A Bíblia e Os Jogos de Azar
August 20th, 2010A Bíblia e Os Jogos de Azar
Texto: 1 Co 6.12
Introdução
Muitas pessoas gostam de “tentar a sorte” na esperança de ganhar algum dinheiro ou “fazer uma fezinha” para alcançar algum prêmio. Há muitas opções: loteria, jogo do bicho, sena, quina, raspadinhas etc e para todas elas há clientes dispostos a fazer um pequeno investimento para conseguir muito dinheiro.
Mas precisamos perguntar: o que a Bíblia tema dizer sobre isto? O jogo de azar agrada a Deus? Podemos nos envolver nesta atividade sem desagradar ao Senhor?
O que Deus fala sobre a riqueza e o investimento de risco
Primeiramente devemos considerar que Deus não condena a riqueza em si mesma. Muitos servos de Deus eram ricos, como Abraão, Jó, os reis Davi e Salomão. Deus nos dá condições de adquirir riqueza (Dt 8.18; 1 Cr 29.12-14).
Deus também não condena que se invista o dinheiro de forma sábia e lícita, para alcançar rendimentos (Mt 25.27; Lc 19.23). A que a Bíblia condena é a ambição de conseguir riquezas a qualquer custo. Algumas perguntas podem servir de norteamento na busca a esta resposta:
Somos movidos pela ambição?
As pessoas geralmente investem em jogos de azar porque querem ficar ricas. São levadas pela cobiça, pelo desejo de ter sempre mais. Mesmo que já tenham um bom emprego, uma casa para morar e muitas outras coisas, continuam jogando para obter mais. A Palavra de Deus nos alerta contra este desejo (1 Tm 6.8-11). Os que querem ficar ricos a qualquer custo não escaparão aos tropeços da cobiça (Pv 28.20-22). Alguém pode afirmar que o dinheiro arrecadado com jogos financia esporte ou obras sociais, mas ninguém joga por causa disso, mas é movido pelo desejo de ficar rico. E o problema não é ser rico, mas o que estamos dispostos a fazer para chegar lá e quanto isto nos domina.
A palavra grega traduzida por avareza (pleonexia), literalmente significa a sede de possuir mais. O avarento não entra no céu (Ef 5.5). Devemos estar contentes com o que temos, pois Deus cuida de nós (Hb 13.5; Sl 37.25; Fp 4.10-13; 1 Tm 6.6).
Confiamos em Deus ou na sorte?
O propósito que leva muitas pessoas a jogar é que confiam mais na sua sorte do que na providência divina. Não esperam que Deus lhe dê, mas esperam ganhar jogando. Entretanto, a Bíblia declara que a riqueza que vem de Deus não nos acrescenta dores (Pv 10.22). E não se pode dizer o mesmo da riqueza que vem do diabo. O problema aqui não é se temos dinheiro, mas quem nos deu isto. Deus condena aqueles que deixam de buscá-lo para lançar-se à “roda da fortuna” (Is 65.10-12).
Queremos deixar de trabalhar?
O sonho de muitas pessoas é acertar na loteria para deixar de trabalhar. No entanto, o trabalho foi dado ao homem por Deus (Gn 1.28) e é recomendado pelas Escrituras (2 Ts 3.10-12; 1 Ts 4.10-12; Ex 20.9; Sl 128.2). Quando trabalhamos ganhamos nosso dinheiro de forma digna, o que dá bom testemunho a todos, inclusive a nossos filhos. A Bíblia condena a ociosidade e a preguiça (Pv 12.11; 6.9-11). Devemos trabalhar e incentivar o trabalho.
Quando investimos em ações de uma empresa, por exemplo, estamos também investindo no trabalho. Quando investimos em jogatina, estamos incentivando a exploração e a ociosidade. Muitas pessoas têm que perder para que um possa ganhar. Isto vai de encontro aos mandamentos divinos (Ex 20.15,17) e prejudica nossa cidade em vez de ajudá-la a prosperar, como a Palavra recomenda (Jr 29.7).
Somos sábios nos nossos investimentos?
