo de Deus, e que não será no céu, pois diante do tribunal haverá decepções (1 Jo 2.28), coisa que não haverá no céu, mas só alegria no Espírito Santo.

O que será julgado?

As obras que fizermos por meio do corpo serão provadas pelo fogo (2 Co 5.10) e podem ser aprovadas ou reprovadas (1 Co 9.27). A palavra utilizada por Paulo para “mal” é phaulos, que tem o sentido de inutilidade, impossibilidade de gerar qualquer bem.
Cristo vai avaliar o tipo de cada obra e também a razão da mesma: foi feito por amor ao Senhor? (1 Co 13.3). Pois o primeiro mandamento em Mt 22.37 é: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento”.
Se as fizemos de boa vontade, receberemos galardão (1 Co 9.17,18; 1 Pe 5.2-4), mas se as fizemos com motivos de auto benefício, nada receberemos (Fp 1.15).

O Senhor julgará:

• Como usamos os recursos que ele nos deu (Mt 25.19-21; Lc 19.13,16);
• O trabalho que fizemos ao Senhor e à igreja (1 Co 3.8; Hb 6.10; Ap 2.12,13; Mc 9.41; Mt 10.41,42);
• Nossas relações com nossos irmãos (Rm 14.10);
• Aquilo que sofremos por amor a Cristo (Mt 5.11,12; Lc 6.22,23; Ap 2.10);
• Nossa fidelidade como despenseiros (1 Co 4.1-5).

Algumas pessoas falam: “Bem, estou feliz de ir para o céu e se já vou para lá, isso é bastante para me fazer feliz”. Não, não é! Se você chegasse em casa hoje à noite e a encontrasse completamente destruída, toda a sua roupa queimada, todos os móveis e utensílios reduzidos a cinzas, e também os aparelhos elétricos, sem nada no seguro, não ficaria feliz com isso. Muitos cristãos comparecerão diante do Tribunal de Cristo, vendo suas obras em chamas.
Ninguém será salvo pelas obras (Tt 3.5), mas, depois de ter sido salvo, o filho de Deus deve praticar boas obras, para glória de Deus (Ef 2.10).
Alguns crentes ficarão como Ló (Gn 19), cujas obras foram completamente queimadas no fogo. Tudo o que ele havia feito foi queimado, só que ele mesmo não se queimou. Ele é o retrato do cristão carnal comparecendo ante o Tribunal de Cristo.

As obras que passarão no teste do fogo serão as de ouro, prata e pedras preciosas e as que serão queimadas serão as de palha, madeira e feno. Há um contraste entre o que é duradouro e o que é passageiro; entre o que é caro e o que é barato; entre o belo e o feio. Aqueles que se esforçam para fazerem o melhor – obras permanentes - e não se conformam em fazer de qualquer maneira será recompensado (1 Co 3.14; Jr 48.10)! Aquilo que construímos deve estar de acordo com o fundamento, que é precioso. As obras valiosas são feitas segundo o padrão e a vontade de Deus, enquanto as obras sem valor são construídas num padrão puramente humano, inferior.

Que recompensas nós receberemos?

Haverá recompensas entregues e estas serão em forma de coroas:

a) A coroa da vitória (1 Co 9.25). A vida crista se constitui numa batalha espiritual contra três inimigos terríveis: a carne, o mundo e o Diabo. Esta coroa é denominada, também, como coroa incorruptível, porque se refere à conquista do domínio do crente sobre o velho homem.

b) A coroa de gozo (1 Ts 2.19; Fp 4.1). A palavra gozo significa prazer, alegria, satisfação. Uma das atividades cristã que mais satisfazem o coração do crente é o ganhar almas. Isto é, praticar o evangelismo pessoal e ganhar pessoas para o reino de Deus. Na busca do gozo nesta vida, nada é comparável ao de salvar almas para Cristo, livrando as da perdição eterna. Por isso, quem ganha almas, sábio é (Pv 11.30; Dn 12.32).

c) A coroa da justiça (2 Tm 4.7,8). É o premio dos fiéis, dos batalhadores da fé, dos combatentes do Senhor, os quais vencendo tudo esperam a Sua vinda.

d) A coroa da vida (Ap 2.10; Tg 1.12). Não se trata da simples vida que temos aqui. Essa coroa é um prêmio especial porque implica conquista de um tipo de vida superior à vida terrena, ou simples vida espiritual, como a tem os anjos. É a modalidade de vida conquistada mediante a obra expiatória de Cristo Jesus – a vida eterna. É o galardão da fidelidade do crente.

e) A coroa de glória (1 Pe 5.2-4). Certos eruditos na Bíblia entendem que esta coroa é o galardão dos ministros fiéis que promoveram o reino de Deus na Terra, sem esperar recompensa material.