As pessoas que jogam na loteria não pensam que há uma enorme probabilidade de nunca ganharem; estão investindo de forma insensata. A chance de ganhar na loteria é de um em milhões, mas as pessoas pensam que podem ser o próximo milionário. Entretanto, não colocariam dinheiro numa poupança que diminuísse em vez de aumentar o investimento. Jesus nos orientou a avaliar os custos antes de fazermos um investimento (Lc 14.28). Devemos dar ouvidos a bons conselhos e não agir de forma insensata, inclusive com o dinheiro que temos (Pv 12.15; 17.16; 21.20).
Somos dominados pelo vício?
Não devemos ser viciados ou dominados por qualquer coisa (1 Co 6.12). Todo viciado começa com um pouco e depois se torna dependente. Assim também é com o jogador compulsivo.
As pessoas se tornam servas do jogo, pois não conseguem libertar-se dele, por querer sempre ganhar, alcançar aquele prêmio, aquele dinheiro. A Bíblia identifica a busca insaciável e avarenta pelas riquezas como idolatria (1 Co 10.19,20; Cl 3.5) e isto é condenado por Deus (Hb 13.5; Lc 12.15), pois não podemos servir a Ele e às riquezas (Mt 6.24). Ou somos dominados por Deus ou pelo desejo da riqueza. Ou agradamos a Deus ou ao dinheiro. A ambição pela riqueza e a sua busca frequentemente escravizam as pessoas (Mt 6.24).
As riquezas, na perspectiva de Jesus, podem ser um obstáculo, tanto à salvação como ao discipulado (Mt 19.23,24; 13.22). Transmitem um falso senso de segurança (Lc 12.15ss.), enganam (Mt 13.22) e exigem total lealdade do coração (Mt 6.21). Quase sempre os ricos vivem como quem não precisa de Deus. Na sua luta para acumular riquezas, os ricos sufocam sua vida espiritual (Lc 8.14), caem em tentação e sucumbem aos desejos nocivos (1Tm 6.9), e daí abandonam a fé (1Tm 6.10). Geralmente os ricos exploram os pobres (Tg 2.5,6). O cristão não deve, pois, ter a ambição de ficar rico (1Tm 6.9-11).
O amontoar egoísta de bens materiais é uma indicação de que a vida já não é considerada do ponto de vista da eternidade (Cl 3.1). O egoísta e cobiçoso já não centraliza em Deus o seu alvo e a sua realização, mas, sim, em si mesmo e nas suas possessões. O fato de a esposa de Ló pôr todo seu coração numa cidade terrena e seus prazeres, e não na cidade celestial, resultou na sua tragédia (Gn 19.16,26; Lc 17.28-33; Hb 11.8-10).
Mas Deus não mandou lançar sorte?
No AT Deus mandou confeccionar duas pedras que eram usadas para se conhecer a Sua vontade, chamadas Urim e Tumim (significado: luzes e perfeição; revelação e verdade) (Nm 27.21). Elas ficavam guardadas na estola sacerdotal e por meio delas Deus respondia: sim ou não (1 Sm 23.9-12). Porém, Deus não estava ensinando o Seu povo a jogar, pois não estavam buscando outra coisa senão saber a vontade de Deus; a resposta vinha dele (Pv 16.33).
Conclusão
Tudo o que fazemos deve ser feito para agradar a Deus e abençoar os outros (1 Co 10.31,32). O jogo não cumpre estas condições, mas atende apenas à cobiça daquele que quer ficar rico sem trabalhar e sem a bênção de Deus. Assim, devemos fugir disto e não nos deixarmos dominar pelo vício e pela jogatina.
Os jogos de azar, oficializados ou não, são instrumentos prejudiciais à vida moral e social, pois levam as pessoas a confiarem na sorte, em lugar de se dedicarem com mais afinco ao trabalho honesto, além de distorcerem a mente das pessoas sobre o certo e o errado, fazendo com que se tornem prisioneiros do inimigo.
Leitura sugerida
EVANS, Tony. Loteria e Jogos de Azar. Vida: São Paulo, 1997.
Carlos Kleber Maia
Natal/RN