O próprio Senhor Jesus, Juiz desse tribunal, é quem fará a entrega dos prêmios, galardões, recompensas (2 Co 9.6). Ele declara a João, na ilha de Patmos, dizendo: “O meu galardão está comigo para dar a cada um segundo as suas obras” (Ap 22.12). O apóstolo Paulo declara, também, que todo crente receberá o seu louvor (elogio) da parte de Deus (1 Co 4.5).
Nosso Senhor nos recompensará publicamente, diante do todos os salvos e seres celestiais (Mt 6.4). Não existe honra maior do que esta de ter um Salvador impecável nos cumprimentando publicamente, diante dos querubins e serafins, dos santos e da Trindade!

O propósito dos galardões não é glorificar quem os recebeu, mas aquele que os entregou. Vivemos para glorificar a Deus, agora e no porvir. Assim, cremos que as coroas serão oferecidas ao Cordeiro (Ap 4.10), como uma oferta de cada crente ao seu Senhor. Assim, o tesouro que ajuntamos no céu será para glorificar ao Mestre e não para exibição dos servos.

Leitura sugerida:

PENTECOST, J. Dwight. Manual de Escatologia. São Paulo: Vida, 2006.
HOWARD, Rick. O Tribunal de Cristo. Rio de Janeiro: CPAD, 2000.

Carlos Kleber Maia

O Arrebatamento da Igreja

September 25th, 2009

O ARREBATAMENTO DA IGREJA
Texto-Base: Mt 24.27

A profecia cujo cumprimento é o mais aguardado pela igreja é a que afirma a volta do Senhor Jesus à terra, para buscar o seu povo e implantar o seu reino. Podemos ter certeza absoluta a respeito deste acontecimento, pois foi o próprio Cristo que fez a promessa (Mt 26.64; Jo 14.3). O escritor da Epístola aos Hebreus afirma que é tão certa quanto a morte (Hb 9.27,28). Ela foi predita pelos profetas (Jd 14; Is 40.10), pelo próprio Cristo (Mt 25.31), pelos apóstolos (At 3.20; 1Tm 6.14) e pelos anjos (At 1.10,11).
A vinda de Cristo é um dos temas mais freqüentes do Novo Testamento, porque se constitui na maior esperança que a igreja possui. A profecia sobre a sua vinda é a primeira feita pelo homem (Jd 14,15) e a última palavra da Bíblia (Ap 22.20,21). As profecias bíblicas essencialmente falam sobre Cristo, pois “o testemunho de Jesus é o espírito da profecia” (Ap 19.10).
A palavra arrebatamento vem do grego “harpazo” e o equivalente no latim é “raptus”, e tem seu significado literal em: “ser retirado com força, ser removido ou raptado”. É ação de Deus em determinado período da história, visando retirar de sobre a face da terra todos os nascidos de novo.

São três as principais interpretações do arrebatamento:

1) Pré-tribulacionistas: Defendem que o arrebatamento ocorrerá antes da Grande Tribulação, ou seja, a Igreja fiel será poupada dos sofrimentos na terra; e os demais, crentes infiéis, serão deixados para trás e serão os mártires na Grande Tribulação.
2) Meso-tribulacionistas ou Midi-Tribulacionistas: Defendem que o arrebatamento ocorrerá no meio da Grande Tribulação, ou seja, depois dos três anos e meio do aparecimento do anticristo e a Igreja sofrerá parte da Grande Tribulação;
3) Pós-tribulacionistas: Defendem que o arrebatamento ocorrerá no final da Grande Tribulação, ou seja, os crentes passarão pelo sofrimento e perseguição do anticristo, a exemplo dos crentes da primeira geração, e serão arrebatados no final quando o Senhor descer dos céus.

Muitas são as afirmações das Escrituras Sagradas, a respeito deste assunto, e conhecê-las enche o nosso coração de alegria e a nossa alma de fé:

a) Jesus virá pessoalmente.
Jesus não enviará um mensageiro, ou uma comitiva para buscar a sua igreja; ele virá pessoalmente (Jo 14.3; At 1.10-11; 1 Ts 4.16; Ap 1.7; 22.7), de forma literal (At 1.10-11; 1 Ts 4.16,17; Zc 14.4). Trata-se do noivo vindo buscar a sua noiva, e esta tarefa ele mesmo realizará.

b) Será algo grandioso.
Sua vinda será entre nuvens (Mt 24.30; Mt 26.64; Ap 1.7), em glória (Mt 16.27; Mt 25.31), com poder (Mt 24.30), da forma como subiu (At 1.9,11) e acompanhada por anjos (Mt 16.27; Mt 25.31; Mc 8.38; 2Ts 1.7). Será o maior evento da história moderna. Os céus estarão em grande expectativa para a realização das bodas do Cordeiro e este é o evento que marca o início do calendário escatológico. De fato, será algo extraordinário! A palavra grega para a vinda de Cristo é “parousia”, que era utilizada para falar da chegada de um rei a uma cidade!

c) Não sabemos quando será.
Não podemos afirmar o dia, nem a hora, que ele virá, pois não sabemos quando se dará (Mt 25.13) Sabemos, porém, que a sua vinda será inesperada (1Ts 5.2; Mt 24.44; Lc 12.40; 1Ts 5.2; 2 Pe 3.10; Ap 16.15), súbita (Mc 13.36) e acontecerá de forma muito rápida (Mt 24.27;1 Co 15.52). Se os homens soubessem quando será este acontecimento, estariam preparados apenas na data aprazada. Como ninguém sabe, precisamos estar alertas a cada momento. Duas figuras são apresentadas por Paulo para falar do momento inesperado da vinda de Jesus: um ladrão de noite e uma mulher grávida que está para dar a luz (1Ts 5.2-3).

d) Os sinais nos mostram que se aproxima.
A Bíblia nos mostra muitos sinais que precederão a vinda de Cristo. São sinais que dizem respeito à criação, outros à história, ou à igreja e a Israel. Eis alguns sinais:
• Restauração da nação de Israel. (Lc 21.29-33).
• Sinais na natureza, tais como terremotos, pestes, guerras e fome (Mt 24.7) e sinais no céu (Mt 24.29-30; Mc 13.24-26; Lc 21.25,27).
• Sinais no aspecto religioso: falsos profetas realizando sinais e maravilhas (Mt 24.23-24; Mc 13.22), apostasia e a busca por doutrina de demônios (1 Tm 4.1; 2 Tm 4.3-4; 2 Pe 2.1-3), tempos difíceis (2 Tm 3.1-5; Tg 5.1-8).

e) Como será a sua vinda?
A Segunda vinda de Cristo se dará em duas fases: a primeira fase da segunda vinda do Senhor é o arrebatamento da igreja.
Ele virá de forma invisível, para a igreja.
Neste momento, os mortos serão ressuscitados (1Ts 4.16; 1Co 15.23; Jo 5.28-29) e os crentes vivos arrebatados (1Ts 4.17; 1Co 15.51-53).
Jesus virá para os seus santos (Jo 14.2,3); enquanto que, na sua vinda, Cristo virá com os seus santos, que foram levados para a glória no arrebatamento (Jd 14; Zc 14.5). No arrebatamento o foco será a igreja (1Ts 1.10), a qual ele encontrará nos ares (1Ts 4.15-18); e na segunda fase o foco será Israel, que ele livrará na terra, descendo sobre o Monte das Oliveiras (Zc 14.1-5). Neste momento, Ele julgará Israel e as demais nações, Satanás e o Anticristo e estabelecerá seu reino milenar, em Jerusalém (Is 2.2,3).

g) O que devemos fazer?
Os filhos de Deus viver de acordo com esta a realidade da sua vinda (Rm 13.12; Fp 4.5; 1Pe 4.7), e estar preparados para este momento (Mt 24.44,46; Lc 12.37,39,40), aguardando, a qualquer momento, o toque da trombeta, que anunciará a nossa despedida deste mundo. Mesmo diante das dificuldades e tribulações que enfrentamos nesta vida e das muitas perseguições que a igreja sofre, a nossa atitude deve ser de amor por sua vinda (2Tm 4.8) e espera com paciência (Fp 3.20; Tt 2.13; 1Co 1.7,8; 1Ts 1.10; Tg 5.7,8). A Bíblia até nos adverte que devemos orar para que seja apressada (Ap 22.20; 2Pe 3.12).
Não há mais tempo para a igreja estar distraída com coisas terrenas, mas devemos atentar para as palavras de Jesus: “Ora, quando estas coisas começarem a acontecer, olhai para cima e levantai as vossas cabeças, porque a vossa redenção está próxima” (Lc 21.28). Se permanecermos fiéis, ele nos guardará até aquele dia (Fp 1.6; 2Tm 4.18; 1Pe 1.5; Jd 24).

Márcio Klauber Maia
Obras consultadas:

HORTON, Stanley. Nosso Destino. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.
MACARTHUR, John Jr. A Segunda Vinda. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.